Roberto Jefferson dá entrevista à Record News

PTB Notícias 8/11/2007, 16:34


O presidente nacional do PTB, Roberto Jefferson, deu uma entrevista exclusiva ao programa Brasília ao Vivo, da Record News, na noite nesta quarta-feira (07/11).

O assunto principal da entrevista, comandada pela jornalista Christina Lemos, estava o mensalão e a denúncia feita pelo petebista, que teve seu mandato cassado por conta do episódio.

Roberto Jefferson afirmou para a jornalista que valeu a pena denunciar o mensalão para a sociedade brasileira, para que o povo tenha a dimensão da maneira pela qual o PT faz política.

e de como o governo Lula se relacionava com sua base congressual.

“Eu não sei se o governo fez uma pré-olímpica ou um pré-pan de corrupção, mas eu aposto que ele é medalha de ouro na corrupção, comparado a todos os outros governos que o antecederam no Brasil.

Ele é, olímpicamente, o campeão da corrupção no Brasil”, afirmou, enfaticamente, o presidente petebista.

Perguntado sobre as provas do mensalão, Roberto Jefferson diz que acredita que tudo foi provado, pois a denúncia fez com que o STF acusasse três ministros de Estado, um chefe da Casa Civil, vários diretores do Banco do Brasil, o líder do Governo na Câmara á época e presidentes da base aliada, além de líderes da base aliada.

“Todos estavam envolvidos.

Só o Lula não viu, não ouviu e não fala.

Prova tem, tanto que a denúncia foi recebida pelo STF por unanimidade.

O Collor foi cassado por, supostamente, receber uma fiat Elba.

E olha o volume de dinheiro que o PT operou à época! Se isso fosse com o Collor, ele teria sido linchado em praça pública.

Se o PSDB tivesse peito e soubesse fazer oposição – como o PT fez ao Fernando Henrique – ele já tinha derrubado o Lula”, respondeu.

E completou: “Eles perderam a eleição e pagaram o preço de não saber fazer oposição.

E se embarcarem na canoa da CPMF, vão perder a próxima eleição para o candidato que o Lula indicar, no PT ou na base aliada”.

Para Jefferson, o mensalão não existe mais.

“Isso foi nitidamente coisa do José Dirceu.

Ele conspurcou a ante-sala do altar, a sacristia.

Mas a Dilma Russef devolveu a dignidade à Casa Civil.

Pra mim, a grande responsável pelo atual sucesso do Lula e pela limpeza do governo Lula é a ministra Dilma.

Ela é uma grande executiva e uma mulher honrada.

Aquelas conversinhas de mensalão, de toma-lá-dá-cá que existiam com o José Dirceu, não existem com a Dilma Russef.

Com ela é o seguinte: Brasil pra frente, vamos crescer.

Essa é a cabeça e a conduta dela.

Tem uma maestrina hoje, com toda a dignidade, tocando o governo”, afirmou.

Roberto Jefferson afirmou ainda que faria tudo novamente, pois saiu do episódio maior do que entrou.

“Eu entrei nessa como um anãozinho que teria escalado um funcionário de 5ª categoria dos Correios para pedir três mil reais pra mim.

O cara foi lá, pediu três mil reais, disse que era para mim e virou verdade nacional.

Eu percebi nitidamente a mão do governo e avisei ao José Dirceu e ao Chinaglia: ou vocês arrumam isso ou eu vou enfrentar vocês.

Eu não ia morrer de joelhos como um vagabundo.

Eu reaji.

Fui lá e contei ao Brasil o que eu sabia a respeito do governo Lula com sua base de deputados na Câmara dos Deputados”, disse o petebista.

Sobre a dúvida da veracidade das afirmações do presidente Lula de que ele desconhecia o mensalão, Roberto Jefferson disse que acredita em suas palavras: “Eu achava que o Lula era igual a um menino de 18 anos que passou no vestibular, ganhou um Gol 1000 do pai e foi passear por aí.

Ele ganhou a eleição, ganhou um aviãozinho e saiu pelo mundo.

E o governo ficou na mão do José Dirceu, que errou.

Eu tô muito velho pra ser surpreendido e o presidente Lula não é um artista.

Os olhos dele ficaram cheios de lágrima no momento em que contei a ele sobre o mensalão.

Ele disse, em cadeia nacional de televisão, olhando nos olhos do povo brasileiro: eu fui traído.

Alguma coisa ele quis dizer com isso.

Hoje não é assim.

Hoje ele sabe e dizer que não sabe é um absurdo”.

Christina Lemos perguntou também a Jefferson se não é uma incoerência o fato da bancada petebista no Congresso ser governista, tendo como presidente do partido o responsável pela denúncia do mensalão.

Roberto concordou e afirmou que a bancada é governista em sua maioria, mas não em sua totalidade: “Eu tenho quatro deputados e um senador votando contra o governo.

Isso vai ficar mais claro a partir do ano que vem, com as eleições municipais.

Eu já estive ao lado do PT e sei como é isso, eles fazem a política de esmagamento.

Todos os deputados e senadores estão lá, esperando transferir alguma coisa para suas bases.

Mas vão sofrer um revés.

Aí, a partir de 2008, eu vou compor um partido bem unificado, pronto para enfrentar o PT na sucessão presidencial.

O meu projeto é de longo prazo, não é de curto prazo”.

Para o presidente, o mais importante agora não é enfrentar a bancada, pois isso criaria uma infelicidade e estremeceria sua autoridade como presidente do partido.

“Mas eu aposto no tempo.

O meu momento é a partir das eleições municipais, no próximo ano”, enfatizou.

Para assistir a entrevista na íntegra, basta acessar a página da Record News ou (http://www.

mundorecordnews.

com.

br/record.

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