Roberto Jefferson analisa ‘novo tempo’ de manifestações pelo Brasil

PTB Notícias 18/06/2013, 13:07


Leia abaixo os comentários do líder petebista Roberto Jefferson, publicados nesta terça-feira (18/6/2013) em seu blog (www.

blogdojefferson.

com).

Novos tempos Na forma de arregimentação, os protestos nas capitais são um subproduto da tecnologia que, aos poucos, vai revelando as transformações que engendra – no social, financeiro, cultural, costumes.

Chegou a vez de mostrar como influencia nas relações políticas, e põe em xeque a democracia representativa, principalmente a última.

Novos tempos? Claro, afinal, assim caminha a Humanidade.

Instrumento de aglutinação, a Internet reafirma seu caráter libertário – e a juventude se esbalda.

Não fossem os aproveitadores, o quadro seria uma pintura irretocável.

O mistério da esfinge Na agenda de reivindicações dos protestos cabe um pouco de tudo – o aumento das passagens, a qualidade sofrível do ensino e da saúde, os gastos colossais com a Copa do Mundo, a corrupção etc.

E a perplexidade é geral, pois se a forma de protestar é a mesma (cartazes, passeatas, palavras de ordem), o mesmo não se pode dizer de quem comanda, organiza o movimento e como os participantes são convidados a participar; e cada um vai tentando decifrar o mistério da esfinge.

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Se antes se lutava pela Democracia (muitos países ainda lutam), hoje ela é colocada à prova.

A luta continua Em termos históricos, o século 21 começou com o ataque das torres gêmeas em Nova York; na economia, com a crise financeira, em 2008, quando os países ricos foram sugados por um mercado ganancioso e sem controle, que deu origem ao movimento Occupy Wall Street; e prosseguiu em 2010, quando os tunisianos iniciaram a onda revolucionária de manifestações e protestos, conhecida como Primavera Arabe, que de alguma maneira ecoa aqui agora.

Se os séculos avançam, os problemas persistem.

Em alguns casos, só muda a forma de enfrentá-los.

E se hoje a sociedade brasileira aplaude os que saem às ruas sem atrelamentos, não podemos esquecer que, historicamente, os movimentos anarquistas não sobrevivem, são efêmeros.

Desejo que os movimentos de hoje encontrem o caminho do diálogo e do entendimento.

Como uma onda.

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Pelo que se lê hoje no Facebook e no Twitter, novas manifestações já estão sendo programadas em diversas cidades.

Pode ser que entre amanhã e quinta-feira haja protestos unificados como os de ontem.

E não duvido que os 250 mil que estiveram nas manifestações de ontem se transformem em 500 mil amanhã.

Protestos de rua são como uma bola de neve, uma tsunami, onda da qual ninguém quer ficar de fora.

As forças de segurança das cidades que se preparem, pois vem mais por aí.

Repercussão global Jornais e agências de notícias do mundo inteiro repercutiram as manifestações de ontem no País.

O americano “New York Times” cravou: “Milhares se reúnem para protestos nas maiores cidades do Brasil”; no site do francês “Le Monde” – “Assista online as manifestações no Brasil”; já a rede de TV CNN: “A batalha das balas de borracha sobre os desperdícios do governo”; no espanhol “El País”, um dos mais influentes da Europa: “Descontentamento no Brasil provoca o protesto mais maciço em décadas”.

No inglês “The Guardian”: “Dezenas de milhares de pessoas se juntam em protestos por todo o Brasil”; no alemão “Die Welt”: “Oito centavos de dólar, e explode a ira no Brasil”.

E no japonês “Asahi Shimbun”: “100.

000 em uma demonstração contra a Copa no Rio, expandindo para todo o país”.

Críticas globais Impressionou ontem a virulência dos ataques, tanto daqueles que estavam nas ruas de diversas capitais como dos que se manifestavam nas redes sociais, contra a Rede Globo.

A emissora tentou, nos últimos dias – aliás, com o ufanismo de sempre em relaçao ao futebol -, provocar na população o velho clima de “Pra Frente Brasil”, agora motivado pela Copa das Confederações.

Não colou.

O brasileiro gosta muito de futebol, é verdade, mas não mais na forma de “ópio do povo”.

A Globo errou a mão, não percebeu que, com estádios bilionários, ingressos caros e obras que não saíram do papel, a população torceu o nariz para o evento.

E tome pau.

Plim-plim! Quem acompanhou as manifestações com um olho na TV e outro nas redes sociais, pôde atestar o tom das críticas.

No Twitter, por exemplo, os nomes dos apresentadores do Jornal Nacional – Patrícia Poeta e William Bonner – figuravam entre os dez mais comentados por milhões de usuários, sendo que a quase totalidade das postagens era negativa.

A cara fechada sem qualquer poesia de Patrícia e o tom constrangido de Bonner, ontem, evidenciavam o erro da estratégia.

Os manifestantes colocaram água no chope global.

Frase infeliz O presidente da Fifa, Joseph Blatter, leva hoje o troféu de frase mais infeliz da temporada.

Ele, que tentou pôr fim às vaias no Estádio Nacional de Brasília, o Mané Garrincha, dando um pito nos torcedores, saiu-se com esta na tentativa de confortar Dilma após os apupos: “[.

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] O futebol é mais forte que as insatisfações das pessoas.

Uma vez que a bola rolar, as pessoas vão entender e isso vai acabar”.

Cala a boca, Blatter!!!Força estranha Enigmática a atitude do governador do DF, Agnelo Queiroz, divulgando a toque de caixa fotos e informações sobre supostos líderes do protesto realizado na última sexta-feira em Brasília, em frente ao Estádio Mané Garrincha.

Mais bizarro ainda é o fato de que os cinco supostos líderes da manifestação, em que pneus foram queimados e uma das principais avenidas da Capital fechada, sejam funcionários da Presidência da República.

Para arrematar com chave de ouro a confusão, o secretário-geral da Presidência, Gilberto Carvalho, em audiência na manhã de hoje no Senado, desmentiu o governador (que pertence ao mesmo partido dele, o PT), afirmando que, dos cinco acusados, apenas um teria ido de fato à manifestação.

Esta história está mal explicada.