Rio+20 precisa de agenda mais ousada, defende senador Fernando Collor

PTB Notícias 13/03/2012, 11:11


Para garantir um lugar na história ao nível da Cúpula da Terra de 1992, a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio+20) deverá ter uma agenda mais ambiciosa e atrair a presença, no Rio de Janeiro, de um grande número de chefes de Estado e de governo.

A advertência foi feita nesta segunda-feira (12) por participantes de audiência pública presidida pelo senador Fernando Collor (PTB-AL), na Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional (CRE).

Como presidente da comissão, Collor considerou “tímido e desnorteado” o documento-base das negociações, divulgado pela Organização das Nações Unidas (ONU), conhecido como zero draft.

Em sua opinião, é preciso garantir uma definição “clara” do que seja a economia verde, além de se estabelecer no documento o princípio do não retrocesso, por meio do qual a nova conferência não poderá adotar medidas que contrariem as decisões da Rio 92.

O senador petebista ressaltou a necessidade de atrair para o evento o maior número possível de líderes mundiais.

“O sucesso da Rio+20, no qual ainda teimo em acreditar, depende das decisões a serem tomadas e do número de chefes de Estado e de governo que estiverem presentes.

Nenhuma desculpa deverá ser aceita pelo não comparecimento.

Na Inglaterra, diz-se que o primeiro ministro David Cameron não vai ao mesmo país mais de uma vez por ano.

Nos Estados Unidos, dizem que há eleições em curso.

Não se trata de convidar as autoridades, mas de convocá-las.

A hora é de união e de ação”, afirmou Collor.

Ex-secretário de Meio Ambiente do Estado de São Paulo, o professor José Goldenberg recordou o esforço feito por Collor, três meses antes da Rio 92, para conseguir atrair para a cúpula mundial um grande número de chefes de Estado e de governo.

Enviado à China pelo então presidente, o professor relatou ter sido inicialmente recebido pelo ministro do Meio Ambiente, que decidiu levá-lo ao primeiro ministro chinês.

Nesse momento, ele argumentou ao primeiro ministro que seria do próprio interesse da China adotar um novo modelo de desenvolvimento.

Cético, o primeiro ministro lhe pediu um exemplo.

O professor recorreu à diferença entre as geladeiras em uso na China e as mais eficientes já em produção naquele momento.

“Com geladeiras mais eficientes vocês gastariam três vezes menos energia e queimariam três vezes menos carvão”, lembrou Goldenberg.

Ao expor os preparativos para a realização da Rio+20, por parte do governo brasileiro, o embaixador Luiz Alberto Figueiredo Machado, subsecretário-geral de Meio Ambiente, Energia, Ciência e Tecnologia do Ministério das Relações Exteriores, lembrou que a Rio 92, organizada por Collor, foi um “marco inacreditavelmente forte para tudo o que veio depois”.

Ele informou ainda que o presidente da comissão tem “pleno e total apoio do governo” na tese de que não se pode agora retroceder.

Agência Trabalhista de Notícias (ELM), com informações da Agência Senado