RJ fala sobre reunião em que serão anunciados cortes no orçamento

PTB Notícias 23/01/2012, 13:27


Leia abaixo comentários do Presidente Nacional do PTB, Roberto Jefferson, publicados em seu blog na internet (www.

blogdojefferson.

com) nesta segunda-feira (23/01/2012):A dona da tesoura O fato da semana será a primeira reunião ministerial do ano, na qual serão traçadas as metas prioritárias do governo e o tamanho do corte orçamentário a ser anunciado em fevereiro.

Mas o encontro é apenas protocolar, já que Dilma passou a semana reunida com técnicos dos 38 ministérios esquadrinhando programas e ações para saber o que dá para fazer e aonde cortar.

Ela sabe que, para a população continuar gastando, o governo tem de apertar o cinto.

Respaldada por uma aprovação recorde, não vai ter choro nem vela: vem aí a supertesoura de Dilma.

Classe média em alta Além de revelar o crescimento da aprovação da presidente Dilma Rousseff, pesquisa Datafolha trouxe dados interessantes sobre os indicadores de renda e estrutura de classes sociais.

Mostra que o Brasil vem se tornando cada vez mais um país de classe média.

Seis em cada dez brasileiros com 16 anos ou mais pertencem à classe média, o que representa um contingente de 90 milhões de pessoas.

O país que emergiu das planilhas do Datafolha indica que a população cada vez mais escorrega dos extratos “D” e “E” para o “C”, graças aos ganhos de renda obtidos nas últimas décadas, consequência do crescimento do PIB, das políticas de distribuição de renda e da estabilidade econômica.

A desigualdade ainda é alta, mostrou a ONU recentemente, e também o número de excluídos, mas estamos avançando.

Sem educação, não há solução Outra constatação significativa do Datafolha é a de que a escolaridade se mostra cada vez mais um item fundamental para a queda da desigualdade e o crescimento da classe média.

A pesquisa aponta que dinheiro e posse de bens de consumo podem ser sinais de prosperidade, mas o que realmente distingue com clareza a classe social é o nível de escolaridade, tanto que no topo da pirâmide dos níveis de renda a grande maioria possui nível superior.

Descendo um degrau, no que seria uma classe média alta, a proporção cai significativamente, e o nível de instrução da maioria passa a ser o ensino médio.

A escolaridade vai caindo conforme vai baixando a renda do cidadão, até chegar à constatação de que, na base da pirâmide, o nível mais baixo de renda, o mais comum é termos analfabetos ou pessoas que nem sequer completaram o primário.

Ou seja, os programas sociais de renda têm levado muitos a mudarem de patamar, mas o salto consistente só se dá a partir da elevação do nível de escolaridade.

Que o governo esteja atento a essa importante questão na hora usar a tesoura.

A cara dela Como resultado das reuniões preparatórias que manteve na semana passada com ministros e técnicos de todas as pastas, Dilma decidiu criar a Secretaria de Relações de Trabalho no Serviço Público, órgão que será responsável por consolidar o relacionamento e o diálogo do governo com o funcionalismo.

A Secretaria havia sido idealizada pelo secretário de Recursos Humanos do Ministério do Planejamento, Duvanier Paiva, que faleceu no último dia 19, vítima de infarto (e em circunstâncias ainda não esclarecidas).

A presidente vem buscando modificar a estrutura de governo com o objetivo de otimizar, racionalizar e dar maior celeridade às decisões e atos administrativos, e pelo visto vem obtendo resultados.

De acordo com o Tesouro Nacional, no ano passado os gastos com o funcionalismo público federal registraram desaceleração.

As despesas com pessoal cresceram 6,6%, contra expansão de 9,8% observada em 2010, diminuindo também a relação entre gastos de pessoal e PIB.

É um bom começo.

Faltou combinar com os russos A notícia de que José Sergio Gabrielli será substituído por Maria da Graça Foster na presidência da Petrobras, vazada pelo deputado Paulo Teixeira, líder do PT na Câmara, no sábado, ainda repercute hoje.

Do Twitter de Teixeira a notícia foi para o canal “Globo News” e hoje o jornal “O Globo” já dá como certa a substituição, especulando sobre o que Foster, “que toma posse na presidência da Petrobras no próximo dia 13”, fará.

Mas no “Estadão” a história é diferente.

Lá o que repercute é a entrevista de Gabrielli à Reuters, na qual ele deixou claro que a notícia de sua renúncia e as especulações sobre sua ida para o governo de Jacques Wagner na Bahia não estão nem um pouco confirmadas.

O discurso não está batendo.

Creio, porém, que o jornal carioca não iria bancar a informação se não tivesse uma fonte bem quente por trás.

Quiçá a própria presidente.

.

.

A grande pequena reforma A substituição de Gabrielli na Petrobras deve também ser a grande notícia sobre a reforma que Dilma está fazendo no governo.

O plano, conhecido desde a posse, era empurrar para o início de 2012 a formação de um governo que tivesse mais cara de Dilma do que de Lula, ultrapassada a fase na qual se poderia melindrar o ex-presidente e ainda padrinho.

A substituição de Gabrielli por Foster cabe como luva nesta definição de reforma.

Mas com os repetidos escândalos nos ministérios, a reforma se deu, na prática, durante o ano, com envolvidos em supostos desmandos publicados pelos jornais sendo substituídos por nomes técnicos e discretos, ou seja, com a cara de Dilma.

Com a saída de Fernando Haddad da Educação para disputar as eleições municipais, o gordo da reforma acabou.

Resta então um ministério aqui, outro acolá, que não deve causar tanto alvoroço assim.

O que inspira mais cuidados é o do Trabalho, uma vez que sindicatos e centrais não andam satisfeitos com a política de Dilma para o setor.

Encontrar alguém com o perfil adequado para tocar o barco neste momento não é uma tarefa simples.

Aqui, Lula, com certeza, vai meter a colher.

A fila anda Com Gabrielli ocupando os jornais da política nacional e Haddad fazendo festa de despedida amanhã, o próximo alvo da reforma é o Ministério da Cultura.

Mas foi um milagre a ministra Ana de Hollanda ainda não ter caído.

No plano terreno, contudo, o que explica o equilibrismo da ministra é mesmo a pouca importância que se está dando à Pasta.

Desde a posse ela apronta, sendo alvo de críticas ferrenhas do setor cultural.

Mas a fila de ministros caídos continuou a deixar sua substituição para depois.

Ela não deve mesmo passar da reforma, estava fadada, desde o começo, a cair mais cedo ou mais tarde.

O traje da festa O Painel de hoje (“Folha”) conta que, mais uma vez, o escritor Fernando Morais volta a ser cogitado para ocupar o Ministério da Cultura.

No entanto, Dilma insiste, também aqui, em colocar uma mulher para ocupar a pasta, já havendo especulações sobre os nomes de Marta Suplicy e Marta Porto.

Para entrar na festa de Dilma o traje tem de ser saia.

A festa de Marta Depois de sair da disputa pela pré-candidatura nas eleições de São Paulo, deixando que Fernando Haddad fosse ungido por Lula (como um dia foi Dilma), Marta Suplicy ocupa duas outras listas além dos cogitados para ocupar a Cultura: nomes a serem afagados no governo e nomes a serem controlados.

Marta saiu da disputa, mas não entrou na campanha.

No Senado ela pode fazer muito mais estrago do que no esquecido Ministério da Cultura.

É ele quem diz E a eleição em São Paulo continua agitada.

Enquanto Gilberto Kassab, atual Prefeito, move mundos, fundos e telefonemas para conquistar petistas, o Painel conta que nem o tucano Geraldo Alckmin, atual governador do estado, acredita que a recusa de José Serra em disputar a prefeitura paulistana é decisiva.

De acordo com o jornal, é isto o que Alckmin anda dizendo “em privado”.

E certo está ele, pois os paulistanos bem sabem que o que Serra diz quanto ao cargo não se escreve e, mesmo que se escreva – como ele fez a algum tempo, registrando em cartório o compromisso de não renunciar para disputar o governo – também não é lá tão confiável.

Pé no chão Quando e se o planeta Terra chamar Serra de volta, ele deve perceber que a proposta de ir direto para mais uma campanha presidencial (em 2014) não tem muito de realidade, principalmente depois do fiasco que foi a sua última derrota.

Ainda o melhor Enquanto os republicanos se digladiam pela indicação à vaga para disputar a eleição presidencial contra Barack Obama, este tenta passar ao largo e tomar a dianteira em outra frente ainda mais intrincada: vencer a crise que amofina a vida dos norte-americanos.

Neste sentido, Obama irá aproveitar o tradicional discurso do “Estado da União” (feito pelos presidentes a cada começo de ano), nesta terça, no Congresso, para apresentar um novo e ousado plano de ação para melhorar a economia e o clima dos negócios nos Estados Unidos.

Apesar das muitas promessas não cumpridas, Obama ainda é a melhor opção, tanto para os americanos quanto para o mundo.

Torço para que ele continue por mais quatro anos.