RJ: oposição não sabe que medidas tomar após o caso entre Lula e Mendes

PTB Notícias 28/05/2012, 15:36


Leia abaixo os comentários do Presidente Nacional do PTB, Roberto Jefferson, publicados nesta segunda-feira (28/05/2012) em seu blog (http://www.

blogdojefferson.

com).

Náufragos perdidos Dizem os jornais que a oposição quer trazer Lula para o meio do escárceu, deixando de lado o escândalo do bicheiro.

Mas noticiam também que a oposição não sabe pra que lado irá.

Encurralada com a convocação do tucano Marconi Perillo na CPI, que deve ser votada amanhã, a oposição, principalmente o PSDB, gastará a segunda-feira tentando descobrir que medidas vai tomar.

Eles ainda não sabem se interpelam Lula na Justiça, se o convocam para ir à CPI, se propõem uma acareação do ex-presidente com Gilmar Mendes, chamando-o também para depor na Comissão.

Onça cutucada Uma coisa a oposição precisa se perguntar antes de enfiar os pés pelas mãos: será que vai cutucar onça com vara curta? Carlinhos Cachoeira ficou em silêncio em seu depoimento na CPI, mas a lista de autoridades e grandes nomes citados nos grampos captados pelas Operações Vegas e Monte Carlo é imensa.

Desvio de foco Após o silêncio de Carlinhos Cachoeira na CPI quem tem apanhado muito na imprensa é o ex-ministro e agora advogado do bicheiro Márcio Thomaz Bastos.

Tanto que a Ordem dos Advogados do Brasil, seção de São Paulo, divulgou nota defendendo o direito de MTB advogar para quem quiser lhe contratar.

Enquanto a nota é divulgada de um lado, esse direito de defesa continua a ser atacado de outro.

Melchiades Filho, na “Folha”, aponta, de um lado, os enganos da “atual ladainha em torno do – óbvio – direito à defesa de Cachoeira, Dirceu, Demóstenes, Delúbio & Cia”.

Mas, de outro, prescreve que “a anomalia reside no papel dúbio de MTB”.

Ora, direito de defesa é também escolher livremente o próprio advogado.

Quem ficou em silêncio foi Cachoeira, o cliente.

Se o advogado, MTB, deve ser criticado por algo é por criar, quando ministro, a anomalia com pé na ilegalidade em que se transformou a Polícia Federal dos grampos vazados.

Pauta extensa Reunião do Copom para definir a taxa básica de juros, a Selic; disputa política na CPMI do Cachoeira para convocar governadores e quebrar sigilos da Delta; depoimento de Demóstenes no Conselho de Ética e na CPI; mercado e governos preocupados com a decisão sobre a possível saída da Grécia da Zona do Euro, quebrando a coesão do bloco, com repercussões imprevisíveis sobre a economia global; Código Florestal de volta à ordem do dia, agora com medida provisória chegando ao Congresso para reparar trechos vetados por Dilma; repercussão do imbróglio sobre suposta pressão de Lula para atrasar julgamento do mensalão.

Esses são alguns dos principais assuntos da semana que se afigura bastante movimentada.

Previsão do tempo A se confirmar as expectativas sombrias do caos na Europa a partir de um provável calote grego, o final da estação prenuncia um inverno cinzento e tenebroso.

Depoimentos a rodo, revelações nem tanto.

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A CPI que investiga as atividades do bicheiro Carlinhos Cachoeira promete viver dias animados esta semana.

Amanhã, os integrantes da comissão terão uma tensa reunião administrativa, onde haverá disputa partidária para aprovar requerimentos de convocação e quebras de sigilo.

Os mais complicados dizem respeito à quebra de sigilo da Delta em todo o Brasil, e a convocação de três governadores supostamente envolvidos com o caso, além do empresário Fernando Cavendish.

Na quarta a CPI se reunirá para ouvir os depoimentos de José Olímpio de Queiroga Neto, acusado de gerenciar a organização no entorno do Distrito Federal; Gleyb Ferreira da Cruz, apontado como “laranja” do esquema; Lenine Araújo de Souza, contador do grupo e gerente do jogo do bicho comandado por Cachoeira; Cláudio Abreu, ex-diretor regional da Delta Centro-Oeste; e o empresário Jayme Eduardo Rincón.

E na quinta está marcado o depoimento do senador Demóstenes Torres.

Teremos uma cachoeira de silêncios ou uma cascata de revelações?Ainda a bola da vez Antes de depor na CPI Mista, Demóstenes Torres comparecerá ao Conselho de Ética do Senado para apresentar sua defesa no processo que sofre por quebra de decoro.

O senador tem dito nos bastidores que precisa convencer apenas mais 10 colegas sobre sua inocência.

Ele sabe que será condenado no Conselho, mas acredita que pode reverter a perda do mandato no voto em Plenário.

Como as testemunhas de defesa arroladas por Demóstenes não compareceram ao Conselho (o próprio Cachoeira e o advogado Ruy Cruvinel), o senador só conta com a própria argumentação para mudar o rumo de um processo que caminha inexoravelmente para o fim.

Gatilho vai disparar O arrefecimento nos índices da inflação, a estagnação na geração de emprego e a piora na perspectiva de crescimento do PIB em 2012 estão levando economistas e analistas a rever suas apostas.

A expectativa agora é que o Copom fará um corte mais profundo na taxa Selic nesta quarta-feira, 30.

Apesar de o Banco Central, na ata da última reunião, ter afirmado que os cortes se darão com parcimônia, o mercado já admite uma redução de até 0,75% nos juros, embora a maioria ainda crave 0,50%.

Parcimônia ou ousadia, certo mesmo é que os juros vão cair, acionando pela primeira vez o gatilho da mudança nas regras da caderneta de poupança.

Discussão sem fim A expectativa neste começo de semana no Congresso é com a feição definitiva do Código Florestal, depois dos 12 vetos e 32 modificações introduzidas pela presidente Dilma no texto aprovado na Câmara.

Parlamentares de diversos partidos se movimentam para serem indicados à comissão especial que analisará a medida provisória que promove 32 alterações na legislação ambiental, sendo que 14 retomam trechos do projeto aprovado pelo Senado, 13 são alterações ao texto final da Câmara e cinco artigos foram inseridos pelo próprio governo.

A MP a ser enviada pelo Executivo manterá acesa por mais quatro meses a polêmica em torno das regras ambientais brasileiras.

Haja fôlego para ambientalistas, ruralistas, governo e Congresso.

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Tá com essa bola toda? O ministro da Fazenda, Guido Mantega, deu prazo de um mês para que os bancos privados reduzam as taxas de juros.

Ele disse que vai cobrar fortemente dos que não estiverem diminuindo seus spreads, defendendo um corte de 30 a 40% nas taxas.

Só faltou o ministro adiantar o que fará caso os bancos desobedeçam à ordem.

Pista de mão dupla O Palácio do Planalto está vazando à imprensa que, depois de “assoprar” as montadoras com a concessão de incentivos e desonerações, agora irá “mordê-las”.

Assim como abriu uma frente de batalha contra os bancos e os spreads, a presidente Dilma estaria disposta a mexer nas margens de lucro das empresas.

A ordem é exigir reduções mais agressivas nos preços cobrados dos consumidores como contrapartida para o pacote de incentivos sob o argumento de que a margem de lucro do setor em solo brasileiro é uma das mais elevadas do mundo.

O clima ainda não é de guerra, mas se não houver resposta, o governo promete baixar a mão pesada sobre o setor.

A briga é boa e só quem tem a ganhar é o consumidor, obrigado a pagar de 10 a 20% mais do que o cobrado pelas montadoras em outros países da América do Sul.