Roberto Jefferson comenta sobre Obama na ONU e crise com Honduras

PTB Notícias 24/09/2009, 12:15


Leia abaixo comentários do Presidente Nacional do PTB, Roberto Jefferson, publicados em seu blog na internet ( (http://www.

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com) nesta quinta-feira (24/9):Palavra, lugar, hora e tom certos Obama disse o que o mundo queria ouvir, e no palco certo, a ONU: “Nenhuma nação pode tratar de dominar a outra.

Nenhuma ordem mundial que ponha um país ou um grupo acima de outro pode perdurar.

A divisão entre Norte e Sul já não faz sentido”.

Ele rompeu com o unilateralismo belicoso de Bush, indicando que a diplomacia e a cooperação serão o foco de sua política externa.

Mas Obama foi além, acertou também no momento – quando a reestruturação da economia mundial ameaça a supremacia do dólar nas finanças e comércio internacionais.

É um craque.

Papel do Brasil precisa ser exemplarO presidente Lula acertou no seu discurso quando pediu que o Conselho de Segurança das Nações Unidas empreenda ações urgentes para ajudar a solucionar a crise em Honduras.

Mas se Lula quer colaboração, e de quebra convencer os países da ONU a conceder ao Brasil um assento permanente no Conselho – como acredito que queira -, não deve permitir que a Embaixada do Brasil seja utilizada como comitê político do presidente deposto Manuel Zelaya.

O hondurenho chegou a fazer um comício para mais de 300 seguidores que tomaram conta da embaixada no primeiro dia.

Quem mais seria?O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, apareceu novamente para se exibir: afirmou que não só “sabia de tudo” (a volta de Zelaya a Honduras) como também ajudou a despistar as autoridades sobre o paradeiro do colega.

Chávez contou que telefonou ao presidente deposto de um telefone grampeado (por quem?) para combinar um encontro em Nova York (Chávez estaria na Assembleia Geral das Nações Unidas), apesar de saber que o hondurenho voltaria clandestinamente ao seu país.

Completou a participação emprestando o avião para levar Zelaya a El Salvador, de onde o presidente deposto seguiu de carro a Honduras.

Toda a história de Chávez não impressiona, afinal, quem mais ajudaria aquele que queria dar um golpe na Constituição de seu país?Teorias conspiratóriasAs declarações de Hugo Chávez sobre o retorno de Manuel Zelaya têm um sabor antigo.

Afinal, o meio pelo qual resolveu exigir a parte da fama que lhe cabe neste quiproquó chega a ser digno de antigos romances sobre espionagem.

Chávez afirma que seus telefones estão sendo grampeados – para aumentar o sucesso – pelos EUA.

“Esperto”, enganou a todos mentindo sobre qual seria o verdadeiro destino de Zelaya.

De quebra, a história pitoresca de Chávez ajudou o presidente Lula e o Itamaraty, que ganham mais um argumento para negar participação na viagem de Zelaya e em sua escolha de se refugiar em nossa embaixada.

Que o Big Brother não é mera ficção nós sabemos, acostumados que estamos com o Guardião, mas Chávez faz dele uma piada paranóica.

Ciúme bolivarianoNão podia deixar de ter o dedo do venezuelano a operação que levou Manuel Zelaya de volta a Honduras.

Chávez parece ter arquitetado seu plano com o objetivo de envolver o presidente Lula na confusão.

Não duvido que o líder bolivariano morra de inveja daquele que a revista norte-americana Newsweek taxou como “o presidente mais popular do mundo”, e por isso queira sabotar a imagem do brasileiro no exterior.

Chávez pensa que é, mas no fundo sabe que nunca será, “o cara” na comunidade internacional; no máximo, será o “cara-de-pau”.