Presidente Roberto Jefferson faz homenagem a Ulysses Guimarães

PTB Notícias 6/10/2016, 17:17


Imagem Crédito: Neto Sousa/PTB Nacional

[vc_row][vc_column][vc_column_text css=”.vc_custom_1475792400963{margin-bottom: 0px !important;}”]Nesta quinta-feira (6), dia em que se comemora os 100 anos de nascimento do ex-deputado Ulysses Guimarães, o presidente nacional do PTB, Roberto Jefferson, subiu novamente à tribuna do plenário da Câmara dos Deputados, depois de 11 anos, para homenagear o político brasileiro morto em 1992. No seu discurso, o líder petebista, que conviveu com o homenageado durante mais de dez anos na Câmara, enfatizou o papel desempenhado por Ulysses não apenas na política nacional, mas, principalmente, como o condutor das muitas discussões e votações que levaram à promulgação da Constituição Federal. Roberto Jefferson lembrou ainda que Ulysses exerceu 11 mandatos, e que o exemplo dele o inspira a querer voltar à Câmara.

“Ele quis a Constituição, que muitos conspiraram contra. Ela é cidadã, porque é iluminada por um maestro que usou a varinha de luz e uniu todas as tendências. Eu ouvi todas as tendências ideológicas aqui nesta tribuna homenageando o Dr. Ulysses na sua memória – todas as tendências ideológicas que têm representação no Parlamento. E todos disseram, de maneira unânime, que ele era o Senhor Democracia, respeitador dos contrários. É esse o ponto que guardo para mim do Dr. Ulysses Guimarães. O Dr. Ulysses Guimarães foi, sem dúvida, um dos maiores políticos do Brasil. Tive o privilégio de conviver com ele por dez anos. Cheguei à Casa em 1983, fui eleito em 1982, e convivi com ele até o dia 12 de outubro de 1992”, disse o presidente do PTB. “Dr. Ulysses, muito obrigado, meu amigo! Onze anos depois volto a esta tribuna em uma oportunidade que a sua memória me permite. Conquistei seis mandatos de deputado. Olha o exemplo. Ele conquistou 11. Dr. Ulysses, estou querendo voltar para imitar o senhor.”

Durante a solenidade realizada nesta quinta-feira (6), o selo comemorativo dos 100 anos de Ulysses foi lançado pelo presidente dos Correios, Guilherme Campos, e o trailer de um documentário produzido pela TV Câmara sobre o ex-deputado foi exibido. Presente à sessão, Tito Henrique Guimarães, filho de Ulysses, disse que, para a família, ver a homenagem ao ex-deputado no plenário é emocionante, por ser o lugar “onde exerceu seu espírito público e onde se sentiu realizado”. Nesta mesma linha, Roberto Jefferson relatou diversos momentos em que Ulysses Guimarães, então presidente da Câmara, comandava sessão que adentravam a madrugada.

“Recordo-me, em 1983, no exercício do meu primeiro mandato, dos seis que tive, de uma sessão que varou a madrugada aqui na Casa. Eu, que estudei muito o Regimento [Interno], tinha 28 anos de idade, cheio de ímpeto, cheguei aqui achando que mudava o Brasil a partir da tribuna da Câmara. E o Dr. Ulysses presidia a Câmara dos Deputados. Então, nessa sessão, já na Constituinte, eu seguia no microfone, às 2h, às 3h, e o Dr. Ulysses aqui. Às 3h, havia no plenário ainda quatro, cinco deputados federais. Às 4 da madrugada, era eu ali no microfone, no plenário, o Dr. Ulysses presidindo e pacientemente, esperando-me fazer questões de ordem para impedir a votação. Às 4h, eu não tinha mais questão de ordem para opor. O Dr. Ulysses, então, declarou vitoriosa a matéria e encerrou a sessão. Eu fui, então, dar um abraço nele, e ele falou: ‘Jefferson, eu quero cumprimentá-lo pelo ímpeto, pela disposição, pela convicção de fazer esse enfrentamento. É assim que você vai amalgamar o seu caráter, vai forjar o seu currículo como parlamentar, a sua vida como homem público’. Vejam, ele ficou até as 4h ouvindo-me fazer aquela obstrução, para depois lecionar para mim. Teve a paciência de dispensar o jovem impetuoso deputado até a madruga para dizer no final: permaneça assim, defendendo ardorosamente as suas convicções. Deixou para mim a lição do presidente democrata que respeitava o parlamentar mais jovem que chegava à Casa”, relatou Jefferson.

Ao agradecer o convite para discursar na sessão solene, o presidente do PTB agradeceu à memória de Ulysses Guimarães, pela oportunidade de poder voltar à tribuna da Câmara justamente para homenagear o ex-deputado. Roberto Jefferson destacou ainda, no seu pronunciamento, o poder de oratória de Ulysses, e deu seu testemunho pessoal sobre a convivência com o político que, para ele, dava aulas de democracia.

“Ulysses foi um grande, um brilhante orador, uma luz que iluminou a todos. Fui buscar um verso que explica o que eu entendo ser o Dr. Ulysses, em relação à Câmara dos Deputados e ao Brasil. Fui buscar num verso do poeta Jorge Lima, O Acendedor de Lampiões, uma estrofezinha do poeta parnasiano que dizia o seguinte: ‘Lá vem o acendedor de lampiões, parodiar o sol e associar-se à lua’. Eu me recordo de ter dito isso ao Dr. Ulysses, ele vivo ainda, presidindo a Câmara. Eu disse: ‘Dr. Ulysses, Vossa Excelência não se deu conta, porque agiu como acendedor de lampiões’. Em 1830, lá em São Paulo, no Rio de Janeiro, algumas ruas eram iluminadas pelo lampião a óleo de baleia. Havia o profissional, o acendedor, esse que se ombreia ao sol e homenageia a lua, que como uma varinha, em todo o entardecer, ia acendendo aqueles lampiões da cidade para que ela não ficasse na penumbra. E eu vejo o senhor, Dr. Ulysses, como um acendedor de lampiões, porque, na simplicidade dos seus gestos, na humildade dos seus gestos, na convicção que o senhor demonstra de amor ao seu trabalho, acima de tudo, como o acendedor de lampiões, o senhor acendia as luzes e não se dava conta de que deixava a cidade toda iluminada atrás de si. O senhor iluminou esta Casa, porque acendeu os lampiões. A Constituinte saiu pelo esforço pessoal do senhor’”, disse Roberto Jefferson.

Além do presidente do PTB, participaram da sessão solene o vice-presidente nacional, deputado Benito Gama (BA), o primeiro-secretário, Norberto Martins, o secretário de Comunicação, Honésio Ferreira, e deputados do partido. A sessão foi presidida pelo presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e contou com presença da família de Ulysses.

Perfil

Ulysses Silveira Guimarães nasceu em 1916, em Rio Claro (SP). Advogado, foi eleito deputado federal 11 vezes, sendo o parlamentar que mais tempo exerceu a função, de 1951 a 1992. Tornou-se um dos mais ativos opositores da ditadura militar, tendo lançado a própria candidatura à Presidência da República, em 1973, como forma de protesto ao regime de Emílio Médici. Apoiou o movimento “Diretas Já” e foi um dos fundadores do Movimento Democrático Brasileiro (MDB) e, depois, do PMDB. Presidente da Assembleia Nacional Constituinte que instaurou a Constituição de 1988, Ulysses disse que ela deveria ser “a voz, a letra, a vontade política da sociedade rumo à mudança”. Em 1992, o helicóptero que transportava Ulysses, a esposa e o ex-senador Severo Gomes caiu no mar após uma tempestade. O corpo do político nunca foi encontrado.[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row][vc_column width=”1/2″][vc_video link=”https://youtu.be/n2BJBxR7qNA”][/vc_column][vc_column width=”1/2″][cq_vc_compareslider images=”9575,9576,9577,9578,9579″ transitionstyle=”false” autoslide=”0″][slidedesc][/slidedesc]
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