Presidente Roberto Jefferson comenta sobre a disputa à Prefeitura de SP

PTB Notícias 5/03/2012, 14:35


Leia abaixo os comentários do Presidente Nacional do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), Roberto Jefferson, sobre a disputa à Prefeitura de São Paulo, publicados em seu blog (www.

blogdojefferson.

com) nesta segunda-feira (05/03/2012).

Olha o arrastão aí, gente.

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Diz o Painel que Russomano quer uma “frente” contra a polarização da eleição paulistana pra convencer Netinho, Paulinho, Soninha e Chalita a não jogarem a toalha.

A ideia ganhou força após divulgação do Datafolha (Serra lidera com 30%), além de revelar ao PT o tamanho do desafio que terá pra emplacar Haddad (3%).

Hoje o governador Eduardo Campos entra em cena pra “amarrar” o PSB-SP, e é certo que vem por aí um arrastão pró-Haddad.

Afinal, pro petista decolar, será preciso jogar a rede, principalmente depois que o PT perdeu o programa eleitoral na TV.

Obrigado a concordar Na mais recente pesquisa eleitoral em São Paulo, feita pelo Datafolha, o tucano José Serra não só continua aparecendo como primeiro na intenção de votos, como subiu nove pontos, indo a 30%.

Na outra ponta, ou seja, na lanterninha, está o petista e lulista Fernando Haddad, com 3%, um ponto a menos do que no levantamento feito em janeiro.

Entre eles há, ainda, uma miríade de candidatos.

Mas Serra não quis comemorar, afirmando que “pesquisas são sempre relativas” e que não refletem “necessariamente o que vai acontecer”.

Serra está certo, principalmente porque o marqueteiro milagroso do PT, João Santana, ainda não entrou na campanha e, em seu currículo, o tucano bem sabe, está a eleição de “um poste”.

Afago barato Há ainda mais uma razão para Serra não comemorar o aumento de nove pontos na pesquisa de intenção de votos do Datafolha.

Disse ele que “é preciso ver [a pesquisa] com cautela, ainda mais agora que ainda nem sou o candidato”.

Foi um afago mirando o ninho tucano, pois ninguém duvida que, mesmo depois da demora em se decidir, Serra será o candidato ungido pelo PSDB, com ou sem prévias.

Juízes e bebês Graças à agitação nas pré-candidaturas para as eleições de São Paulo, o Tribunal Superior Eleitoral ganha um papel de destaque ainda maior nas eleições paulistas.

Assim que Serra for consagrado como candidato tucano terá início a briga pelo posto de seu vice.

O maior peso aí, não é novidade, é o tempo de TV.

Novidade é o fato de que, hoje, mais de um ano após as eleições de 2010, ainda não se sabe quanto tempo de TV terão os partidos ou mesmo a distribuição do fundo partidário, pois o PSD de Kassab está no TSE querendo pôr fim à regra de que tal é definido no fechamento das urnas e não muda com a criação de partidos.

A aposta de Kassab é que até abril o TSE julgue a primeira ação sobre o tema (a que definirá a divisão do fundo partidário).

Se Kassab ganhar, fica com o posto de vice de Serra, se perder, a discussão dará pano para manga, mas tende a uma chapa puro-sangue.

O problema é que não dá para fazer apostas, pois já diz o dito que de cabeça de juiz e de bumbum de bebê nunca se sabe o que vai sair.

A reforma do samba A cada campanha eleitoral fica mais claro que precisamos de uma reforma política.

Entre listas, inexplicáveis mudanças de entendimentos e ações como a do PSD, cada eleição traz consigo um balde de insegurança jurídica.

Não aprendemos nada com a Lei da Ficha Limpa, que deixou as eleições em aberto por mais de um ano.

Eleição não é samba do crioulo doido, é a essência de nossa democracia, precisa de bem mais respeito por parte de todos, principalmente da Justiça Eleitoral, a quem cabe sua proteção.

Mas, enquanto a reforma não vem, e, apesar das promessas, sabe-se lá quando virá, cabe à Justiça Eleitoral proteger não só o pleito, mas principalmente o voto.

No alvo certo O assessor especial para assuntos internacionais da Presidência, Marco Aurélio Garcia, ficou conhecido no governo Lula como “top top” – gravado fazendo gestos obscenos depois de ver notícias boas para o governo, mas ruins para os demais, principalmente, para a mídia “golpista” que o PT vê em todo o lugar.

Agora, pode mudar sua fama, pois sem papas na língua, respondeu às críticas do secretário-geral da Fifa, Jérôme Valcke – que afirmou que o Brasil não estava organizando a Copa do Mundo como deveria e, por isso, mereceria um “pontapé no traseiro” ou “na bunda”, a depender da tradução – chamando-o de “vagabundo” e “boquirroto”.

O Brasil precisava traçar uma linha de respeito com a Fifa em algum momento e talvez Marco Aurélio “top top” Garcia seja a pessoa certa para este trabalho sujo.

Começa a crise Aliás, pior do que as eleições municipais daqui está a eleição presidencial na Rússia.

Como já era mais do que esperado, Vladimir Putin já se declarou vitorioso, dando início ao caminho para permanecer 24 anos no poder.

Mas a vitória vem inundada de denúncias de fraudes e a promessa dos oposicionistas de ocupar as ruas de Moscou.

Na Rússia, país de pouca tradição democrática, o fechamento das urnas não é o fim da eleição, mas o início de uma crise.

Infelizmente, as eleições aqui no Brasil também não estão acabando com o fechamento das urnas.

As semelhanças entre nós e os russos de Putin podem até ser mera coincidência, mas são tristes e vergonhosas.

Loba em pele de cordeiro A presidente Dilma Rousseff inicia nesta segunda uma agenda de encontros e reuniões na Alemanha, ainda sob a influência das fortes críticas que fez aos países desenvolvidos (principalmente os europeus) por estarem despejando moeda estrangeira no Brasil.

O ponto alto da visita é o encontro que Dilma terá com a chanceler alemã, Angela Merkel, que já antecipou à imprensa sua “compreensão” com relação às críticas da presidente brasileira, afirmando que vai “tranquilizá-la”, deixando claro que a torneira por onde vazou o tsunami (a montanha de dinheiro liberada pelos bancos centrais europeus) será fechada.

Que Dilma não se engane com o ar de tia bondosa de Merkel.

Os alemães não querem pagar sozinhos o pato da crise europeia, e fazem agrados ao Brasil e outros países emergentes para ver se espetam a conta do fundo que será criado para estabilizar a economia global.

Abre o olho, Dilma!Hora do corte A recente declaração da presidente Dilma, alertando para o “tsunami monetário” provocado pelos países ricos (principalmente os europeus), que tem levado a uma enxurrada de moeda estrangeira no mercado de câmbio brasileiro, caiu como uma luva nas mãos dos membros do Copom, que decidirão esta semana mais um corte na taxa básica de juros (Selic).

O discurso de Dilma, de que é preciso proteger o País do avanço do mercado global, de olho nos gordos lucros obtidos com nossos juros reais (os maiores do mundo), é a justificativa perfeita para o BC meter a faca na Selic em meio ponto percentual (isto se o corte não for maior).

Concordo com a presidente: a melhor maneira de defender o Brasil do “tsunami” é manter uma forte trajetória de queda na taxa de juros.

De preferência, reduzindo-a já para um dígito.

Me engana que eu gosto Tudo que o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, não precisa neste momento, em que experimenta uma trajetória de alta nas pesquisas à reeleição (graças principalmente aos sinais de recuperação da economia), é ver agravado o conflito Irã-Israel, com reflexos imediatos no preço do petróleo.

Obama começa a semana recebendo o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, que pressiona a Casa Branca para que assuma uma posição mais forte frente aos iranianos, barrando o avanço do programa nuclear persa.

Antes do encontro com o colega israelense, Obama foi à TV e, ao afirmar que “”tem muita conversa sobre esse assunto de guerra”, deixou uma advertência no ar: “Não hesitarei em usar a força quando for necessário para defender os Estados Unidos”.

O recado não foi dirigido apenas aos aiatolás, mas para o eleitor, pois Obama sabe que ter que usar a força justo em ano eleitoral pode ser um tiro no pé.

MPs e “jabutis” na pauta O presidente da Câmara, Marco Maia, pretende colocar em votação nada menos do que seis medidas provisórias, das tantas que trancam a pauta da Casa e impedem que os deputados possam votar outros projetos.

Os assuntos vão da criação de um cadastro nacional com informações sobre áreas sujeitas a deslizamentos de grande impacto à redução a zero no PIS/Pasep e Cofins incidentes sobre importação e venda de produtos destinados a beneficiar pessoas com deficiência, passando ainda pela redução de 50% para 35,9% no Adicional de Tarifa Aeroportuária, que incide sobre as taxas de embarque pagas pelos passageiros em aeroportos.

Há uma boa perspectiva para a votação das medidas, que não são polêmicas e devem ser aprovadas facilmente.

O problema são os “jabutis”, principalmente os que querem pegar carona no dinheiro do pré-sal para custear todo tipo de iniciativa.

Se os parlamentares não ficarem atentos, quando o petróleo começar a jorrar, cada gota vai para pagar o que já gastaram por conta.

Tem muito caroço nesse angu Já no Senado, a única medida provisória em pauta esta semana promete causar muita discussão e protestos tanto de governistas quanto da oposição.

Trata-se da MP 545, que cria o programa Cinema Perto de Você, o Regime Especial de Tributação para Desenvolvimento da Atividade de Exibição Cinematográfica (Recine) e concede incentivos para o setor cafeeiro.

Esta MP é uma daquelas que o senador tucano Aloysio Nunes Ferreira comparou a um enredo de escola de samba: começa falando da Rainha Elizabeth e termina exaltando a saga dos piratas do Caribe.

É o verdadeiro samba do legislador doido.

Hábito que não dignifica o monge O texto da MP 545 ganhou na Câmara dezenas de emendas, a maior parte de assuntos parcial ou totalmente desconexos com o objeto original da proposta.

E pior: parlamentares do governo e da oposição, em proporção idêntica, pegaram carona na medida.

As MPs vêm se consagrando cada vez mais como um eficiente atalho para a produção legislativa.

Como os projetos demoram muito para serem aprovados, nada melhor para os parlamentares do que inserir uma emendinha em uma MP qualquer, que possui prazo máximo de 120 dias para ser aprovada.

Esta prática apequena a função do Congresso, pois abre-se mão do exaustivo mas necessário debate sobre variados temas, evitando com isso que as propostas sejam votadas de afogadilho, sem o aprofundamento da discussão.

Algo precisa ser feito para resgatar a dignidade do Parlamento.