Roberto comenta sobre caso Palocci e problemas do governo no Congresso

PTB Notícias 20/05/2011, 14:26


Leia abaixo comentários do Presidente Nacional do PTB, Roberto Jefferson, publicados em seu blog na internet (www.

blogdojefferson.

com) nesta sexta-feira (20/05/2011):PT paga a língua Se o caso da empresa Projeto, do ministro Antonio Palocci (Casa Civil), tivesse vindo à luz nos tempos em que o Partido dos Trabalhadores era oposição e não governo, seria um Deus nos acuda.

E seu agora ministro teria sido alcunhado no mínimo de corrupto, incluindo o ex-ministro Zé Dirceu, igualmente à frente, hoje, de uma empresa de consultoria.

Mas o PT que hoje choca a opinião pública é obrigado a reconhecer que seu ministro não é um bandido, mas um “player” peso-pesado no jogo de interesses da economia de mercado.

O PT está pagando a língua.

Ministro explica faturamentoDiz “O Estado de S.

Paulo” que o ministro da Casa Civil, Antonio Palocci, se antecipou enviando documento ao procurador-geral da República, Roberto Gurgel, no qual informa que sua empresa, a Projeto, prestou serviço pelo menos para 20 empresas (entre elas bancos, montadoras e indústrias).

Segundo Palocci, boa parte dos pagamentos foi concentrada entre novembro e dezembro de 2010, ocasião em que o ministro (já coordenador da campanha de Dilma Roussef à presidência) comunicou aos clientes que não mais atuaria no ramo de consultoria (como a maioria dos serviços já estava concluída, cerca de 70%, o pagamento foi concentrado neste período).

Dinheiro este que financiou a compra do apartamento de R$ 6,6 milhões num bairro nobre de São Paulo, cuja aquisição foi concluída em novembro.

Já a “Folha de S.

Paulo” diz que a Projeto faturou R$ 20 milhões em 2010, quando ele era deputado federal e atuou como principal coordenador da campanha de Dilma Rousseff à Presidência da República.

Aos poucos, com informações oficiais e extraoficiais, vai se montando o quebra-cabeças que envolve as contas da empresa do ministro.

Nota milSem subterfúgios, a operadora de planos de saúde Amil confirmou que contratou, sim, os serviços do então deputado e hoje ministro Antonio Palocci.

É assim que se faz.

Nota mil pra Amil.

Lenha na fogueiraA polêmica envolvendo o crescimento do patrimônio do ministro Antonio Palocci (Casa Civil) não está “sob controle”.

As revistas de fim de semana já estão no forno para mostrar que não é bem assim.

Semana quente pela frenteSeja qual for a orientação do Palácio do Planalto na votação do Código Florestal, a verdade é que o governo vai ter que suar na semana que vem.

A oposição promete entrar com requerimentos de convocação do ministro Palocci em diversas comissões, tem votação de MPs, promessa de instalação da CPI da Saúde, entre outras demandas.

As lideranças governistas terão que descansar neste fim de semana (se é que as revistas vão deixar), porque os próximos dias prometem mais emoções fortes.

Ainda mais porque a oposição iniciou nesta sexta a coleta de assinaturas para criar a CPI do Palocci.

Fogo amigo na FazendaOntem, os ministérios da Fazenda e da Justiça e a Polícia Federal divulgaram nota tentando desqualificar matéria do “Estadão” que afirmava que o Conselho de Atividades Financeiras (Coaf) teria detectado “movimentação financeira atípica” e “operação suspeita” da empresa Projeto, de Palocci (é praxe que os bancos comuniquem ao Coaf operações que fujam do padrão e este repasse a informação, por meio de ofício sigiloso, à PF e ao Ministério Público para que seja investigada).

Diz o jornal que a fonte ouvida deixou claro (em conversa gravada) “que a empresa investigada pela PF não era a de Palocci.

Mas também foi explícita ao dizer que a notificação do Coaf, feita há cerca de seis meses, envolvia movimentação financeira entre a Projeto e a empresa sob investigação.

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Quando a gente encontra essa ligação, a gente fornece a informação que a gente tem para a polícia”.

Creio que o ministro José Eduardo Cardoso (Justiça) atribuiu ao jornal até afirmações que a reportagem não fez no afã de tirar seu ministério da linha de fogo; a bola, porém, não saiu dos pés do ministro Guido Mantega (Fazenda), uma vez que a entrevista (em off) ao “O Estado de S.

Paulo” foi concedida por uma “fonte do primeiro escalão da equipe econômica”.

Pernambuco ganha 1º roundNão se sabe se foi a pressão do governador de Pernambuco, Eduardo Campos, cujo partido desde o final de semana vem fazendo críticas veladas ao governo (culminando com o programa de propaganda partidária do PSB, que manteve o tom crítico), mas a presidente Dilma acaba de sancionar a MP editada por Lula para atender ao aliado.

Sob o argumento de estabelecer incentivos fiscais para a indústria automotiva, a medida tinha como intenção ajudar o Estado de Pernambuco a convencer a Fiat a lá instalar uma nova fábrica.

A ajuda foi completa, já que Dilma vetou as emendas incluídas na MP pela Câmara, e defendidas pelo senador Aécio Neves, que estendia para algumas regiões de Minas os mesmos benefícios.

Dudu ganhou a queda de braço com o mineirinho.

Briga com cheiro de 2014.

Só o tempo diráAgora está explicado o motivo pelo qual o líder do governo, Candido Vaccarezza, e o do PT, Paulo Teixeira, não assinaram o acordo firmado na Câmara para votação do Código Florestal na próxima terça (24/5).

O Palácio do Planalto não chancelou o acordo, dizendo que não vai ceder à pressão dos ruralistas.

Fica a dúvida: ou o governo vai pro pau, “pra ganhar ou pra perder”, como diz o líder, ou tentará bloquear a votação, sacrificando as medidas provisórias próximas de perderem a validade.

Qual seria a motivação principal? Preocupação com o meio ambiente ou manter a invencibilidade da presidente no Congresso? O receio é de perder o controle sobre as florestas ou sobre a base aliada?Pau pra toda obraDepois de ser chamado para retomar obras paradas do PAC, agora o Exército vai atuar no combate ao desmatamento na Amazônia (desmatamento cresceu 27%).

Sarney falou e disseMuito bom o artigo do presidente do Senado, José Sarney, na “Folha” desta sexta, repudiando a distribuição do livro didático que defende como corretas frases erradas.

Destaco alguns trechos: “O Brasil resolve criminalizar quem fala corretamente e quer ensinar a que os outros também o façam.

Isto, dizem, é discriminação.

Ensinar não é discriminar, a função do professor é ensinar e corrigir.

Discriminar, dizem os dicionários, é ‘perceber diferenças’, ‘colocar à parte por algum critério’, ‘não se misturar’, ‘tratar mal ou de modo injusto’ etc.

e tal.

Ora, corrigir quem fala errado, chamar atenção para o erro nunca é discriminar.

Os teóricos da defesa do erro de gramática são os primeiros que deveriam aprender a aprender.

O dever do Ministério da Educação é defender a língua portuguesa, pois está na Constituição (art.

13) que o idioma oficial do Brasil é a língua portuguesa.

Se aceitássemos a licenciosidade linguística, o próprio Ministério da Educação perderia a sua razão de ser.

Quando agora se quer espaço na mídia, busca-se o absurdo.

Essa nova polêmica é o ‘febeapá’ da educação, ao pregar não ser necessário educar e, assim, oficializar a burrice.