Roberto Jefferson critica farra das tarifas praticadas por BB e Caixa

PTB Notícias 13/09/2009, 12:36


Leia abaixo os comentários do Presidente Nacional do PTB, Roberto Jefferson, publicados em seu blog na internet ( (http://www.

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com) neste domingo (13/9):A mágica dos juros Com o ciclo de corte da taxa básica de juros (Selic) pelo BC, a Caixa e o Banco do Brasil anunciaram – estimulados pelo presidente Lula – que também iriam reduzir os juros cobrados dos consumidores e das empresas, tornando o crédito mais acessível.

E assim fizeram.

Mas a Folha revela que os bancos oficiais na verdade fizeram uma simulação: reduziram os juros, mas aumentaram as tarifas.

A cultura dos lucros exorbitantes está entranhada na cultura bancária brasileira.

Nem o Cadastro Positivo resolve.

Só não precisava enganar a população.

Enganaram o LulaO presidente Lula trocou o presidente do Banco do Brasil para que a instituição desse o bom exemplo de baixar os juros seguindo a tendência de queda da Selic.

No começo, tudo pareceu funcionar; recentemente, o ministro Guido Mantega (Fazenda) comemorou os bons resultados do BB, atribuindo também a performance à redução dos juros, e desafiou os bancos privados a fazerem o mesmo se não “comeriam poeira”.

Agora, a verdade vem à tona.

O BB e a CEF ludibriaram não só seus correntistas, assim como o presidente Lula e o ministro da Fazenda.

A população espera que o presidente atue para que de fato os bancos oficiais deem o exemplo, puxando as taxas para baixo.

Vamos lá, presidente, faça valer as suas ordens!Caixa é recordistaA Caixa Econômica é a recordista entre os cinco maiores bancos do País – aumentou sua renda, por meio da elevação de tarifas, em 50,8% no primeiro semestre, em relação ao mesmo período de 2008.

No BB, o crescimento foi de 27,23%.

Se não é possível mesmo baixar as taxas de juros, como fomos induzidos a acreditar, imagine os spreads bancários.

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Não é tão simples quanto pareceEm entrevista à Folha, o historiador José Augusto Pádua afirma que, em caso de vitória nas eleições de 2010 à Presidência, a senadora Marina Silva não teria condições – por meio do PV apenas – de fazer com que o Brasil dê uma guinada na direção do desenvolvimento sustentável “sem agregar setores mais modernos e esclarecidos da política brasileira”.

Segundo ele, as alianças que Marina teria de fazer para governar – e implantar suas idéias – vão exigir uma “verdadeira mudança de cultura política e de visão de país”.

Pádua não descarta a vitória de Marina, tomando Fernando Collor como exemplo.

Faço algumas observações: 1.

Ninguém muda cultura política em tão curto espaço de tempo, só se for pela via do confronto.

Será que a senadora aceita ser nossa Joana D”Arc?2.

No caso de Collor, que foi eleito por um pequeno partido, o PRN, e deu inicío à modernização das bases da economia brasileira, deu no que deu – não teve como tocar sozinho o resto do governo.

3.

O desafio de Marina agora – e ele é notável, já que ela dispõe de 15 dias apenas – é organizar um grande Partido Verde, adensando as chapas de governador, senador e deputado federal.

Se não fizer, não terá estrutura política para governar.

Já pensou a Marina Silva tendo que explicar um pacto de governabilidade com Renan e Jucá?Tucanos abandonam préviasReconheço que os tucanos têm sido sensatos, dão sinais nítidos de que querem ganhar a disputa presidencial de 2010.

Minha convicção não tem como principal fundamento a decisão – acertada, diga-se – de não fazer prévias para a escolha do candidato do PSDB (Estadão), mas da postura política que os tucanos vêm apresentando, como não cair na cilada armada por Lula para carimbá-los como “entreguistas” na questão pelo pré-sal, assim como o arrefecimento do frenesi pró-CPIs, para ficar nos exemplos mais gritantes.

O marco regulatório de exploração da camada pré-sal ainda vai provocar muita polêmica no Congresso, mas creio que começou bem, de parte a parte.

A entrada de Marina Silva no jogo de 2010 também colaborou para que os partidos, de uma maneira geral, se contivessem e mergulhassem com mais profundidade na avaliação do quadro político-eleitoral que vai se configurando (até o presente não totalmente claro).

De parte a parteO acordo selado entre os governadores José Serra e Aécio Neves para abandonar as prévias que escolheriam o candidato tucano – os dois postulantes à vaga garantem que o perdedor vai apoiar o vencedor – é mais um elemento no quadro de entendimento que vem tomando corpo entre os sociaisdemocratas.

Serra pontifica nas intenções de voto à presidência, mas Aécio não está fora do jogo.

Abriu mão das prévias na hora certa, fortalecendo seu caráter conciliatório, embora tenha deixado claro que a escolha do candidato – que terá como um de seus principais critérios as pesquisas – leve em conta aspectos como o baixo nível de rejeição, a capacidade de aglutinação e o potencial de crescimento, que ele considera seus pontos fortes.

Por seu turno, Serra também cedeu: já admite que o anúncio do nome do candidato seja feito “na virada do ano” (antes, defendia que a definição fosse feita só em fevereiro ou março de 2010).

Desafios futurosSerra e Aécio mostram que, se as condições políticas exigirem (do que não há indícios até aqui), estão maduros até para o desafio de compor uma chapa puro-sangue (o que, a meu ver, a opinião pública veria como uma composição limpa, não como um acordão pragmático baseado no toma lá dá cá do PT-PMDB).

O que não pode é abrir mão da união (sólida) dos colégios eleitorais de São Paulo e Minas.

O resto se conversa.