“Quanto maior o Estado, mais corrupto é o governo”, diz Roberto Jefferson em entrevista

Agência Trabalhista de Notícias - 11/02/2017, 11:17

Crédito: Felipe Menezes/PTB Nacional

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O presidente nacional do PTB, Roberto Jefferson, participou do programa Mariana Godoy Entrevista desta sexta-feira (10). A entrevista foi concedida nos estúdios da RedeTV! em Osasco (SP) e transmitida ao vivo para todo o país. Além de Mariana, o programa conta também com a apresentação do repórter Mauro Tagliaferri.

Na ocasião, o líder petebista disse como está acompanhando os problemas do país: “Assistindo bem de perto. Eu fico em Brasília três vezes por semana”. Jefferson revelou que, com o perdão da pena, pretende voltar à vida pública: “Vou disputar uma eleição para deputado federal. Eu vou voltar”. Ele garantiu ter o apoio da família nesta escolha.

Questionado sobre uma possível candidatura à Presidência da República, destacou: “Isso depende de uma estrutura mais sólida, de um envolvimento maior, de uma estrutura bem densa. É uma coisa que precisa ser bem discutida dentro do partido”. Sobre o PTB ter ou não um nome para o pleito de 2018, ele deixou claro: “Pode ser que surja [um nome para concorrer], mas o nosso caminho natural é uma aliança”. Roberto Jefferson ainda falou sobre uma possível candidatura de Michel Temer: “Ele é um grande nome”. E elogiou: “Ele está equilibrando a economia do país”.

Roberto Jefferson discordou do comentário de Mariana Godoy, que lembrou que o presidente Michel Temer é muito criticado pela escolha de seus ministros, haja vista que muitos deles foram “obrigados” a deixar o governo por serem citados em escândalos de corrupção. Jefferson defendeu as escolhas do presidente: “A condenação, a partir da publicação de uma notícia, está uma coisa muito violenta. O que há contra o Moreira Franco? Ele foi citado na Lava Jato. Moreira é um ministro importantíssimo do governo. Ele é uma inteligência em favor do governo”. O presidente do PTB mostrou seu desejo por um desfecho “feliz” para o escolhido por Temer para a Secretaria-Geral da Presidência da República: “Tomara que ele se consolide como ministro”.

Roberto Jefferson defendeu a indicação de Alexandre de Moraes, que era filiado ao PSDB, ao Supremo Tribunal Federal (STF), justificando que o ministro Nelson Jobim era do PMDB e foi, segundo o líder petebista, um dos maiores ministros do Supremo. “Um brilhantíssimo constituinte”. E prosseguiu: “E daí que seja político, filiado a um partido? O Alexandre de Moraes é um promotor de carreira, é um professor de direito constitucional”. Ele acrescentou: “Será um grande ministro”. Roberto Jefferson ainda citou os ministros Luiz Fux e Dias Tofolli que, indicados pelo PT, não teriam votado em favor do partido em diversos momentos na Corte. Para Jefferson, o fato de ser indicado por um partido não faria com que o ministro traísse sua convicção jurídica. Ele ainda citou outros casos em que, segundo o presidente do PTB, os ministros jamais beneficiaram os presidentes que os indicaram.

Questionado por internauta, Roberto Jefferson falou sobre o uso de tornezeleira eletrônica: “Já usei, mas não uso mais”.

Ao ser questionado se não seria o momento de se indicar um juiz de carreira, um juiz federal ao STF, Roberto Jefferson não ficou em cima do muro e falou sobre a “campanha” para a indicação do juiz Sérgio Moro: “Seria o pior dos indicados para o Supremo. Ele não poderia, no Supremo, julgar os processos da Lava Jato”. E finalizou: “Um grande juiz, um grande homem, mas não poderia ser juiz do Supremo. Seria um erro colocar o juiz Moro lá”.

Ao ter a Lava Jato comparada ao “Caso Banestado”, que acabou não tendo resultados práticos, Roberto Jefferson disse não acreditar que o mesmo ocorrerá com a operação em curso: “Não há a menor condição. O processo está em andamento, os depoimentos estão sendo tomados, os inquéritos foram abertos. Nós já estamos em fase de denúncia e sentença”. Jefferson defendeu a quebra do sigilo das delações da Odebrecht: “Eu sou a favor que se abra imediatamente cada delação”.

Roberto Jefferson falou sobre a “importância” do mensalão para a deflagração da Operação Lava Jato e opinou sobre o que o caso significou para as investigações que ocorrem no país neste momento: “O prefácio. Ali foi o começo de tudo. Foi o prefácio e o primeiro capítulo”. Jefferson garantiu que alertou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para os “problemas” que, mais tarde, denunciou à imprensa e que se transformaram no mensalão: “Àquela época todo mundo acreditava no PT”. E criticou o Partido dos Trabalhadores: “As práticas eram da pior qualidade”. O petebista garantiu: “Eu não imaginava que as coisas chegassem onde chegaram”. Ele foi taxativo ao garantir que não sabia do tamanho dos problemas da Petrobras: “Nem imaginava que a coisa chegasse àquele tamanho”.

O presidente do PTB contou qual era o “modus operandi” de governo e empresas: “Todo partido que tem acento no governo tem apoio mais fácil das classes empresariais”. Roberto Jefferson garantiu que até cerca de oito anos atrás a coisa funcionava da seguinte maneira: “Quando alguém doava para uma campanha política, dava 10% oficial e 90% por fora”. Segundo ele, a ideia das empresas era não ficar com a imagem arranhada com nenhum partido.

Roberto Jefferson comentou suas impressões sobre o atual momento político do país e disse acreditar que as coisas estão mudando para melhor: “A minha impressão é que a própria tocada do presidente Temer é uma coisa muito mais cautelosa, é muito mais sensata, a relação dele com o Congresso é muito mais digna“. E ressaltou: ”Ninguém mais opera no porão, isso não existe mais”.

Quando foi confrontado com o pedido de urgência da Câmara dos Deputados para votar a mudança da prestação de contas dos partidos políticos, Roberto Jefferson fez críticas ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). “Só no Brasil existe TSE. É uma intervenção indevida do Poder Judiciário no processo eleitoral. Só no Brasil você tem Justiça Eleitoral, custa uma fortuna ao país.” E listou os motivos que fazem com que ele reprove a existência do órgão e acusou: “É um perfeccionismo monstruoso”. Segundo ele, o excesso de burocracia do TSE pode acabar com um partido, uma vez que a instituição pode barrar a liberação de verba destinada aos grupos políticos: “Não pode receber doação privada mais, se não recebe o fundo partidário fecha o partido”.

Roberto Jefferson ainda comentou o caso do ex-ministro Geddel Vieira Lima, que teria tentado usar sua influência no governo para a obtenção de benefícios próprios: “Ele errou e o presidente o exonerou”.

Voltando a falar da votação de urgência da Câmara, o presidente do PTB disse que a mídia de não tem conhecimento do tema e atrapalha a votação envolvendo o TSE: “A imprensa, sem conhecer o processo, demoliu a reputação do presidente da Casa, o Rodrigo [Maia]. Ele colocou em voto uma coisa que é para dar força aos partidos para existir. Não há democracia sem representação”. Para finalizar o tema, foi enfático: “Essa coisa do Judiciário a todo momento querer suprir as posições que são do Legislativo ou do Executivo está ficando muito ruim”.

Ao dizer que seu partido é favorável ao projeto que prevê o abuso de poder, ele fez críticas severas às “10 Medidas Contra a Corrupção”: “A Lava Jato existe sem aquilo. Eles acabavam com habeas corpus. Imagina uma família que tem um filho preso porque estava com dois pacotinhos de maconha. Não pode tirar mais o menino. Acabou o habeas corpus. Termina a prescrição, cria o delator remunerado. Isso é uma figura que vem do direito nazista, quando se instalou o Reich na Alemanha, que o filho fazia delação contra o pai, ou no princípio de Lênin, na Rússia”. E foi além: “Justificavam a tortura como prova”. Jefferson comparou as “10 Medidas” com, segundo ele, as atitudes violentas praticadas pelo ex-presidente americano George Bush com muçulmanos suspeitos de terrorismo. “A Lava Jato está indo bem sem essa legislação que propôs. Ela tem a força de um furacão, ela não para mais, vai levar todos à condenação”, finalizou.

Roberto Jefferson disse não ver problemas em senadores citados na Lava Jato sabatinarem o indicado ao STF Alexandre de Moraes. Para ele, a sabatina não influenciaria a tomada de decisões do ministro licenciado da Justiça caso este seja confirmado no Supremo.

O repórter Mauro Tagliaferri afirmou que tem visto muitos empresários condenados na Lava Jato e poucos políticos, mas Roberto Jefferson discordou do ponto de vista do jornalista: “Isso não é verdade, Mauro. José Dirceu está preso, ex-todo poderoso do PT. O ex-presidente da Câmara, o Eduardo Cunha, está preso. O ex-governador do Rio, o segundo Estado da Federação, está preso. Os políticos estão sendo presos sim”. Para ele, os ministros do STF estão sobrecarregados e certos ao dividirem os julgamentos da Lava Jato com outros processos importantes que chegam às mãos dos membros da Corte.

Confrontado com a opinião de Eduardo Cunha, que se acharia “um troféu” do juiz Sérgio Moro, o presidente do PTB foi direto: “Não é arrogância não se achar o rei da cocada preta? Conversa ruim do Eduardo”. E continuou: “O juiz Sérgio Moro é duríssimo, mas não fica fazendo gracinha na imprensa. Ele é duro, mas o povo gosta dele”. E finalizou: “Se ele [Cunha] renuncia à presidência da Câmara no dia em que ele impichou a presidente Dilma, ele ficava com metade do povo ao lado dele”.

Ao ser questionado se teria se arrependido de ter feito as denúncias que o levaram à cadeia, Roberto Jefferson garantiu: “Faria tudo outra vez”. Ele ainda falou sobre o tempo no cárcere: “Não fico feliz por ver ninguém preso, é muito ruim”. E disse como se manter são nesse período: “É não se revoltar. É você ter a capacidade de se resignar, entender que é um momento e que aquilo vai passar e que você vai sair dali“. O petebista ainda disse que quem passa por isso não pode se fazer de vítima: “Para estar ali fez alguma coisa. Está expiando uma culpa que tem”.

Roberto Jefferson afirmou que a situação processual de dois dos presos na Lava Jato é gravíssima: “Ele [Eike Batista] não ficará impune, como Sérgio Cabral não ficará impune”.

O presidente do PTB disse não crer em uma delação bombástica de Eduardo Cunha: “Ele tem que denunciar do presidente da República ao Papa. No nível dele está todo mundo já denunciado. Ele não tem como fazer delação premiada”. Jefferson ainda descreveu Cunha: “É um dos homens mais inteligentes que eu conheci na minha vida. É um homem agressivo, mas que se achou, de repente, mais importante do que é. Ninguém nessa terra é semideus. Eu não vi ninguém que desafiasse Deus sair vitorioso”.

Sobre a polêmica gravação envolvendo o senador Romero Jucá (PMDB-RR), em que dizia que era necessário fazer um grande acordo para “estancar a sangria”, o presidente do PTB garantiu não ver chance de um “acordão”: “Não acreditem nisso e me chama aqui de novo se isso acontecer. Não haverá leniência do Supremo com ninguém envolvido na Lava Jato”. Jefferson acrescentou: “Eu penso que o Brasil está melhorando, está saindo dessa crise moral. Quem errou vai pagar o preço do erro”.

Roberto Jefferson comentou o que espera das eleições. Para contextualizar, disse que não crê que sua condenação foi “totalmente” justa: “Fui condenado por corrupção passiva e lavagem de dinheiro e não fiz uma nem outra”. Ele explicou os crimes que cometeu, como foram interpretados e desabafou: “Eu não creio naquela sentença. Para mim a sentença soberana não é a do juiz, é a do povo. E eu quero passar pela decisão do povo”. E criticou o ministro que o condenou: “Mais importante que o Joaquim Barbosa é o povo do Brasil. É o povo de São Paulo, é o povo do Rio, e esse é que vai me julgar”.

Roberto Jefferson falou sobre a receptividade encontrada nas redes sociais e observou: “Eu tenho uma maneira de ser especial. As pessoas podem divergir de minhas posições, mas todo mundo sabe que eu tomo posições”. E prosseguiu: “Eu aprendi, desde cedo, com meu avô Ibrahim, que o homem que não tem lado não tem fundo e eu sempre tive lado”. O líder petebista criticou os políticos que ficam “em cima do muro” e os chamou de “pólvora molhada”.

O presidente do PTB deu sua opinião sobre o foro privilegiado: “Sou contra. O foro privilegiado parece uma coisa muito importante, mas ela te prejudica”. E explicou: “Foro privilegiado não tem recurso”. E lamentou: “Se a opinião pública se mobiliza, é pelotão de fuzilamento, não tem escapatória”. Roberto Jefferson, no entanto, garantiu: “Sou a favor da prisão em segunda instância”.

Roberto Jefferson se mostrou favorável à reforma da Previdência e garantiu que para corrigir as distorções, sobretudo entre as aposentadorias do funcionalismo e do trabalhador CLT, “só fazendo a reforma da Previdência”. O presidente do PTB usou a crise da polícia do Espírito Santo para criticar: “Os coronéis da PM se aposentam ‘full’ com 25 mil reais aos 48 anos de idade”. Ele foi enfático ao dizer que isso não é justo. Para ele, os principais críticos à ideia de idade mínima de 65 anos para a aposentadoria são os funcionários públicos. E ainda adiantou o voto do PTB na reforma: “A favor dos 65 anos e contra a desvinculação do benefício da aposentadoria do salário mínimo”.

Sobre as acusações que recaem sobre o governo Temer de ser um governo “golpista e entreguista”, que neste momento estaria disposto a privatizar “tudo” no país, Roberto Jefferson se mostrou favorável a este tipo de política, mesmo que se privatize do pré-sal ao aquífero Guarani. Para se justificar, afirmou: “Quanto maior o Estado, mais corrupto é o governo”. Ele ainda se justificou com a crise da Petrobras e acusou a ex-presidente Dilma Rousseff de ter ciência dos casos como o da refinaria de Pasadena.

O presidente do PTB reafirmou que será candidato a deputado federal pelo Rio de Janeiro ou por São Paulo.

Roberto Jefferson falou sobre sua participação no programa O Povo na TV e observou: “Eu aprendi a fazer televisão”. Ao ver uma foto da época, relembrou: “Eu era bem gordo, cheguei a 170 kg. Eu fiz uma redução de estômago aqui em São Paulo em 2000”.

O líder petebista falou sobre o câncer que enfrentou e explicou que tem uma vida mais ou menos normal: “Eu tive que tirar o estômago todo, tive que tirar metade do pâncreas, tirei o duodeno, tirei a vesícula e tirei três metros de intestino. Eu virei uma sabiá gigante. Eu como e vou ao banheiro”. Jefferson explicou as limitações alimentares, sobretudo no que diz respeito às gorduras: “Eu tenho limitações? Tenho limitações. Eu tenho que administrar”.

O presidente do PTB disse ser um homem religioso, católico, e garantiu que vai semanalmente à missa: “Eu não creio que o homem consiga viver bem sem a crença em Deus”.

Roberto Jefferson analisou a possibilidade de uma chapa formada por Ciro Gomes e Luiz Inácio Lula da Silva e provocou: “Tomara que venha, nós vamos dar uma coça nos dois”. E prosseguiu: “O Ciro é um bom sujeito, mas é muito brigão”. Ele ainda comentou as eleições de Donald Trump, nos EUA, e João Doria, em São Paulo, e comentou as possíveis candidaturas de Cármen Lúcia, Sérgio Moro e Joaquim Barbosa, além de dizer que o ex-ministro do STF que o condenou não tinha postura de juiz: “Parecia o Batman”.

Ao falar sobre Renan Calheiros, o presidente do PTB não fez julgamentos, mas observou: “Não quero fazer juízo, mas quem é que consegue o milagre de ficar fora de 12 processos?”

A respeito da reforma trabalhista, foi enfático em seu ponto de vista: “A favor”. E explicou a sua posição [e do PTB]: “A pedra fundamental, a pedra de toque é que o acordado, a convenção coletiva, o acordo coletivo de trabalho tenha força de lei”.

Para finalizar sua participação no programa, Roberto Jefferson mostrou seu lado cantor ao interpretar, em parceria com Mariana Godoy, a canção “Smile”, composta por Charles Chaplin.

Abaixo, assista à íntegra da entrevista:

Com informações do programa Mariana Godoy Entrevista