Roberto jefferson comenta declaração de Lula sobre “pizzaiolos” no Senado

PTB Notícias 16/07/2009, 13:25


Leia abaixo comentários do Presidente Nacional do PTB, Roberto Jefferson, publicados em seu blog na internet ( (http://www.

blogdojefferson.

com/) www.

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com) nesta quinta-feira (16/7):Lula comete ato falho Depois de jogar a Câmara no fundo do poço da opinião pública, Lula agora tenta fazer o mesmo com o Senado.

E chama os senadores de “pizzaiolos”, como se não fosse o próprio Lula o “pizzaiolo chefe” da próxima fornada.

Mas, pra mim, a declaração do presidente está mais para ato falho, produzido pelo seu desejo inconsciente de que José Sarney seja entregue às feras.

Ou uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa quando a PF de Tarso Genro indicia o filho de Sarney por crimes como formação de quadrilha e falsidade ideológica? Chegou a primavera.

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E a margarida que andava tão sumida, a Polícia Federal, apareceu no jardim da família Sarney (onde mais seria?!).

Ontem a PF interrogou, por seis horas, o filho de José Sarney, Fernando José Macieira Sarney, e o indiciou por lavagem de dinheiro, tráfico de influência e formação de quadrilha em um dos inquéritos da chamada Operação Boi Barrica.

O “boi” já era conhecido, tem mais de dois anos e nada menos que cinco bezerros: são cinco inquéritos nascidos da tentativa da PF de mapear as transações financeiras do filho do presidente do Senado às vésperas das eleições de 2006.

Com o requentado churrasco, a PF volta a conquistar as manchetes dos jornais.

Acorda, Sarney, nem o governo de FHC – quando a pré-candidatura de sua filha Roseana foi destroçada – ousou tanto contra você! Acorda, Sarney!Reviravolta na UNEO presidente Lula, acompanhado de sua candidata Dilma Rousseff, abre hoje o Congresso Nacional da União Nacional dos Estudantes (UNE), que se prolongará em discussões e debates até domingo, data em que será eleita a nova diretoria da entidade.

Um dos grandes momentos do Congresso promete ser a passeata que os “estudantes” irão realizar em Brasília “Em defesa do petróleo e da Petrobras”.

É justamente por ter se tornado um agrupamento de fantoches manipulados pelas mãos do governo petista que a UNE pode assistir a uma reviravolta histórica neste Congresso.

Há um forte movimento de representantes de todo o Brasil para destronar os “estudantes” ligados ao PCdoB, que há 30 anos dominam a entidade.

Seria a melhor forma de resgatar das sombras uma UNE que hoje vive de receber verbas milionárias do governo federal, de vender carteirinhas e de só promover manifestos a favor da admini$tração companheira.

Em defesa dos “companheiros”Deixo aqui uma sugestão aos “estudantes” da UNE que vão realizar a passeata em defesa da Petrobras.

Por que não aproveitar e defender o “companheiro” José Sarney, que vem sendo “injustiçado pela demoníaca oposição” e pela “poderosa e inescrupulosa mídia nacional”?O bezerro mais especialEntre os tantos inquéritos que nasceram da Boi Barrica, um deles investiga como a operação sigilosa foi tornada pública.

No meio da operação, Fernando Sarney teria descoberto que estava sendo investigado e tinha seus telefones grampeados, e chegou a conversar sobre isso com o pai, José Sarney, apesar de supostamente saber que o “Guardião” o escutava.

Mas também não houve sigilo nenhum cercando o depoimento e indiciamento de ontem, com direito a foto de Fernando chegando à PF no Estadão.

O bezerro é especial porque nada mais é do que o roto falando do esfarrapado.

Sarney é tudoOutro dos bezerros nascidos da Operação Boi Barrica envolve o ex-ministro de Minas e Energia, Silas Roundeau, afastado do cargo por causa de outra operação, a Navalha.

Na Boi Barrica Silas é apontado como integrante do que seria um esquema para favorecer empresas em contratos com estatais.

Se do filho do senador José Sarney sabemos tudo e temos até foto, de Silas não sabemos nem sequer se ele foi indiciado.

É como se só um nome tivesse importância hoje em dia.

MemóriaQuando do primeiro vazamento para a imprensa sobre a Boi Barrica, que envolveu a conversa, gravada pelo “Guardião”, entre José Sarney e seu filho, Fernando afirmou que a divulgação das informações ilegalmente vazadas para a imprensa tinha “interesses políticos”.

As informações mais uma vez vazaram e aparentemente os interesses não mudaram.

A lei da mordaça que valeA Folha de S.

Paulo conseguiu falar com o advogado de Fernando Sarney, Eduardo Ferrão.

Mas ele afirmou que não iria se manifestar sobre o depoimento e indiciamento de ontem porque houve, mais uma vez, vazamento de informações à imprensa.

Na prática, ele respeita uma lei da mordaça que, aparentemente, é válida sem que ninguém reclame.

O advogado explicou que quando do primeiro vazamento, que envolveu a conversa entre pai e filho que foi parar nas páginas dos jornais, ele deu entrevistas sobre o que estava acontecendo e por isso a representação apresentada em razão do primeiro vazamento não foi adiante.

De acordo com Ferrão, o argumento usado foi que ao dar entrevistas ele havia legitimado o vazamento.

Então, mordaça nos advogados, mas não nos vazadores de plantão.

Autonomia tem limite (1)Os brasileiros se perguntam: por que Lina Maria Vieira foi demitida da Receita? Por que ousou aplicar multa milionária ao paraíso dos sindicalistas, a Petrobras, ou devido à bilionária disputa no Supremo Tribunal Federal de empresas exportadoras sobre o direito de aproveitamento de crédito-prêmio do IPI? Ou as duas?Autonomia tem limite (2)Nos bastidores circula a versão de que tanta Lina quanto o ex-secretário Jorge Rachid teriam sido afastados devido aos interesses políticos por trás da demanda do IPI – os empresários estariam tentando obter um acordo com o governo para reconhecimento do crédito antes da decisão final do STF, com o que os dois ex-secretários não concordavam.

A contenda envolve bilhões – entre R$ 144 bilhões e R$ 288 bilhões – que as empresas teriam de pagar ao governo, caso a decisão do STF seja favorável à União (o julgamento foi interrompido quando o placar era favorável ao governo federal).

No início deste mês, o Senado aprovou o texto da Medida Provisória 460, que trata do programa “Minha Casa, Minha Vida”, com uma emenda que garante o direito das empresas de aproveitar créditos do IPI sobre as exportações de manufaturados até 2002 (o benefício foi concedido aos exportadores em 1969, mas a Receita defende a tese de que o fim do benefício ocorreu em 1983).

Segundo a imprensa noticiou na época, por trás da posição do governo estariam envolvidos interesses eleitorais.

A terceira razãoConta o Estadão que a demissão da ex-secretária da Receita Federal Lina Maria Vieira tem razões que vão além da autuação contra a Petrobras, que pegou o governo e o próprio ministro Guido Mantega de surpresa.

Levantamento feito pela ex-secretária mostra que a leoa não ficou paralisada sob seu mando, mas apenas mudou o foco – foram menos autuações contra pessoas físicas no primeiro semestre deste ano e bem mais autuações contra grandes empresas e bancos, entre elas Ford e Santander.

Mesmo com o estudo nas mãos, Lina caiu – não devia ter espaço para ela no governo.

O lado bom da quedaEnquanto fazia a Receita Federal ir atrás de grandes empresas, incluindo a Petrobras, a ex-secretária Lina Vieira aliava-se ao Ministério Público Federal para tentar mudar a legislação tributária e criminal.

Lina achava que deveria haver punições mais graves para sonegadores e com o apoio do MPF sonhava em acabar com a possibilidade de arquivar o processo criminal caso o sonegador quite seu débito com o fisco.

Infelizmente, a secretária caminhava contra a lógica do Direito, já que nesses casos pegar o bolso é o que mais dói no sonegador.

Melhor seria se lutasse para aumentar as multas.

Mas Lina também caminhava ao lado do aliado errado.

Caiu antes que pudesse colocar o País no caminho do atraso.