Roberto Jefferson comenta caso Battisti, pré-sal, eleições e economia

PTB Notícias 10/09/2009, 17:15


Leia abaixo comentários do Presidente Nacional do PTB, Roberto Jefferson, publicados em seu blog na internet ( (http://www.

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com) nesta quinta-feira (10/9):Para o futuro Na polêmica em torno de Battisti, o STF interrompeu o jogo com placar apertado.

Por 5 a 4, os ministros consideraram ilegal o refúgio dado por Tarso Genro.

Na extradição, o placar está em 4 a 3 para mandar Battisti embora, faltando dois votos.

Os tempos estão mudando, aqui e fora do Brasil.

O terrorismo, que tanto mata, já mudou nossa maneira de ver a motivação por trás de crimes cada vez mais hediondos.

O STF também está mudando, como demonstra o apertado placar e a longa discussão.

O tribunal está julgando para hoje e amanhã, não para ontem.

Arrivederci, Battisti!O Brasil caminha para deixar de ser o final feliz de fugitivos do mundo.

E o Supremo Tribunal Federal pode ainda deixar isto claro para os bandidos das mais variadas nacionalidades, usando o italiano Cesare Battisti como exemplo.

Acusado de homicídio, o italiano tenta se esconder atrás de discursos políticos que, em um mundo acuado pelo terrorismo, não pode sobreviver.

Além disso, Battisti só apelou ao ministro da Justiça, com seu pedido de refúgio, quando foi aqui encontrado (pois vivia clandestinamente em nossas praias) e se viu ameaçado de cumprir, finalmente, as penas pelos crimes que cometeu.

Tarso errou ao tentar proteger quem tirou a vida de outro, pois nada justifica o hediondo crime, e por pouco não coloca o presidente em uma saia justa.

Mas, para sorte de Lula, o STF caminha para decidir que o presidente é obrigado a cumprir a decisão da Corte.

Por sorte, restará a Lula e ao Brasil dizer “arrivederci, au revoir, tchau”!Vade retro!Quando virar o jogo na Venezuela, e com os amigos que tem no País, o tiranete Hugo Chávez deve querer se refugiar aqui.

Mas segundo o STF está deixando transparecer, estaremos vivendo outros tempos.

“Algo se move”Segundo a colunista Dora Kramer (Estadão), o governador de Minas, Aécio Neves, já não torce o nariz para uma chapa puro-sangue com José Serra, assim como admite que o candidato a presidente seja aquele que estiver melhor nas pesquisas e não por meio de prévias.

Mas não abre mão que sejam incluídos na seleção do presidenciável tucano pontos que ele considera ter a seu favor: baixa rejeição, capacidade de agregar e potencial de crescimento.

Torço para que os tucanos venham com uma chapa pura, que junte São Paulo e Minas.

Mas tem de vir com um programa claro de governo, explicitar o que se quer na educação, saúde, tecnologia, meio ambiente, infra-estrutura etc.

Tomara Deus que dê certo! Será um caminho que a maioria vai querer trilhar.

Ainda mais porque é inevitável: PT e PMDB vão formar uma aliança que vai dar o que falar.

Não tem o pré-sal? Então, será a chapa “pré-sacanagem”, com mais cara e cheiro de negócios suspeitos do que de acordo partidário.

Temer por cima.

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O recuo do presidente Lula na questão da urgência constitucional para os projetos do pré-sal fortaleceu ainda mais o cacife do presidente da Câmara, Michel Temer, para conquistar o posto de vice na chapa petista.

Temer emplacou mais uma vitória pessoal ao convencer Lula de que a urgência seria um tiro no pé, ainda mais porque a base aliada anda revoltada com o não cumprimento da promessa de liberação das emendas parlamentares.

O presidente foi inteligente e buscou acertar dois coelhos com apenas uma cajadada: de um lado amortece o discurso feroz da oposição sobre a pressa na discussão dos projetos; por outro, fortalece a liderança de Temer para cobrir os rombos na aliança entre PMDB e PT, ameaçada de ruptura.

Lula quer mostrar que ainda está no comando do xadrez sucessório.

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e Jobim por baixoEnquanto Temer vem conseguindo marcar pontos, outro peemedebista, por sinal rival do grupo do presidente da Câmara, está afundado em um oceano de problemas.

O ministro da Defesa, Nelson Jobim, que já havia desagradado algumas alas do PMDB tanto ao estimular, na Infraero, a demissão de afilhados de parlamentares como ao nomear seu assessor para a presidência da estatal dos aeroportos (em lugar do indicado por Temer), agora também tem a FAB e a Aeronáutica contra ele.

Assim como na questão do presidente da Infraero (quando descartou o candidato dos militares), Jobim se enrolou ao ignorar o estudo do Comando da Aeronáutica sobre a compra dos novos caças supersônicos franceses.

E para piorar ainda mais, o colunista Merval Pereira, em O Globo, revela um imbróglio que está na mesa do ministro envolvendo a troca de representante da Força na Agência Espacial Brasileira.

Jobim deve estar vivendo seu inferno astral.

Para inglês ver (1)O ministro Guido Mantega afirmou, em entrevista à BBC de Londres, que a crise financeira já ficou para trás, e que o Brasil se tornará, na próxima década, “a quinta ou a sexta economia do mundo”, com potencial de crescer de 5% a 6% ao ano.

O discurso de Mantega não deve ser levado a sério.

Como o Brasil pode almejar se tornar uma potência mundial se não consegue sair do topo do ranking dos piores países em entraves para a atividade empresarial-industrial? O governo mergulhou de vez na onda da propaganda enganosa.

Para inglês ver (2)No mesmo dia da entrevista de Mantega, o Banco Mundial (Bird) divulgou um relatório – “Doing Business” – que revela ser o Brasil o país em que os empresários trabalham por mais tempo para acertar suas contas com o fisco.

Segundo o Bird, o empresariado brasileiro trabalha 2.

600 horas a cada ano só para pagar impostos (pior resultado em 183 países), enquanto a média na América Latina é de 563,1 horas.

Não bastasse o problema da carga tributária, ainda há a questão dos entraves para abertura e fechamento de negócios.

Um cidadão que queira abrir uma empresa leva em média 120 dias, contra apenas 45,5 dias na América Latina.

E para fechar, o sofrimento e o tempo são ainda maiores.

Esse é o País que vai pra frente, ministro?