Projeto de Lara inclui educação financeira no currículo escolar no Sul

PTB Notícias 7/11/2009, 8:56


Pode estar na sala de aula a vacina contra o descontrole financeiro e o endividamento.

Um projeto de lei em tramitação no parlamento gaúcho pretende incluir a Educação Financeira no currículo das escolas como forma de inocular em jovens e crianças o conhecimentos sobre como manter saudável o orçamento pessoal e familiar.

A proposta do deputado Luis Augusto Lara (PTB), hoje na Comissão de Constituição e Justiça da Assembléia Legislativa do Rio Grande do Sul, prevê a inserção da temática no Ensino Médio da rede estadual.

– Existe uma grande facilidade de tomar crédito, e muitas famílias estão endividadas por falta de planejamento.

É possível fazer a família entender essa necessidade a partir da postura do filho – entende Lara.

O projeto prevê a inclusão da matéria de forma complementar a outras disciplinas, sem necessariamente contar com carga horária fixa ou necessidade de avaliação.

Por ser ainda genérica, a proposta teria mellhores chances de avançar reunindo sugestões de especialistas e órgãos do Estado ligados à educação.

Da história da moeda à economia da cidadeO professor de Finanças Ricardo Humberto Rocha, do Insituto de Ensino e Pesquisa (Insper), ex-Ibmec, lembra que o crédito farto é um dos motores da economia, mas deve ser utilizado “com parcimônia e de forma correta”.

Para ele, as iniciativas merecem apoio por incentivarem a alfabetização financeira das futuras gerações.

– Projetos como esse fazem todo o sentido.

Desde os anos 50, muitos estados norte-americanos tornaram obrigatório o ensino de educação financeira.

Então, acho que estamos atrasados – diz Rocha.

O ideal seria casar o tema com outras disciplinas além da matemática, entende Rocha.

Como o português, por exemplo, já que a complexidade dos produtos financeiros exige uma melhor capacidade de interpretação de texto pelo consumidor, para evitar armadilhas e ser atropelado pela bola de neve do endividamento.

Para o coordenador da Comissão de Educação Financeira do Conselho Regional de Economia (Corecon), Everton Lopes, a lição na sala de aula poderia ajudar a corrigir erros básicos como o uso do cartão e crédito e do cheque especial como se fossem parte do salário, posturas muito comuns que considerada um passo para o descontrole nas contas pessoais.

Entre cálculos de juros e pacotes de viagensEstudante da 1ª série do Ensino Médio do Colégio Farroupilha, em Porto Alegre Tomás Lopes Jacociúnas, 15 anos, começou este ano a ter noções de educação financeira no programa de matemática, mas, na prática, calcular juros e rendimento de aplicações não é novidade para ele.

Tomás atua como uma espécie de representante de uma agência de viagens de roteiros colegiais e, para apresentar os pacotes aos colegas, precisa explicar as diferenças entre as formas de pagamento à vista ou em parcelas.

O jovem também acompanha de perto os ganhos da sua caderneta de poupança e, navegador assíduo de sites de finanças, planeja o melhor momento para começar a investir em ações.

Nos momentos de folga, Tomás se encoraja a esmiuçar os números da loja da mãe, em um shopping da cidade.

Mas, nas aulas de equação exponencial, por enquanto, aprendeu o que são juros simples e compostos.

– Juro simples é calculado sobre o capital inicial.

Juro composto vai acumulando – ensina o estudante, explicando a equação popularmente conhecida como “juro sobre juro”.

A professora de matemática de Tomás, Saionara Palermo, afirma ter sido uma iniciativa pessoal a inclusão da matemática financeira no programa da disciplina.

Ela nota o interesse dos alunos por temas relacionados com aplicações financeiras, movimentos do dólar, taxas de juros e condições para aquisição de veículos, por exemplo.

– A educação financeira é uma consequência disso – ressalta Saionara.

Para o professor, um desafioEnvolvidos no debate discutem como colocar em prática o ensino da educação financeira caso os projetos prosperem.

O conteúdo já aparece no programa de alguns municípios e escolas particulares, mas especialistas questionam a qualificação da rede pública para ensinar um tema complexo.

– Fico preocupado com a preparação dos professores – alerta o professor de Finanças Ricardo Humberto Rocha, do Insper.

* Agência Trabalhista de Notícias com informações do Portal Zero Hora