Presidente Roberto Jefferson ministra palestra para acadêmicos de Direito

Felipe Menezes - 12/08/2017, 9:16

Créditos: Felipe Menezes/PTB Nacional

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O presidente nacional do PTB, Roberto Jefferson, esteve nesta sexta-feira (11) em Tupã (SP) para ministrar a palestra “A retórica no Tribunal do Júri” no encerramento da IV Semana Jurídica. Realizado pela 34ª subseção da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) de Tupã e pela Faculdade de Direito da Alta Paulista (FADAP), o evento durou uma semana, no Clube dos Comerciários, e foi destinado aos acadêmicos, professores e profissionais do Direito.

Prestigiaram o encontro os presidentes da Fundação Ivete Vargas (FIV), Chico Galindo, e da Associação Paulista de Municípios (APM), Carlos Cruz; o coordenador do curso de direito da FADAP, João José Pinto; o presidente da 34ª subseção da OAB de Tupã, Wagner Fuin; o presidente da Comissão de Cultura e Eventos da OAB de Tupã, Neto Batistetti; o vereador e presidente do Sindicato dos Comerciários, Amauri Mortágua; e o presidente do PTB de Tupã e coordenador regional do partido, Anderson Medeiros.

Ao iniciar a palestra, ocorrida no Dia do Advogado, Roberto Jefferson abordou a respeito de seus estudos, iniciados na Universidade Católica de Petrópolis (UCP) e concluídos na Universidade Estácio de Sá, no Rio de Janeiro. Salientou a diferença entre oratória (“o que se diz”) e retórica (“como se diz”), e comentou os “resultados sofríveis” no começo da carreira na advocacia criminal.

O líder trabalhista contou que, para melhorar seu desempenho, fez aulas com a fonoaudióloga Glorinha Beuttenmüller. Disse que teve que aprender a engatinhar, pois de acordo com a fonoaudióloga, Jefferson “não desenvolveu bem o tato de seus membros inferiores em relação ao solo, em relação à base, ao piso”, e que se desejasse transmitir segurança ao falar “teria que plantar os pés firmemente no chão”. Relatou que depois praticou exercícios respiratórios, de relaxamento das tensões vocais e o fortalecimento das pregas vocais. E, na ocasião, compartilhou um ensinamento de Beuttenmüller: “As palavras nasceram da percepção das pessoas em relação às cores, os sons, às formas, às emoções e sensações que suscitam. As pessoas deram nomes a partir das sensações e emoções que as coisas inspiraram”.

Roberto Jefferson também ressaltou o poder e o significado de consoantes e das sete vogais orais da língua portuguesa falada no Brasil (a, é, ê, i, ó, ô, u). O presidente do PTB explicou aos estudantes de Direito que a ciência da retórica é saber usar a palavra adequada para melhor vestir os fatos, as emoções e as sensações. De acordo com ele, a palavra correta e bem aplicada faz a distinção, “como a roupa bem cortada da mulher elegante”.

“A palavra na medida certa distingue o direito descrito. A palavra deve ser honesta e idônea, para buscar a persuasão com confiança. Quando usamos a palavra adequada na descrição de um direito, fato, emoção ou sentimento, conseguimos um resultado retórico muito eficaz”, orientou Jefferson. “Nunca se preocupem em adular plateia. Falem ao júri, os juízes de fato. Falem com serenidade e firmeza. Não gritem, não berrem. Tateiem sempre com seus olhos a reação dos julgadores. Mostrem com sinceridade sua convicção na tese que sustentam”, acrescentou.

O líder do PTB recomendou atenção quanto aos gestos, que, na opinião dele, devem ser comedidos, humildes e sensatos. Roberto Jefferson afirmou que os gestos ajudam a definir o sucesso da oração no tribunal. Segundo Jefferson, os gestos do orador devem ser arredondados. “O dedo em riste é arrogante, professoral, fálico, é espada que espeta. É como um pito: ‘viu?'”, exemplificou, citando uma apresentadora do Bom Dia Brasil, da TV Globo.

Júris

Na palestra, Roberto Jefferson comentou sobre júris dos quais participou, como advogado e assistente de acusação, usando a técnica retórica e de persuasão. Na ocasião, mostrou o sucesso da palavra e dos gestos idôneos, escolhidos e eleitos, para alcançar o bom resultado. E ainda esclareceu que as atitudes e a vestimenta têm importância decisiva no tribunal.

O presidente do PTB, no entanto, destacou que a defesa “mais importante, retumbante e eloquente” que fez foi na Comissão de Ética da Câmara dos Deputados, em 14 junho de 2005, quando completava 52 anos. Disse que, para aquela ocasião, fez escolhas criteriosas, para a persuasão retórica da cena e da imagem, e mencionou que vestia terno preto e camisa e gravata lilás, sendo a gravata um tom acima da camisa. As cores da paixão, sublinhou o líder trabalhista.

“Sozinho, sem apoio até mesmo de meus companheiros de partido, como Davi enfrentei o gigante Golias do governo de esquerda, o PT, que dominava o país. Minha tese era a legítima defesa da honra pessoal, política e partidária. Preparei-me para aquele grande embate. Fiz exercícios de canto, de relaxamento da voz e das cordas vocais. Escolhi as palavras, me preparei para os ataques que sofri contra a minha autoestima. Preparei-me e orei, ao lado de minha Ana Lúcia, para absorver os rudes golpes e devolvê-los com moderação, franqueza e veemência. Eu estava ali para o calvário, pois não me ajoelharia à tirania, cairia de pé, lutando e combatendo o bom combate. Escolhi cuidadosamente a palavra para demolir a fortaleza de meus adversários: mensalão, uma palavra composta por oito poderosos fonemas, que seriam repetidos por todo o Brasil e pelo mundo. Venci a batalha. Demoli a fortaleza da corrupção e mostrei que o rei estava nu”, disse.

Tranjan e certificado

O presidente Roberto Jefferson lembrou ainda de quando Alfredo Tranjan foi nomeado, na década de 1980, desembargador na vaga do quinto constitucional. Destacando-o como um dos maiores advogados de júri do Rio de Janeiro, Jefferson disse que, na despedida da tribuna, Tranjan “não nos frustrou no último capítulo daquela grande carreira de defensor”.

“Doutor Tranjan declarou amor à tribuna de defesa. Suas palavras nos hipnotizavam naquele momento. Seus gestos eram mágicos, acariciavam a tribuna como se ela fosse a mulher amada. Tocava a tribuna com afeto sedutor, e nós, todos nós que testemunhávamos aquele grande momento, presenciamos um milagre. O animismo, a prosopopeia, a personificação da tribuna em mulher. Quando ele afagava a tribuna, sua pele de madeira ficava toda arrepiada”, concluiu Roberto Jefferson, que foi aplaudido de pé pela plateia.

Após encerrar, o líder nacional do PTB recebeu da FADAP um certificado de participação na IV Semana Jurídica, e de Anderson Medeiros, presidente do PTB de Tupã e coordenador regional do partido, uma homenagem pela palestra e pela passagem do Dia do Advogado, comemorado em 11 de agosto.