Roberto Jefferson elogia parceria do governo com TCU para fiscalizar obras

PTB Notícias 26/04/2011, 16:41


Leia abaixo comentários do Presidente Nacional do PTB, Roberto Jefferson, publicados em seu blog na internet (www.

blogdojefferson.

com) nesta terça-feira (26/04/2011):Plano B Lula passou anos batendo de frente com o TCU quando o tema era fiscalização/paralisação de obras públicas.

Em tempos de Copa-2014 em marcha lenta, o TCU tem tudo e mais um pouco para voltar aos jornais.

Mas Dilma resolveu inovar e atrair o tribunal para uma conversa amistosa.

O plano, agora, é chamá-lo para mais perto, negociando parcerias para que seus técnicos treinem funcionários que trabalham nas obras de expansão dos aeroportos.

A mudança, radical, no discurso do governo perante o TCU é mais uma mostra de que Dilma, realmente, não é Lula.

O que se diz sobre inimigosApesar do tom sentimental que Lula usava contra o TCU, dizendo que este, com a paralisação de obras irregulares, atrasava o Brasil e dava mais prejuízo do que economia, o discurso presidencial tinha também outros objetivos.

Afinal, notícias de irregularidades em obras do governo, principalmente do PAC, sempre ganhavam manchetes e perdiam na opinião pública e publicada.

Com a mudança do tom, Dilma vai além.

Se der certo, impedirá, ou pelo menos diminuirá a repercussão das tão infelizes notícias.

Ela sabe o que Lula parece ter esquecido: manter os amigos próximos e os inimigos mais próximos ainda.

Longe do céu de brigadeiroMas o TCU não está assim tão animado com a mudança no discurso presidencial, que deixa de tratá-lo como o inimigo número um do desenvolvimento e da Copa.

Cerca de metade do tribunal vê com ressalvas esta aproximação tão grande com o governo que tem que fiscalizar, já imaginando no futuro as dificuldades que novas punições encontrariam (“Folha de S.

Paulo”).

Mas, se o plano A não tem funcionado, pois o discurso de Lula tem, sim, seus adeptos, o plano B parece uma boa opção para evitar, com o mínimo de prejuízo, que passemos o vexame de perder, nos 45 min do segundo tempo, a Copa do Mundo.

Dois coelhos, uma.

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Muito se fala que a decisão da presidente Dilma de subordinar o Conselho Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social da Presidência (o “Conselhão”) ao comando do ministro da Secretaria de Assuntos Estratégicos, Moreira Franco, foi para agradar ao PMDB, aplacando as insatisfações do partido com a demora em nomeações para cargos do 2º e 3º escalões.

Outra corrente, entretanto, afirma que a mudança vai além: pretende “matar dois coelhos com uma só cajadada”.

Aplacaria as queixas do PMDB, sim, mas faria também com que o ministro Moreira Franco desistisse de enquadrar pesquisadores do Ipea, que têm produzido estudos constrangedores para o governo, como o que, recentemente, apresentou diagnóstico preocupante sobre as obras da Copa e das Olimpíadas.

A missão de Moreira será muito mais de segurar o fogo amigo do Ipea do que obter dividendos políticos com o Conselhão, incluindo a permanência do economista Marcos Pochmann à frente do órgão.

Aniversário das diferençasO acidente nuclear de Chernobyl, na Ucrânia, completa 25 anos hoje, quando o mundo ainda olha assustado para Fukushima no Japão.

Assim como a usina russa há um quarto de século, também Fukushima hoje servirá para colocar em discussão a segurança e o uso da energia nuclear.

Mas a “Folha”, em seu editorial, está certa ao afirmar que há mais diferenças do que semelhanças entre os dois acidentes.

Mais de mês já se passou desde o terremoto no Japão e as proporções do acidente são bem menores, a provar que aprendemos algo nestes 25 anos.

Espera-se, apenas, que o governo japonês continue garantindo isso.

Vale a brigaFrente formada por representantes do Procon, Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), Proteste Associação de Consumidores e Federação Nacional dos Engenheiros (FNE) encaminhou ao ministro Antonio Palocci (Casa Civil) pedido de providências com relação à devolução dos R$ 7 bilhões cobrados indevidamente nas contas de energia elétrica.

Para quem não lembra, o erro na metodologia do reajuste foi constatado pelo TCU, reconhecido pela CPI das Tarifas de Energia Elétrica, da Câmara, e pela própria Aneel, que alterou a metodologia em 2009, após a solicitação do TCU e intensa pressão dos órgãos de defesa do consumidor.

O problema é que a própria Aneel se desobrigou da tarefa de brigar pela devolução/compensação dos valores aos consumidores, e lavou as mãos, defendendo que cobrar o reembolso configuraria quebra de contrato com as distribuidoras.

Diante da inépcia da agência reguladora, é importante para o consumidor a iniciativa da frente, que tenta defender o interesse de milhões de brasileiros, e não apenas de uns poucos beneficiados com a exploração da energia no País.

Muito dinheiro por nada.

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O mês já está acabando e, como previmos, o tal “abril vermelho” do Movimento dos Sem-Terra ficou mais para “cor-de-rosa”.

Minguado, o movimento pouco fez.

A diminuição na capacidade de mobilização do grupo é atestada pela Comissão Pastoral da Terra, que, em relatório, revela ter o movimento perdido mais de 300 mil seguidores nos últimos oito anos.

Mas mesmo sem sua habitual massa de manobra, o MST continua sendo um fenômeno, já que enquanto encolhe a olhos vistos, as verbas oficiais recebidas aumentam em progressão aritmética.

No mesmo período, os dirigentes dos sem-terra receberam cerca de R$ 178 milhões por meio de ONGs.

Sorte do MST que o governo não repassa verbas com base no cálculo do número de pessoas que colocam o boné vermelho e participam de invasões Brasil afora.

E azar o nosso, que pagamos a conta.

Sempre ela (a infraestrutura)Abaixo, trecho de editorial de “O Globo”, com o qual concordo em gênero, número e grau.

“Nos dois mandatos de Lula, sobraram nomeações e faltou apetite político para investir em infraestrutura e na modernização da malha aeroportuária.

O país não cabe mais na atual infraestrutura.

Novos hábitos de consumo e mercado em expansão convivem com uma rede de estradas, aeroportos, etc.

de um tempo em que o Brasil apenas almejava chegar aonde efetivamente chegou.

Os constantes gargalos no trânsito e os repetidos apagões no sistema de transporte aéreo são inquietante e repetitiva prova disso.

O caos deste fim de semana, que transformou em pesadelo a viagem de lazer de milhares de pessoas, deve ser analisado com seriedade.

Tanto quanto devolver em forma de serviços eficientes aos cidadãos o que lhes toma pela malha tributária, o poder público precisa acordar para um futuro imediato que bate às portas do país – os dois grandes eventos esportivos de 2014 e 2016, de cujo sucesso os transportes são um dos pilares.