Roberto Jefferson comenta tentativa do governo argentino de cercear mídia

PTB Notícias 9/10/2009, 13:35


Leia abaixo comentários do Presidente Nacional do PTB, Roberto Jefferson, publicados em seu blog na internet ( (http://www.

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com) nesta sexta-feira (09/10):Os novos velhos truques A imprensa argentina está em polvorosa, e com razão.

O Senado deve votar a nova Lei de Mídia, pela qual a presidente Cristina Kirchner planeja cortar as asas dos canais de TV e rádio privados, abrindo espaço para pequenos grupos alinhados com o casal Kirchner.

Não bastasse isso, há um novo golpe contra a imprensa em gestação, por meio de velho truque: a intervenção na única fábrica de papel-jornal do país.

O Executivo planeja um meio de reduzir o valor da empresa para comprá-la ou desapropriá-la.

E tudo isso dentro daquela tal legalidade.

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Governo em silêncioJá o Itamaraty deve estar ocupado demais com a confusão da qual é protagonista em Honduras para dar atenção aos sonhos de poder do aliado casal Kirchner.

Afinal, não apareceu ninguém para criticar a violenta tentativa de calar a imprensa.

Aliás, violenta mesmo, pois conta o Estadão que o secretário de Comércio Interior da Argentina, Guillermo Moreno, que compareceu à reunião na qual o plano de desapropriar a única fábrica de papel-jornal do país foi lançado, não é flor que se cheire.

De acordo com o maquiavélico plano, se o preço das ações não baixarem o governo não irá titubear em baixar um decreto ou mesmo utilizar os sindicatos “mais agressivos” para pressionar a empresa.

Moreno foi contar seus planos aos demais donos da empresa crente de que sua fama lhe ajudaria.

De acordo com o Estadão, ele é conhecido por colocar seu revólver sobre a mesa durante reuniões com empresários, vem sendo acusado de manipular os índices de inflação oficiais e ameaçou com “rapazes, especialistas em quebrar colunas e arrancar olhos” aqueles que divulgassem o plano.

A história é pitoresca, para dizer o mínimo, mas ninguém explica porque tamanha violência só causa um ensurdecedor silêncio da parte de nossa chancelaria.

Será que sabemos?A deturpação da tal legalidade e do Estado para conseguir a permanência no poder – artifício no qual Hugo Chávez é o maior especialista – se espalha pela América Latina.

As ameaças à liberdade de imprensa, primeira a ser atacada, já pode ser chamada de pandemia, pois ataca todos, ou quase todos, os países americanos, inclusive o Brasil.

É de se perguntar quando o continente aprenderá a viver com liberdade e democracia.

Afinal, pelas notícias que pipocam dia sim outro também, é coisa que ainda não sabemos fazer.

Nunca antes no mundoMesmo perdendo de lavada a briga para sediar as Olimpíadas de 2016, os EUA têm muito do que se orgulhar por ter na presidência “o cara”.

Barack Obama é o vencedor do Prêmio Nobel da Paz de 2009 “por seus esforços extraordinários para fortalecer a diplomacia internacional e a cooperação entre os povos”.

Já durante as eleições Obama entrou para a história e, hoje, é exemplo para muitos.

Mal entrou na Casa Branca e abriu, na internet, um canal direto de comunicação com os eleitores, causando inveja em muitos presidentes.

Com menos de um ano de governo, seus esforços internacionais são reconhecidos por um dos prêmios mais respeitados do mundo.

Nunca antes alguém foi tão “o cara”.

Quem tem dó agora?O presidente Lula revelou ontem que sentiu dó do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, após a vitória do Rio de Janeiro para sediar os Jogos Olímpicos de 2016.

Eu fico imaginando o que o presidente deve estar sentindo agora com a eleição de Obama para o Prêmio Nobel da Paz.

Haja marqueteiro pra melhorar (1)Assisti no youtube ao vídeo em que a ministra Dilma Rousseff responde a perguntas dos jornalistas após fazer um balanço do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

O vídeo é apenas uma pequena parte do evento realizado em Brasília nesta quinta-feira, mas é muito significativo para mostrar quem é a candidata que Lula quer eleger para manter o PT no poder a partir de 2011.

A gravação tem apenas três minutos, mas a fala da ministra – monocórdica – é um bom sonífero.

O linguajar é técnico, frio.

Dilma parece mais estar proferindo palestra em um desses seminários do governo, aqueles chatos de doer em que todo mundo só fica olhando para o relógio esperando chegar a hora do coffee break.

Haja marqueteiro pra melhorar (2)A ministra mostra que tem idéia fixa na palavra PAC.

Ao ser questionada sobre a Copa do Mundo de 2014 e a Olimpíada de 2016 (eventos sobre os quais ela não havia falado em seu pronunciamento de mais de uma hora), Dilma afirma que pode fazer um PAC para a Olimpíada e um PAC para a Copa, sem, no entanto, explicar como seriam esses programas.

Fica aqui uma sugestão deste blog aos marqueteiros do Lula: quando chegar a hora de colocar a ministra nos palanques dos comícios eleitorais no ano que vem, melhor deixar ela falar antes do Lula.

Se ela for falar depois, vai provocar um anticlímax danado, e é capaz de o povo acabar indo embora antes que ela conclua sua fala.

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Por favor, mudem o disco!Guilherme Cassel é quase que um ilustre desconhecido na Esplanada dos Ministérios, mas desde que veio à tona a desastrada ação do MST em uma fazenda de São Paulo, tem sido chamado a dar diversas entrevistas.

Melhor teria feito se tivesse continuado desaparecido.

Quanto mais fala, mais o ministro mostra ser apenas um boneco de ventríloquo do Movimento dos Sem-Terra.

Hoje mesmo na Folha, o ministro afirma que “é contra a criminalização dos movimentos sociais que, mesmo sem personalidade jurídica, se organizam em defesa de seus objetivos”.

A companheirada (sem-terra incluídos) precisa urgentemente mudar o disco.

Estratégia surrada e sujaEm outra declaração, o ministro do Desenvolvimento Agrário reproduz fielmente a cartilha do governo de espalhar lama no ventilador para impedir investigações.

Cassel diz em dado momento de sua entrevista que, “se quiserem fazer uma CPI geral da agricultura, incluindo recursos para a CNA, tudo bem.

Mas uma CPI focada contra um movimento social, uma cooperativa, uma igreja, isso eu chamo de perseguição.

Não se deve focar um adversário, isso é perigoso, é perseguição”.

O seja, o recado está dado: se a oposição conseguir instalar a CPI do MST, os governistas vão com tudo pra cima da senadora Kátia Abreu.

Cassel será o pizzaiolo da vez.

Sigilo que dá medoPara fechar com chave de ouro sua entrevista, Guilherme Cassel afirma que “o governo não financia os movimentos sociais.

A história dos R$ 155 milhões de repasses que ele diz que foram para o MST é de um ridículo atroz”.

Ah, sim, se o governo não financia os movimentos sociais, como o MST, por que então a base aliada vem impedindo de todas as formas que a CPI das ONGs se reúna para avaliar a quebra de sigilo bancário das quatro entidades de fachada que abastecem os sem-terra com recursos públicos? O que tem ali naquela movimentação financeira que tanto assusta o governo?