Roberto Jefferson comenta ofensiva do governo contra Vale do Rio Doce

PTB Notícias 15/10/2009, 13:13


Leia abaixo comentários do Presidente Nacional do PTB, Roberto Jefferson, publicados em seu blog na internet ( (http://www.

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com) nesta quinta-feira (15/10):Fome de poder O Globo de hoje revela que as relações entre Lula e o presidente da Vale, Roger Agnelli, estão rompidas, e que o governo acusa a empresa de vender riquezas sem pensar no país.

O que salta aos olhos é que o Palácio do Planalto, já pensando no futuro, se lança na tentativa de demonizar a direção da Vale para mudar sua direção, aparelhando a empresa como fez com a Petrobras.

Se Dilma perder, a companheirada estará no controle das duas maiores empresas do País, e poderá irrigar sindicatos e movimentos sociais para alavancar a campanha Lula 2014.

A vacina MeirellesUma outra leitura que se pode fazer da ofensiva do governo federal contra a direção da Vale é que o Palácio do Planalto, ao mesmo tempo em que injeta o veneno para abater Roger Agnelli, já prepara a vacina contra possíveis reações do mercado à sua tentativa de reestatizar a mineradora.

A vacina atenderia pelo nome de Henrique Meirelles, que viria a substituir o presidente da Câmara, Michel Temer, na vaga de vice da chapa de Dilma Rousseff.

Com isso o governo acalmaria o grande capital, que já não anda nem um pouco satisfeito com o apetite do governo sobre a Petrobras, principalmente o banco Bradesco, um dos principais acionistas da Vale.

De quebra, Lula mantém o PMDB na barca de Dilma, garantindo com isso o generoso tempo de TV necessário para tornar a ministra mais conhecida e palatável ao eleitor.

É tudo especulação, mas o barbudo não dá ponto sem nó.

O jogo esquenta.

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Uma outra teoria que favorece a escolhe de Henrique Meirelles para o posto de vice de Dilma é o fato de que os banqueiros e o empresariado não parecem animados com a sucessora escolhida por Lula nem pela opção Serra.

Dilma, com seu perfil estatizante e burocratizante, precisaria do peso empresarial de Meirelles para quebrar as resistências da Avenida Paulista.

Assim como Lula fez em 2002, ao assinar a Carta ao Povo Brasileiro no início da campanha eleitoral – o que acalmou os mercados em polvorosa -, Meirelles pode se transformar na nova Carta, versão 2010.

Meirelles se tornaria o contraponto de uma administração Dilma, já que a candidata de Lula está na esquerda da esquerda do PT.

O jogo está esquentando cada vez mais.

Miau.

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O que mais se fez na visita de Lula e companhia às obras de transposição do São Francisco foi posar para fotos, e que fotos.

Tinha lá o próprio Lula, sua candidata, a ministra Dilma Rousseff e o suposto presidenciável Ciro Gomes.

Aliás, a presença de Ciro lá foi uma bela jogada do presidente e da presidenciável: Lula se deu bem na foto quando adotou a persona “paz e amor”, já Dilma precisa logo seguir os mesmo passos, para se distanciar pelo menos um pouco da imagem de antipática que tem.

Noves fora zero, Ciro, defensor ferrenho das obras no São Francisco, foi lá para latir.

Por enquanto, ele posa de cachorro raivoso enquanto Dilma tenta aprender a miar.

O que seu mestre mandarA visita com eclética comitiva às obras do rio São Francisco teve, obviamente, o intuito de subir no palanque e fazer comício, como o próprio Lula acabou admitindo.

No meio do povo, como Lula gosta, Dilma muitas vezes acabou fazendo cenário para as fotos e, pelo Estadão, foi descrita como tímida demais para uma candidata.

Até chegou a tirar fotos e abraçar alguns eleitores, mas foram poucas.

Mesmo assim, o jornal parece não ter encontrado dificuldade para achar eleitores a bradarem que votam em quem Lula mandar, ou seja, atualmente em Dilma.

Era isso que Dilma e Lula queriam: mostrar que os 80% de aprovação do segundo valem alguma coisa para a primeira.

Ensinando a pescarJá sabemos: uma foto vale por mil palavras.

O mesmo se aplica, com exatidão, à foto que estampa o jornal O Estado de São Paulo hoje, na qual Dilma aparece em primeiro plano, sorriso no rosto e vara de pescar na mão durante a visita às obras do Rio São Francisco.

Mas o mais interessante é o segundo plano, que tem Lula também com sua vara de pescar, mas com o rosto sério, olhando para sua presidenciável para ver se ela está fazendo tudo como por ele ensinado.

Falou e disseDa jornalista Dora Kramer, em sua coluna nesta quinta-feira publicada no jornal Estado de S.

Paulo:”O que espanta já não é mais o que Lula faz.

O que assusta é o que deixam que ele faça.

E pelas piores razões: uns por oportunismo deslavado, outros por medo de um fantasma chamado popularidade, que assombra – mas, sobretudo, enfraquece – todo o País.

Fato é que os Poderes, os partidos, os políticos, as instituições, as entidades organizadas, a sociedade estão todos intimidados, de cócoras ante um mito que se alimenta exatamente da covardia alheia de apontar o que está errado.

Por receio de remar contra a corrente, mal percebendo que a corrente é formada justamente por força da intimidação geral, temor de ser enquadrado na categoria dos golpistas”.

Concordo em gênero, número e grau.