Roberto Jefferson comenta sobre as disputas à Prefeitura de São Paulo

PTB Notícias 26/03/2012, 12:35


Leia abaixo comentários do Presidente Nacional do PTB, Roberto Jefferson, publicados em seu blog ( (http://www.

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com) nesta segunda-feira (26/3/2012):Começa o jogo Em conversa com Eduardo Campos, o manda-chuva do PSB, Lula tenta tirar a candidatura de Fernando Haddad do limbo.

Se o partido não vier a compor a chapa petista, será impedido de marchar ao lado dos tucanos.

O que conta para o PSB – aliado do PSDB em SP e do PT em Brasília – não é apenas o apoio do petismo nas campanhas municipais, como a reeleição de Márcio Lacerda em BH, mas também o projeto nacional, que tem em Campos sua estrela maior.

Neste jogo de perde e ganha, empate agora é lucro.

Começam os arranjos que ajudarão a compor o cenário de 2014.

Bombeiro Será que Lula vai se deter na costura dos apoios à candidatura petista à Prefeitura de São Paulo ou sua saúde já lhe permite extrapolar, servindo de bombeiro na recomposição da base aliada?Semana de pouco Com a presidente Dilma na Índia e o Palácio do Planalto manobrando para esvaziar as sessões do Congresso – que tem na pauta a Lei Geral da Copa e o Código Florestal -, pouca coisa deve ser votada esta semana.

Na Câmara, nove medidas provisórias trancam a pauta do Plenário (e o clima está tão pesado que até nas MPs o governo teme ser derrotado).

No Senado, as principais matérias estão nas comissões, como o projeto que institui a previdência complementar para os servidores públicos da União e o que uniformiza as alíquotas do ICMS nas operações interestaduais com bens e mercadorias importados.

De resto, muito siso e pouco riso, até a presidente voltar.

Passou raspando Como era esperado, José Serra levou a candidatura à Prefeitura de São Paulo ontem, nas prévias realizadas pelo PSDB.

Como também era esperado, sua votação foi apertada, mas, na verdade, mais apertada até do que se esperava.

Ele obteve 52,1% dos votos, deixando com os outros dois pré-candidatos – José Aníbal e Ricardo Tripoli – os 48% restantes.

Divulgado o resultado, o PSDB assumiu um discurso de união, mas o aperto está aí para mostrar que o caminho para a prefeitura será turbulento.

Bonde andando No discurso de união do PSDB muitos vinculam a vitória apertada ao pouco tempo de campanha que Serra teve.

Enquanto ele entrou na briga interna a uma semana da prévia anteriormente marcada, os outros dois candidatos começaram sua movimentação já no ano passado.

Mas sendo Serra quem é, e tendo o histórico que tem, por trás do discurso há também a ideia de que a rejeição que o agora candidato exibe tenha contaminado o partido.

Nas pesquisas paulistas, apesar de Serra aparecer em primeiro, com 30% de intenções de voto, ele carrega o pesado fardo de 30% de rejeição.

Resposta pronta Parte da rejeição do eleitorado paulista pode ser resultante de sua renúncia em 2006, quando, depois de assumir em campanha o compromisso de não abandonar o cargo, deixou-o para disputar o governo.

No discurso da vitória, Serra ensaiou nova resposta, pois o menosprezo pelo documento assinado, chamado por Serra de “papelzinho”, não causou as melhores reações.

Agora, a nova resposta para sua renúncia – tecla já martelada pelo PT – será de que como governador também trabalhou pela cidade.

Por ser uma resposta menos arrogante, talvez consiga mais aceitação na cidade.

Todo cuidado é pouco Porém, o discurso do “papelzinho” não pode ser apagado e está aí para mostrar o quanto é fácil ao candidato tucano cair no mesmo discurso equivocado que lhe custou a presidência da República há pouco tempo.

Bife à cavalo O sonho do PT para se vingar do procurador-geral da República, Roberto Gurgel, depois que este pediu a condenação de quase todo mundo no processo do mensalão, chegou a cavalo.

O engavetamento das gravações do Guardião da Polícia Federal que trazem o senador Demóstenes Torres (DEM-GO) recebendo favores e vazando informações oficiais a Carlinhos Cachoeira, apontado como chefe da organização criminosa de jogos de azar, é tudo o que o PT precisava.

Telhado de vidro, todo mundo tem (1) A Procuradoria recebeu estas gravações em 2009, mas sua existência só foi vazada agora, com o estouro da Operação Monte Carlo.

São mais de dois anos de gaveta que o PT não está disposto a perdoar, pelo menos por enquanto.

O partido do mensalão ameaça representar contra Gurgel caso este não encaminhe ao STF pedido de investigação contra Demóstenes.

Telhado de vidro, todo mundo tem (2) Além da possibilidade de abrir processo no Conselho de Ética contra o senador, o encaminhamento de denúncia ao STF também serviria, de acordo com Walter Pinheiro, líder do PT no Senado, para esclarecer se a demora de Gurgel foi “coisa normal do processo ou prevaricação”.

A manter o discurso e transformá-lo em prática, Gurgel terá que enfrentar barulho com o qual não está acostumado.

Os ratos dos porões Porém, se Demóstenes estava na gaveta de Gurgel, é de se perguntar o que mais é ali guardado.

Mas é bem capaz que a gritaria do PT fique nisso, pois o partido ficará contente em alvejar o senador da oposição.

É uma pena que ninguém tenha coragem de exigir do Ministério Público a abertura completa de seus porões.

Com companheiros assim.

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Se o governo pretende voltar a controlar a própria base, precisa antes segurar o ímpeto de algumas de suas lideranças, como é o caso do líder do PT na Câmara, deputado Jilmar Tatto (SP).

Em meio às dificuldades recentes do Palácio do Planalto para impor a pauta de votações, na semana passada Tatto disparou a metralhadora contra ruralistas, evangélicos e quem mais estivesse na frente, aumentando o tom dos discursos na mesma proporção em que aumentavam as queixas dos aliados.

Com líderes como Tatto, será mais fácil tomar bolas nas costas do que marcar gols.

Pressão bilionária Esta semana saberemos se a Souza Cruz cumprirá a ameaça de entrar com ação na Justiça contra a Anvisa na tentativa de reverter a proibição do uso de cigarros com aditivos de sabor, como o mentol.

A indústria tabagista, vejam só, se considera prejudicada pela medida, por considerar que ela atinge outras categorias de cigarros, prejudicando a venda não só dos chamados mentolados.

Se de um lado a Souza Cruz ataca, de outro promete campanha em apoio ao governo federal na fixação do preço mínimo do cigarro.

A partir do dia 1º de maio, regulamentação federal determina que a venda de cigarros por menos de R$ 3 será considerada ilícita.

A companhia encampará, portanto, parte da briga que lhe é lucrativa, reagindo contra o que considera prejudicial.

Tudo, claro, visando apenas o resultado financeiro.

Já o consumidor, este que morra de câncer, enfizema, infarto (em 2010, seis milhões de pessoas morreram vítimas do tabagismo, sendo que 80% delas em países desenvolvidos).

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Haja fumaça! Falando em indústria tabagista, a quarta edição do Atlas do Tabaco, lançado pela Sociedade Americana do Câncer e pela Fundação Mundial do Pulmão, durante a 15ª Conferência Mundial Tabaco ou Saúde, em Cingapura, revela que as seis empresas líderes mundiais do setor lucraram US$ 35,1 bilhões em 2010.

Quem mais ganhou com a fumaça alheia foi a estatal chinesa de tabaco (US$ 16 bilhões) e a Philip Morris (US$ 7,5 bilhões), com lucros maiores do que os da Coca-Cola, Microsoft e McDonald’s juntos.

É incompreensível que tantos milhões morram para que alguns poucos possam viver como nababos.

O Brasil, um dos países que dá exemplo ao mundo na luta contra o cigarro, não pode recuar em suas políticas frente à pressão da indústria.