Protestos marcam comemoração do 1º de maio no mundo

PTB Notícias 1/05/2007, 12:30


ISTAMBUL – A polícia da Turquia deteve nesta terça-feira, 1º, cerca de 580 pessoas em uma manifestação de trabalhadores e sindicalistas convocada em Istambul, por ocasião do Dia do Trabalho, informou o governador da província, Muammer Güler.

Os manifestantes foram detidos quando tentavam chegar à praça de Taksim, onde, desde o golpe militar de 1980, é proibida qualquer concentração política.

Apesar da proibição da concentração pelas forças da ordem, cerca de 1.

500 pessoas conseguiram se reunir na praça por volta das 7h de Brasília.

Em comunicado à imprensa, a Confederação de Sindicatos de Trabalhadores Revolucionários (DISK, um dos principais do país) denunciou a contundente atuação da polícia, com gás lacrimogêneo, agressões e detenções.

Entre os organizadores que sofreram ação da polícia estava o secretário-geral e presidente do comitê organizador, Moussa Camp, assim como outros líderes sindicais, que foram agredidos e detidos ao se reunirem na região de Besiktas, em Istambul.

Vários ônibus procedentes de Ancara que levavam pessoas à manifestação foram bloqueados na entrada de Istambul por agentes policiais, que quebraram os vidros dos veículos e jogaram bombas de gás lacrimogêneo no interior, para forçá-los a voltar.

ÁsiaOs trabalhadores do Sudeste Asiático comemoraram nesta terça o Dia do Trabalho com manifestações em seus respectivos países, mais simbólicas que numerosas, para pedir melhores condições de trabalho, enquanto os governos destacavam seus feitos econômicos.

Cerca de mil pessoas de sindicatos de empresas estatais se manifestaram em frente ao Parlamento em Bangcoc, na Tailândia, e entregaram uma carta a Prasong Soonsiri, o presidente do comitê que redige uma nova constituição, na qual exigiram melhores leis de trabalho, segundo a versão digital do jornal The Bangkok Post.

As demonstrações de trabalhadores em Manila e outras cidades nas Filipinas contrastaram com as declarações triunfalistas da presidente do país, Gloria Macapagal Arroyo, sobre os benefícios conseguidos pela classe operária durante seu mandato.

O grupo social KaSaMa, uma das organizações que comemoraram a data nas Filipinas, criticou o governo por ter sido incapaz de aliviar a pobreza.

“Passaram-se seis anos desde que marchamos para fazer ouvir nossas vozes e seguimos sendo invisíveis.

Apenas um número restrito de famílias ficou mais rica em nosso país, enquanto a vida da maioria dos filipinos piora”, disse o porta-voz da Nick Salameda.

A mensagem do primeiro-ministro de Cingapura, Lee Hsien Loong, por ocasião do 1º de maio seguiu os mesmos moldes vitoriosos ouvidos nas Filipinas, e destacou aos trabalhadores o crescimento econômico dos últimos três anos e os 176mil postos de trabalho criados em 2006.

As manifestações em Cingapura passam por um estrito controle que torna impossível a realização de grandes demonstrações ou marchas.

Na Malásia, o presidente do Congresso dos Sindicatos dos Trabalhadores Públicos e Civis, Omar Osman, pediu que o governo anunciasse durante a celebração um reajuste salarial após um lapso de 15 anos.

No entanto, o primeiro-ministro do país, Abdullah Ahmad Badawi,não fez promessas e pediu a maior colaboração do empresariado e dos sindicatos.

A Indonésia, ao contrário de seus vizinhos, não comemora o Dia do Trabalho, ainda que vários milhares de pessoas tenham saído às ruas de Jacarta e outras cidades do país.

Em Macau, na China, a polícia disparou tiros para cima e usou spray de pimenta para dispersar os manifestantes que tentaram passar pelos bloqueios policiais.

Cerca de mil pessoas, que pediam o fim do trabalho ilegal e da corrupção mudaram a direção de sua marcha e entraram em conflito com a polícia, que reagiu com cerca de cinco tiros de advertência.

Não houve registro de feridos.

Em Taiwan, o ministro do Trabalho, Lee Ying-yuan, anunciou durante o 1º de maio sua decisão de renunciar devido a desavenças políticas com o primeiro-ministro taiuanês.

O primeiro-ministro de Taiwan, Su Tseng-chang, disse que fará tudo o possível para convencer Lee a não deixar o cargo e que o permitirá pedir permissão para fazer campanha pela candidatura presidencial do ex-primeiro-ministro Frank Hsieh.

GréciaMilhares de trabalhadores se reuniram em Atenas e outras cidades na Grécia para protestar contra a forma como o governo lidou com um recente escândalo pensionista.

Suas demandas incluíam a restituição do dinheiro perdido das pensões e um jornada de trabalho de 35 horas por semana.

O Ministro do Trabalho, Savvas Tsitouridis, renunciou no sábado após semanas de críticas devido à descoberta de que um fundo estatal de pensão gastou 4,8 milhões de euros (US$ 6,5 milhões) em financiamentos estatais.

TÓQUIO – Cerca de 42 mil pessoas se manifestaram nesta terça-feira em Tóquio, convocadas pela Confederação de Sindicatos do Japão, em um parque da capital japonesa, para pedir melhores condições de trabalho, segundo informou o site da rede de televisão “NHK”.

A concentração em Tóquio foi uma das manifestações de trabalhadores convocadas no 1º de maio em todo o Japão.

O presidente da Confederação de Sindicatos, Mitsuo Bannai, pediu um aumento do salário mínimo e empregos mais estáveis para lutar contra as desigualdades.

Manifestantes ouvidos pela “NHK” afirmaram que as empresas estão mais interessadas em lucros do que nas reivindicações dos trabalhadores.

Muitos outros sindicatos também se manifestaram.

O maior do país, o Rengo, que apóia o Partido Democrático, de oposição, organizou atividades de protesto para o sábado.

Fonte: Estadão