Presidente Roberto Jefferson defende fortalecimento do municipalismo

Felipe Menezes - 31/08/2017, 10:22

Crédito: Divulgação/AMA

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Em palestra ministrada no XI Congresso de Municípios do Noroeste Paulista, nesta quarta-feira (30), o presidente nacional do PTB, Roberto Jefferson, afirmou que a defesa do municipalismo é o discurso de pacificação política e da justiça social.

Realizado pela Associação dos Municípios da Araraquarense (AMA), o evento deste ano, que teve como tema “Os Novos Caminhos da Gestão Pública. Aqui, o Brasil dá certo”, ocorreu no Ipê Park Hotel, localizado na rodovia Washington Luís, entre os municípios paulistas de São José do Rio Preto e Cedral.

Participaram do congresso prefeitos, vereadores, gestores municipais e lideranças do Estado de São Paulo. O secretário de Comunicação do PTB, Honésio Ferreira, e o presidente da Associação Paulista de Municípios (APM), Carlos Cruz, também prestigiaram a palestra de Roberto Jefferson sobre o municipalismo.

“Tive um estalo: ‘Roberto Jefferson, sai dessa luta de rancores, de enfrentamento, faz por uma luta construtiva’. E está aqui o meu caminho. Eu aprendi o caminho. Estou aprendendo, e vou ficar bom [no assunto]”, afirmou. “Vou defender com toda força o municipalismo, porque sei que o município forte é a família forte. São os nossos valores fortes, a nossa cultura judaico-cristã preservada, é o amor à família, ao filho pequeno que quero proteger. E isso passa pelo fortalecimento do municipalismo. Porque essas cartilhas que tramam, urdem, escrevem lá em Brasília, com essa diferença que eles têm de orçamento do governo federal para os governos municipais, eles não farão mais.”

Destacando que “o Brasil não começa em Brasília”, o presidente do PTB criticou a concentração, no governo federal, de toda a arrecadação da União com impostos e contribuições sociais. De acordo com Roberto Jefferson, dos impostos arrecadados em 2016, num total de R$ 2,2 trilhões, o governo federal ficou com a maior fatia: 65,5% (R$ 1,4 trilhão). Já os estados ficaram com 24% (R$ 528 bilhões) e os municípios, 9,5% (R$ 209 bilhões). Os dados são do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e do Ministério do Planejamento, Desenvolvimento e Gestão. Para Jefferson, “é um absoluto massacre essa concentração que há de poder na mão do governo federal contra o município”.

“Olha a discrepância disso tudo. A produção é toda no município. As empresas, as igrejas, as escolas, o comércio, as indústrias de tecnologia, enfim, tudo é no município. Mas a União fica com 65,5% de tudo que é arrecadado”, afirmou o líder trabalhista, salientando que “a vida começa no município. Brasília é a consequência, e não a origem”. “O conjunto de casas faz a rua. O conjunto de ruas faz o bairro. O conjunto de bairros faz a cidade. O conjunto de cidades faz o Estado. E o conjunto de estados faz o Brasil. Então o Brasil não começa em Brasília”, acrescentou.

Roberto Jefferson disse também que o Partido Trabalhista Brasileiro vai se aprofundar no discurso municipalista nas propagandas partidárias, exibidas em rede nacional de rádio e televisão, mostrando à sociedade a concentração de poderes e orçamentos nas mãos do governo federal. Segundo Jefferson, o PTB “vai discutir de público para o país inteiro ouvir” a opção do partido: pela escola pública municipal, pelo trabalhador da CLT e pelo fortalecimento do município.

Ao final da palestra, o presidente fez um agradecimento a Carlos Cruz, presidente da Associação Paulista de Municípios, pela oportunidade dada a ele e ao PTB de estudar sobre o municipalismo.

“Comecei a fazer esses raciocínios, essas comparações, e despertei-me para a importância do municipalismo. O Carlos Cruz me deu a chave para que eu caminhasse na vida pública, empolgasse o partido e renovasse minhas ideias”, ressaltou. “Estou tendo a oportunidade, nesse convívio com os senhores, de entender que nós vamos fazer por meio do municipalismo a revolução das liberdades, a revolução que vai permitir a nós dar ao filho do mais humilde o tratamento do mais abastado neste vasto e grande Brasil”, concluiu Roberto Jefferson.

Reformas

Durante a palestra, o presidente nacional do PTB falou a respeito das reformas política e tributária, ambas em análise no Congresso Nacional. De acordo com Roberto Jefferson, o “distritão”, caso seja aprovado, será o maior prejuízo que os municípios já tiveram. O líder trabalhista também criticou a criação de um fundo público de campanha.

“O deputado com financiamento público e distritão, sem vínculos municipais, fazendo uma República unitária, quase uma monarquia absoluta na mão do futuro presidente, ele não dará bola para prefeito. Vai agravar a situação. E se passa essa proposta de reforma tributária, acabando com o ISS e dizendo que em 15 anos nós vamos melhorar em R$ 20 bilhões a transferência desses recursos para os municípios, o prefeito estará quebrado. O prefeito vai deixar de ter importância no Congresso Nacional”, explicou Roberto Jefferson, dizendo ter sido um deputado distrital.

Ainda na ocasião, o líder trabalhista lamentou o fato de a classe política ser chamada de “maldita”, “Geni” e “desonesta”. Para Jefferson, o Supremo Tribunal Federal (STF) é o responsável pela “bagunça jurídica” que o país atravessa. Como exemplo, citou o fim da cláusula de barreira, da fidelidade partidária e do financiamento privado para campanha – que não foi substituído por outro modelo.

Abaixo, assista à palestra de Roberto Jefferson no XI Congresso de Municípios do Noroeste Paulista: