Roberto Jefferson afirma que financiamento público é lesivo ao povo

PTB Notícias 5/04/2009, 12:39


Leia abaixo comentários do Presidente Nacional do PTB, Roberto Jefferson, publicados em seu blog na internet ( (http://www.

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com/) www.

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com) neste domingo (05/4):Ópera do malandro (1) A Operação Castelo de Areia ressuscitou no Congresso os debates sobre o financiamento público de campanha, um dos itens da reforma política que deve voltar à pauta.

A meu ver, o financiamento público é lesivo ao povo brasileiro.

Financiar campanhas é tirar o remédio do doente, é diminuir gastos com segurança pública, significa menos leitos hospitalares, mais dificuldades para aposentados e negligência com a educação pública.

Esta ópera que querem novamente encenar é um crime e uma malandragem.

A sociedade precisa se rebelar contra a medida.

Ópera do malandro (2)Alguns parlamentares argumentam que o financiamento público de campanha seria o melhor caminho para reduzir os riscos no relacionamento entre empresas e políticos nas doações para campanhas eleitorais.

Isso é papo furado.

Doações de empresas, desde que dentro da lei, são benéficas para a democracia.

E não há qualquer garantia de que se acabará com o caixa dois.

Como presidente de um partido político, poderia parecer um contra-senso não defender o financiamento público, já que os partidos teriam recursos garantidos para as eleições de acordo com seu tamanho congressual.

Mas sou totalmente contra porque estariam criando duas fontes de recursos: a pública e a do caixa dois.

E no final quem pagará a conta será o povo.

É ou não é uma ópera do malandro?Ópera do malandro (3)Minha posição é de que, além de lesivo ao cidadão, o financiamento público é também mais uma forma de controle do Estado sobre a atividade política.

Os que defendem a medida estão se esquecendo que passar para o Estado a responsabilidade pelo financiamento das campanhas é mais um passo para a total tribunalização das eleições.

O Ministério Público vai querer investigar cada santinho, camiseta, bottom ou carro de som viabilizado por recursos do Tesouro.

A judicialização cada vez maior da política não é saudável para a democracia.

Ópera do malandro (4)Apesar de achar que o tempo é muito curto para que sejam aprovadas modificações na legislação eleitoral ainda para 2010, venho defendendo que as doações de campanha deixem de ser destinadas aos candidatos, passando exclusivamente aos partidos.

Ou seja, não haveria doação para a pessoa física, apenas para a jurídica.

O partido se encarregaria de fazer a distribuição dos recursos, tornando as relações entre políticos e empresários mais respeitosas e impessoais.

Mas volto a dizer, em um ano com tantos feriados e com a base governista ainda desarticulada pelas recentes disputas no Congresso, dificilmente haverá consenso para aprovação tanto do financiamento público quanto das propostas de votos em lista, fidelidade partidária, cláusula de barreira, entre outras.