Roberto Jefferson comenta operação da PF e novo plano habitacional

PTB Notícias 26/03/2009, 15:50


Leia abaixo comentários do Presidente Nacional do PTB, Roberto Jefferson, publicados em seu blog na internet ( (http://www.

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com/) www.

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com) nesta quinta-feira (26/3):Sobre meninos e lobos Curioso: geralmente o PT nunca aparece na lista de partidos envolvidos em operações grandiosas da Polícia Federal.

Será que só o castelo deles não é de areia? Mas se aparecer nesta, como é que o ministro Tarso Genro vai se explicar com os companheiros? Antes, porém, ele terá de esclarecer a Lula como é que a PF deflagrou uma operação no mesmo dia em que o Planalto lança um megapacote habitacional com a intenção de construir um milhão de moradias para famílias com renda de até 10 mínimos.

Este Tarso Genro não acerta uma mesmo!Tática ultrapassadaA oposição não aprende.

Simplesmente acusar de eleitoreiro o programa habitacional lançado pelo governo federal é muito pouco, é nada.

A oposição tem é que correr atrás e abrir espaço para deixar sua marca.

Como cobrar a correta execução do programa, impedir que haja uso político, não deixar que oportunistas furem a fila na hora de receber o benefício, enfim, encampar a defesa do cidadão que sonha com sua casa própria.

Só gritar contra não ajuda a construir.

E ainda vira munição a ser usada no horário eleitoral.

Antecipação danosaSeguindo a lógica oposicionista de que qualquer programa é eleitoreiro, então se o governador José Serra lançar um que beneficie a população de São Paulo não poderá também ser chamado de eleitoreiro? Da mesma forma, qualquer outro governador que pense em sua reeleição ou em vôos mais altos? Este acaba sendo o maior prejuízo que pode haver com a precoce antecipação dos movimentos eleitorais: nada pode ser feito para melhorar a vida das pessoas por medo da severa – e ultrapassada! – Justiça Eleitoral.

A verdade é que o País não pode parar por conta dos períodos eleitorais, cada vez mais longos.

Ela voltou!Os sites de notícias foram dominados ontem por vazamentos de informações da Polícia Federal, que deixou o tráfico de drogas de lado – seu principal alvo ultimamente – e passou dez horas na construtora Camargo Corrêa cumprindo mandados de busca e apreensão, além de prisões.

A operação “Castelo de Areia” marca o início do ano da PF e, ao mesmo, tempo, sacode a pesada poeira deixada por sua última megaoperação.

Logo cedo, a Folha OnLine divulgava que “uma pessoa influente de São Paulo” estaria envolvida nos fatos investigados pela PF, que incluíam fraude em licitações, lavagem de dinheiro e doações a partidos políticos.

Em novo capítulo, a Folha de S.

Paulo de hoje conta que entre os nomes captados pelos grampos telefônicos está Paulo Skaf, presidente da Fiesp e eventual candidato ao governo de São Paulo em 2010.

De acordo com o relatório da PF, Skaf seria o intermediário entre a construtora e políticos beneficiados por suas doações.

Deste jeito, o show parece mesmo inevitável.

Por que esconder?Contam os jornais que a operação da Polícia Federal começou em janeiro de 2008 – há mais de um ano, portanto -, após denúncia anônima, que levou ao doleiro Kurt Paul Pickel.

Veja bem: uma denúncia anônima fez a PF realizar escutas telefônicas, ambientais e interceptar e-mails.

Mais uma vez, as investigações foram secretas e a Camargo Corrêa, entre outros, descobriu apenas ontem que estava sendo investigada.

Não que a Polícia não tenha que investigar, esta é sua função.

Mas seus métodos – com investigações secretas realizadas na vida alheia, feitas às escondidas como se fossem algo também ilegal – é que são questionáveis.

A invasão é assustadora e, mesmo assim, divulgada com pompa.

A PF de hoje, com todo o apoio do Ministério Público, espia os quartos alheios e investiga vidas esperando que, com sorte, encontre um crime, um pecado, uma falha.

Os métodos e as notícias continuam sendo a de um Estado ou, agora, de um castelo policialesco.

E se fosse você?Imagine se fosse você que tivesse todas as suas conversas monitoradas e gravadas durante todo um ano.

Dirá você que não é o caso de imaginar, que a corrupção são os outros que fazem.

Mas, quando a Polícia Federal e o Ministério Público optam por investigar vidas, e não crimes, quantas pessoas não foram gravadas em todos os momentos durante um, dois ou mais anos? O crime passou a ser o fim, e não a causa das investigações midiáticas que não nos abandonam.

E se ninguém sabe que está sendo investigado, como afirmar, com total certeza, que suas palavras não estão sendo, agora mesmo, gravadas?Entre trancos e barrancosA operação da PF aparece entre notícias não tão boas para a instituição.

A CPI dos Grampos parece feliz da vida com a prorrogação de seus trabalhos e não para de ouvir agentes da Abin que trabalharam, mais do que deviam, em assuntos da instituição.

Há também as brigas internas – além das já famosas entre as alas tucana e petista e a disputa entre delegados e agentes, surgiu esta semana uma nova picuinha: entre delegados e peritos.

Estes não querem ser subordinados àqueles, conforme previsto na nova Lei Orgânica da instituição que hoje é discutida pelo ministro Tarso Genro e o diretor-geral da PF, Luiz Fernando Corrêa.

Ou seja, é sintomático que o castelo seja de “areia”.