Roberto Jefferson comenta rebaixamento da classificação de risco dos EUA

PTB Notícias 6/08/2011, 13:13


Leia abaixo comentários do Presidente Nacional do PTB, Roberto Jefferson, publicados em seu blog na internet (www.

blogdojefferson.

com) neste sábado (06/08/2011):Águia ferida A decisão da agência de avaliação de risco Standard & Poor´s de rebaixar a nota dos papéis da dívida dos EUA, além do potencial de gerar imprevisíveis reações no mercado financeiro global, é na verdade um tiro certeiro na estima do povo americano.

Pior para Obama, que em plena marcha rumo à reeleição se vê às voltas com ambiente de pessimismo e desconfiança sobre a capacidade do governo de reverter a falta de perspectiva de crescimento.

Sorte dele que o Tea Party é visto com desconfiança.

O problema é que ainda falta muito chão até a eleição.

Não há outro porto seguroO efeito imediato do rebaixamento da classificação de risco dos papéis dos Estados Unidos pela Standard & Poor´s, além do forte movimento do mercado para se desfazer dos títulos do Tesouro norte-americano, é o fato do governo daquele país ter que pagar juros mais altos a partir de agora para financiar sua elevada dívida.

Uma conta preliminar feita por analistas econômicos projeta que os Estados Unidos terão que pagar cerca de US$ 100 bilhões por ano a mais em juros, e esse é um dinheiro que vai deixar de estar nas mãos do governo Obama para financiar os necessários programas de recuperação da economia, de geração de empregos, assim como para investimentos em infraestrutura, programas sociais etc.

Apesar de ser difícil prever qual será a reação do mercado a partir de segunda-feira, uma certeza leva algum alívio ao governo dos Estados Unidos: dificilmente haverá uma venda em massa dos títulos norte-americanos, já que no curto prazo não há um papel ou ativo no mundo financeiro que substitua a liquidez dos títulos da dívida americana.

Há muita especulação na praça, mas também não há outro porto seguro à vista para o qual o dinheiro possa migrar.

Nuvens carregadas à vistaO rebaixamento da nota de avaliação de risco dos papéis dos Estados Unidos é o resultado claro do processo tortuoso que levou à aprovação, nesta semana, no último momento possível, da autorização pelo Congresso americano para elevação do teto da dívida.

A renhida queda-de-braço entre democratas e republicanos, obrigando Obama a abandonar convicções e programas em prol do acordo final, provocou enorme desgaste na credibilidade do país, e expôs ao mundo um preocupante quadro de franca deterioração da situação fiscal dos Estados Unidos.

As turbulências atuais deixam claro que os Estados Unidos não conseguiram se refazer nem superaram as seqüelas da crise recessiva dos anos de 2008-2009, assim como a própria Europa.

As notícias diárias sobre a situação da economia global mostram que a crise é mais ampla e mais profunda do que se avalia, e já começa a ficar nítido que pode estar em curso um período de forte estagnação, do qual a economia mundial terá dificuldades de se livrar rapidamente.

Quem podia imaginar.

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A vida de Barack Obama está tão complicada que até mesmo uma das poucas boas notícias que ele podia dar nos últimos dias – o Departamento do Trabalho dos Estados Unidos divulgou nesta sexta números que mostraram ter havido em julho uma recuperação do nível de emprego acima da esperada – acabou ficando em segundo plano diante do rebaixamento da classificação de risco dos papéis do país.

É bem verdade que a criação de 117 mil vagas de trabalho em um mês em uma economia como a norte-americam, em outros tempos seria considerado um número perto do medíocre.

Em tempos bicudos como o atual, entretanto, a geração de emprego, mesmo que pequena, foi recebida com alívio e até discreta comemoração pela Casa Branca e também pelo mercado financeiro.

Diante das dificuldades de Obama para criar um plano de estímulo à economia depois do acordo da dívida dos EUA no Congresso, alguma coisa neste momento realmente é melhor que coisa alguma.

Dragão solta fumaçaNo Brasil, o IBGE apurou que a inflação continua sendo pressionada por alguns itens que verificaram alta de preços, como combustíveis e pagamento dos salários dos empregados domésticos, e com isso a inflação de 12 meses medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) atingiu o maior patamar desde 2005.

Em agosto do ano passado a inflação estava em queda e atingiu o acumulado de 4,49%.

Um ano depois, esse número chegou a 6,87% ao ano, o que mostra que o principal instrumento de política monetária do governo para combater a inflação – o aumento na taxa básica de juros – ainda não foi capaz de frear a alta de preços.

O dragão da inflação está vivo e continua cuspindo fogo.

Pau nele, Dilma! Chega de sangue!Demorou mas enfim o Conselho de Segurança da ONU resolveu assumir uma posição clara em relação as agressões contra a população civil autorizadas pelo regime do ditador Bashar Assad, na Síria.

O documento apresentado pelas Nações Unidas condena as violações aos direitos humanos e o uso da força empregados por Assad, e pede o fim imediato da violência e o cumprimento das obrigações do país perante as leis internacionais.

A decisão do Conselho de Segurança rompe o demorado silêncio das grandes potências mundiais em relação à situação da Síria, e se não causa efeitos imediatos para que cessem os desmandos contra a população daquele país, já levou o presidente al-Assad a anunciar a implementação de um decreto-lei que autoriza o multipartidarismo no país.

A comunidade internacional aguarda que a ONU e as potências mundiais se engajem, a partir de agora, na busca por soluções para acabar com o derramamento de sangue na Síria.