Roberto Jefferson comenta entrevista de José Eduardo Cardozo ao Estadão

PTB Notícias 21/05/2012, 16:52


Leia, abaixo, os comentários do Presidente Nacional do PTB, Roberto Jefferson, publicados nesta segunda-feira (21/05/2012) em seu blog (http://www.

blogdojefferson.

com)Golpe e contragolpe O ministro José Eduardo Cardozo deu entrevista tratando de diversos temas, entre eles o julgamento do mensalão, que continua sob ameaça de acontecer em plena agitação eleitoral.

Mas Cardozo (e, portanto, o governo) não se deu por rogado.

Assumiu que o julgamento pode prejudicar a campanha, especialmente do ungido de Lula, Fernando Haddad.

Mas avisou na mesma moeda: o prejuízo é o mesmo que a CPI do Cachoeira pode causar aos tucanos.

Ou seja, apesar da blindagem de todas as cores, esta pode ser quebrada, especialmente quando o governo tem a maioria.

O resto é lucro O ministro José Eduardo Cardozo descortinou, em sua entrevista (“Estadão”), a principal função da CPI de Cachoeira: servirá como contra-ataque a uma eventual campanha pouco nobre de José Serra.

O resto, como a desmoralização do procurador- geral da República, Roberto Gurgel, e sua mal-explicada gaveta, é apenas lucro.

No ponto Em um tema, pelo menos, Cardozo acertou em cheio: a liberdade de imprensa.

Questionado se é a favor do controle da imprensa, o ministro respondeu que “alguém que seja contra a liberdade da imprensa está na contramão da história.

O que hoje deve ser discutido é algo que cria normas disciplinadoras de direitos, tanto do ponto de vista de quem tem sua honra atingida quanto da própria segurança das empresas jornalísticas”.

De fato, precisamos de uma nova lei de imprensa, redigida sob os auspícios da democracia e que exista não para limitar a liberdade, mas para defender tanto o cidadão atingido pela imprensa como e especialmente a liberdade desta última.

O ministro finaliza o raciocino apontando que “não podemos ter medo desse debate”.

Realmente não podemos, mas o que nos causa medo é este debate ser realizado no tablado do PT, distante que anda do tablado da democracia.

Ministro bombril Na entrevista do ministro José Eduardo Cardozo teve de tudo.

Teve Comissão da Verdade, Mensalão, CPI do Cachoeira e liberdade de imprensa.

Mas, mais do que isso, teve um recado, claro e em alto e bom som, para a oposição e, principalmente, para o PSDB de José Serra.

Pau para toda obra do governo Dilma, cobrindo buracos onde o governo ainda é enfraquecido, Cardozo serve até como garoto de recados.

É o poder, estúpido! De todo interessante a matéria do “Estadão” sobre o embate que vemos hoje, na CPI de Cachoeira, entre os geralmente aliados Ministério Público e Polícia Federal.

O jornal foi atrás das causas dessa briga e descobriu que a PEC 37, projeto de emenda constitucional que tira do MPF os poderes de conduzir investigações e encher seus porões escuros, caminha em passo acelerado no Congresso.

Além da PEC há ainda ações no Supremo Tribunal Federal, a quem caberá também analisar a constitucionalidade deste plus de poder do Ministério Público.

Pelo visto ambos, MPF e PF, estão dispostos a enterrar o escândalo de Cachoeira, que pega de arapongas inveterados a políticos falso-moralistas, por uma briga de poder mesquinha na qual não cabe a interferência dos mesmos, mas apenas dos poderes democráticos – Judiciário e Legislativo.

Em tempo Agora faz bem mais sentido os vazamentos de informações de que o escândalo de Cachoeira, quase engavetado completamente pela Procuradoria Geral da República e investigado pela Polícia Federal sem respeito à competência e ao foro do Supremo Tribunal Federal.

Especialmente o vazamento, não comprovado, mostrado ou explicado, de que os grampos de Cachoeira teriam alguma presença de ministros do STF.

Tem cheiro de intimidação.

O jogo é sujo.

Vai ou não vai? A semana promete ser das mais movimentadas no Congresso.

Além da votação, nos Plenários da Câmara e Senado, de uma enxurrada de medidas provisórias e alguns projetos recheados de polêmicas, como as PECs do Trabalho Escravo e a da obrigatoriedade de diploma de jornalismo, há ainda a aguardada audiência com o ministro Guido Mantega para debater as mudanças na caderneta de poupança, e também a CPI com dois questionamentos: afinal Cachoeira irá ou não depor? Caso vá, vai falar ou permanecerá calado, como antecipa sua defesa? A semana será mesmo animada.

Depoimentos a rodo Não é só Carlinhos Cachoeira que promete movimentar os trabalhos da CPI Mista.

Estão agendados seis depoimentos de envolvidos no escândalo: José Olímpio de Queiroga Neto, empresário e assessor do contraventor; Gleyb Ferreira da Cruz, considerado seu braço direito nas operações com o jogo ilegal em Goiás; Wladimir Henrique Garcez, ex-vereador e ex-presidente da Câmara Municipal de Aparecida de Goiânia, acusado de fazer parte do grupo; Lenine Araújo de Souza, subordinado que era uma espécie de gerente operacional do grupo suspeito de explorar caça-níqueis; e os arapongas Idalberto Matias de Araújo, o Dadá, e Jairo Martins, o mesmo que foi o autor do vídeo que acabou dando origem à CPMI dos Correios.

Os depoimentos estão marcados para a próxima quinta-feira (24).

Fala ou não fala? Também está agendado para esta semana (quarta-feira) o depoimento de Carlinhos Cachoeira no Conselho de Ética do Senado, que julga o processo de Demóstenes Torres por quebra do decoro parlamentar.

Ao contrário da CPI, onde será ouvido como acusado de chefiar quadrilha que explorava jogos ilegais e de comandar uma rede de corrupção que envolveu agentes públicos e privados, no Conselho Cachoeira depõe como testemunha de defesa do senador.

Não há ainda indicação do advogado Marcio Thomaz Bastos, defensor de Cachoeira, sobre qual será a estratégia para este depoimento.

Mas ninguém espera que Cachoeira fique mudo em um colegiado e desate a falar no outro.

Trabalho escravo em pauta Marco Maia também se comprometeu com os líderes a colocar em votação, esta semana, o 2º turno da PEC do Trabalho Escravo (438/01), que prevê a expropriação de terras de quem permitir tal prática.

O principal entrave é a exigência, por parte da bancada ruralista, da edição de um projeto de lei, com apoio do Palácio do Planalto, que regulamente o que é trabalho escravo e o ritual jurídico correspondente no caso de confisco de propriedade.

Os ruralistas alegam que sem a definição clara de limites, fiscais ou promotores podem exorbitar de suas funções, interpretando a lei de maneira pessoal.

Faz sentido.

Nas mãos de Dilma A presidente Dilma decide esta semana a sorte do projeto do novo Código Florestal, aprovado no Congresso no fim de abril (o prazo final expira no dia 25).

Pressionada, a presidente ainda não deu pistas de qual será sua decisão, embora circulem notícias de que o projeto será sancionado com alguns cortes, principalmente nos artigos que tratam da recuperação das margens dos rios (há quem diga até que a presidente prepara medidas mais amplas, editando MPs e decretos com novas determinações, o que seria, com certeza, uma complicada operação política).

Certo mesmo é que muita gente vai chiar com a decisão de Dilma, seja ela qual for.

Sem surpresa O julgamento do pedido de indenização do cabo Anselmo (José Anselmo dos Santos), o mais famoso agente duplo brasileiro, amanhã, na Comissão de Anistia do Ministério da Justiça, não trará surpresa.

Seu pedido deverá ser negado (ele pede reintegração à Marinha como suboficial, além de aposentadoria e indenização como anistiado).

Acusado de ter denunciado duas centenas de militantes de esquerda às forças de repressão na ditadura militar, Anselmo delatou ao temido delegado paulista Sérgio Fleury até sua mulher, a paraguaia Soledad Barrett, morta em uma emboscada em 1973.

Hoje a “Folha de S.

Paulo” diz que documentos provam que ele já era agente duplo em 1964, desde o início do golpe militar, portanto, o que Anselmo nega, afirmando que só mudou de lado em 1971, após ser preso e torturado.

O processo será relatado pelo ex-ministro de Direitos Humanos do governo Lula Nilmário Miranda.