Projeto de petebista dificulta a venda de narguile em São Paulo

PTB Notícias 18/05/2009, 17:47


Está para ser aprovado na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, um projeto de lei elaborado pelo petebista Edson Ferrarini, que proíbe a venda do narguile – aparelho utilizado para fumo – aos menores de 21 anos.

A proposta, que deverá ser cumprida em todo o Estado de São Paulo caso seja aprovada, causou algumas divergências de opinião na Cidade.

O equipamento muito usado por mogianos é encontrado com frequencia em casas noturnas.

Alguns defendem que a fumaça inalada pelo aparelho não causa os mesmos prejuízos quanto a de um cigarro, por exemplo.

Portanto, não encontram motivo para impedir o uso por parte dos jovens.

Já outros concordam com a medida, apesar de acreditarem que ela inibirá apenas parcialmente a comercialização para essas pessoas.

“Acho essa lei válida, mas não sei se vai funcionar.

Assim como acontece com o próprio cigarro, os menores de idade sempre conseguem que outra pessoa compre o produto para eles.

E com o narguile, vai acontecer o mesmo.

Eu vendo o aparelho e o fumo, mas sei que faz mal à saúde, o que muitas pessoas ainda não têm conhecimento.

Já presenciei várias vezes mães comprando narguile para os filhos, crentes de que existe apenas aroma.

Eu sempre alerto, no entanto, de que é inalada tanta nicotina como com o cigarro”, frisa Karine Xavier, proprietária da Tabacaria Krisca, no Mogi Shopping.

O projeto de lei prevê que os estabelecimentos que comercializam o produto só poderão vendê-lo aos maiores de 21 anos, mediante documento de identidade.

O não cumprimento implicaria em multa de 100 Unidades Fiscais do Estado de São Paulo (Ufesp), o que equivale a R$ 1.

585,00.

De acordo com autor do projeto, o narguile pode ser até dez vezes mais prejudicial do que um cigarro comum, já que segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), a fumaça inalada com o cachimbo, em um período de 20 minutos a uma hora, corresponde à inalação de 100 a 200 cigarros.

“Essa medida é excelente e precisava ser ainda mais rigorosa.

O narguile é um instrumento de inalação, mas o fumo colocado nessa máquina causa muitos problemas.

O tabaco é prejudicial à saúde e possui uma série de substâncias cancerígenas.

Aliás, as pessoas que inalam o tabaco possuem 90% de chance a mais do que um não fumante de adquirir um tumor, e não só de pulmão.

O câncer pode aparecer no esôfago, intestino e até na mama.

Então, os jovens precisam mesmo ser proibidos de consumirem, para evitar essas situações”, alerta o médico Flávio Isaías, diretor clínico e presidente do Centro Oncológico de Mogi das Cruzes.

Proprietário da Tabacaria Socorro, no Bairro de mesmo nome, Dorival Cardoso também é a favor do projeto.

Ele, no entanto, defende alterações na proposição.

“Acredito que a proibição deveria acontecer para menores de 18 anos e não 21.

Até mesmo porque o narguile não faz tão mal como as pessoas falam, pois o aparelho filtra a fumaça”, pontua ele, que afirma não fumar cigarro, mas usa o equipamento há 25 anos.

“Sou descendente de libanês e no Líbano o narguile é tão comercializado que é vendido nas próprias calçadas”, lembra.

O mogiano Luiz Brasílio da Silva, de 21 anos, usa o narguile há quatro anos.

Para ele, a proposta, caso seja aprovada, não inibirá o consumo por parte dos jovens.

“Na prática, será da mesma forma que a bebida alcoólica ou cigarro.

Qualquer pessoa que quiser, terá fácil acesso.

O narguile tem sido cada vez mais utilizado pelos jovens, principalmente em casas noturnas e festas.

Acredito que será difícil ter esse controle”, aponta.

Já Charbel Antoun, que aluga aparelhos de narguile na Cidade, acredita que será difícil fazer a fiscalização.

“Alugo muito para casamentos e festas, ou seja, como vão impedir ou fiscalizar que os jovens utilizem o equipamento nessas ocasiões, por exemplo? Então, proibir a venda não irá inibir esse consumo.

Hoje, vemos que a população que mais tem utilizado o aparelho para fumo são exatamente esses jovens”, pontua.

Agência Trabalhista de Notícias (com informações do jornal “O Diário”)