“PTB, 65 anos a serviço do Brasil”, homenagem de Carlos Siegle, o Nenê

PTB Notícias 15/05/2010, 9:27


Confira abaixo o artigo de Carlos Sigle – Nenê, em homenagem aos 65 anos do partido, comemorado no próximo dia 15.

Nenê, um dos fundadores do movimento jovem petebista e atualmente secretário do PTB-Porto Alegre (RS), traz no seu artigo um pouco da história e a importante atuação da sigla no Brasil.

PTB, 65 ANOS A SERVIÇO DO BRASILO Partido Trabalhista Brasileiro, fundado em 15 de Maio de 1945 tem uma das mais belas contribuições para a história desse País.

O partido surgiu da união das práticas do primeiro governo Vargas às teses político-sociais da União Social Brasileira (USB), de Alberto Pasquallini.

Dessa união de teoria e prática nasceu o Trabalhismo Brasileiro, diferente do Trabalhismo Inglês, mais voltado para a luta de classes próprias do período da Revolução Industrial.

As teses da USB baseavam-se no solidarismo cristão das encíclicas papais e tinham uma vertente mais social, pregavam o fim da luta de classes, tinham caráter nacionalista e de proteção do capital produtivo, mas respeitava o princípio da propriedade e entendiam o valor social do trabalho.

O PTB foi o partido mais popular da história do País.

Em seus quadros passaram alguns dos maiores nomes da política nacional.

O PTB foi a verdadeira vítima do golpe de 1964, pois seus quadros foram perseguidos, cassados e muito desapareceram nos porões da ditadura.

Hoje, em pleno século XXI, o PTB – assim como a maioria dos partidos – procura sua identidade.

Direita e esquerda já governaram o País, deixando claro que, embora os discursos mudem, a prática política e os grupos econômicos que comandaram tanto um governo quanto o outro foram os mesmos.

Em sua maior obra, Bases e Sugestões Para um Política Social, escrita em 1958, quase ao fim da vida, Pasquallini defende e aprofunda os conceitos que balizaram a fundação do trabalhismo brasileiro e demonstram a atualidade de nossas teses.

A defesa da taxação do capital especulativo, a valorização do trabalho como a melhor política de emancipação social, a defesa do direito a propriedade, a defesa do capital produtivo, a valorização da solidariedade entre os homens equacionando o Binômio capital e trabalho e a defesa incondicional da Paz e da auto determinação dos povos são teses extremamente atuais, que já eram defendidas pelo PTB há 50 anos.

O PTB ao completar seus 62 anos precisa encontrar-se, precisa fazer a reflexão proposta pelo presidente Roberto Jefferson em seu artigo “Direita, Volver”, publicado no site do partido.

Entretanto, acredito que não basta uma simples guinada para um ou para outro lado para que o PTB possa voltar a representar o sentimento de uma nação.

O PTB precisa voltar a ter inserção nos movimentos sociais, pois só em contato direto com as comunidades locais e as representações de classe ouviremos o que realmente a sociedade organizada propõe.

Acima da identificação ideológica que a direção dessas entidades possa ter no seu debate interno, é possível tanto extrair a média do pensamento quanto expressar nossas teses.

Em síntese, o PTB precisa voltar a ser um partido de base popular.

Nossos diretórios municipais e estaduais precisam estar diretamente conectados com a população, representá-la, discutir com ela suas pautas e prioridades, convencê-la de que as teses que defendemos são as melhores para o País.

Lembro a proposta aprovada em nosso Congresso Trabalhista.

O plebiscito, aprovado como instrumento para discutir com a sociedade as alterações da CLT, é um belo exemplo de como o PTB precisa definir suas posições.

Acredito que, mais do que uma guinada para a direita ou para a esquerda, precisamos ir ao encontro da sociedade, ouvir suas demandas e ganhá-la para nossas propostas.

Não existe outro meio de representar o trabalhismo se não for com um ouvido na sociedade e outro no parlamento.

Esse, na minha visão, é o papel do trabalhismo do século XXI.

É o caminho mais difícil e espinhoso, mas os caminhos da construção dos 65 anos de história do PTB nunca foram fáceis.

E é exatamente por isso que a história desse partido confunde-se com a história da democracia brasileira.

“A política é como que uma técnica da solidariedade no tempo.

Dispondo do acervo de experiências do passado, não se deve limitar a efeitos imediatistas, mas ter sempre os olhos voltados para o futuro.

” Alberto Pasqualini, Pronunciamento Congresso Nacional 29 agosto 1951.

* Carlos Sigle (Nenê) Secretário PTB Porto Alegre (RS).