Roberto Jefferson comenta contradições de Lula e “cupinização da política”

PTB Notícias 31/07/2009, 15:33


Leia abaixo comentários do Presidente Nacional do PTB, Roberto Jefferson, publicados em seu blog na internet ( (http://www.

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com) nesta sexta-feira (31/07):Lula lava as mãos Depois de receber avaliação de que a crise no Senado já respingava em sua barba, Lula deu uma de Pilatos e decidiu lavar as mãos (ou melhor, a barba) em relação ao caso Sarney.

Pelo menos publicamente, o presidente dá mostras de que está colocando as barbas de molho para não desgastar sua popularidade, confirmando o que afirmamos aqui: Lula afaga e o PT apedreja.

Mas como tudo tem limite, resta a Sarney agora correr para salvar os anéis.

Que se feche a “destilaria de ódio” e se avive a alma da Casa que já foi de Ruy Barbosa e Joaquim Nabuco.

Cachaça ou cerveja?Cuidado, Lula, não exagera em achar que sua imensa popularidade é um salvo-conduto para brincar de mudar de opinião como quem muda de roupa, desdizendo em um dia o que você afirmava no anterior.

Você vai acabar tendo que, como o Obama, chamar um policial mal-encarado para tomar uma cachacinha no Palácio do Planalto.

Cupinização da políticaUm dos grandes males nacionais é a mania das pessoas misturarem política com negócios, pensando que obtendo um mandato ficarão ricas.

Quem quer ficar rico deve optar pela carreira empresarial.

A missão de um político é, a partir dos poderes concedidos pelo povo por meio do voto, elaborar leis e trabalhar pelo aperfeiçoamento da democracia e da justiça social.

Quem quer fazer da política a chave de seu cofre se torna um pragmático, alguém que dança apenas conforme a música e seu intérprete.

É uma praga que se alastra na política e que está cupinizando as instituições legislativas do País.

Usando bem a muniçãoA Ordem dos Advogados do Brasil deu a munição para o presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Gilmar Mendes, que não perdeu a chance de usá-la e atirar algumas verdades.

A OAB quer explicações do ministro da Justiça, Tarso Genro, sobre a declaração de que são os advogados que desrespeitam o segredo de Justiça dos inquéritos federais.

Mendes, por sua vez, não pode se manifestar sobre processo que deverá ainda julgar, mas aproveitou para lembrar o passado recente, quando a Polícia Federal ainda era de Paulo Lacerda.

O ministro afirmou que, naquele tempo, “havia uma decisão política de vazar” informações.

Mendes disse em voz alta o que todo mundo já sabia.

Erro no títuloA agenda do presidente do Supremo Tribunal Federal estava bem cheia e não se limitou à acertada constatação de que os vazamentos de dados e gravações sigilosas em operações da Polícia Federal eram (e são) estratégias políticas.

Mendes também participou de reuniões em São Paulo, como presidente do Conselho Nacional de Justiça, para discutir a radiografia do Judiciário paulista.

O Estadão, ao contrário da Folha, destacou o que o ministro falou sobre a reforma do Estado e sua defesa de um novo modelo institucional, com limites para as contratações de servidores comissionados.

As críticas aos vazamentos de gravações para a imprensa ficaram em um único parágrafo no fim da matéria, sem direito à menção no título.

No mínimo, uma escolha de pauta sintomática nos jornais de hoje.

Futuro tenebrosoInfelizmente, o senador José Sarney parece jogar a toalha diante da crise atual, concluindo que os direitos individuais e a privacidade estão condenados.

Na prática, o senador acabou concordando com o ministro da Justiça, Tarso Genro, que atirou recentemente a pérola de que o sigilo determinado por lei é mera formalidade.

A guerra é árdua e as batalhas estão sendo perdidas, mas o presidente do Senado não tem o direito de desistir.

Afinal, se é para desistir, não vale a pena continuar a presidir a Casa.