Roberto Jefferson esclarece participação do PTB na gestão Carlos Wilson

PTB Notícias 11/04/2007, 12:31


Leia abaixo comentário do presidente nacional do PTB, Roberto Jefferson, esclarecendo informações veiculadas na imprensa nacional sobre a participação do PTB na administração da Infraero, quando a empresa era administrada pelo presidente Carlos Wilson.

O presidente do PTB lembra que entregou os cargos do partido ao governo, e pediu a desfiliação de Carlos Wilson do partido, já que a sua ação à frente da Infraero estava causando insatisfação no PTB.

Base de aluguelTranscrevo, abaixo, discurso feito por mim na Câmara em junho de 2003 por meio do qual entrego a Infraero e peço que seu presidente, Carlos Wilson, deixe o PTB.

A rede de troca de cargos em apoio ao governo do PT teve início no 2º turno de 2002; depois, já governo, os acordos eram costurados no Gabinete Civil, por Zé Dirceu e Sílvio Pereira.

Na primeira fase, vivi um inferno de pressões, rompi, mas depois não segurei o partido.

A guerra travada hoje pelos partidos para nomear os seus nas estatais mostra que o modelo persiste.

ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ.

Pela ordem.

Sem revisão do orador.

) – Quero dar uma explicação a V.

Exa.

, Sr.

Presidente da Câmara dos Deputados, aos Srs.

Líderes de partido e às Sras e Srs.

Deputados.

No início deste ano, quando da formação da equipe do Presidente Lula, o Governo propôs ao PTB a nomeação do ex-Senador Carlos Wilson, do PTB, para a Presidência da BR PETROBRAS Distribuidora S.

A.

A proposta do Governo era a seguinte: nomeamos Carlos Wilson pelo Governo com a chancela do PTB.

Demos a chancela; e o ex-Senador Carlos Wilson vivia na Liderança do partido, na casa do Presidente do PTB, Deputado José Carlos Martinez, em todas as reuniões do partido, sempre com os Deputados: “Eu vou ser o Presidente da BR.

Lá você pode contar comigo”.

Aquela coisa da expectativa do poder.

O Governo, apesar de indicá-lo, exigia que ele tivesse a chancela da executiva e da bancada do PTB.

Depois o Governo trocou para a INFRAERO.

Disse ao PTB que colocaria o Senador derrotado na eleição na presidência da INFRAERO e perguntou se manteríamos a chancela.

Respondemos que sim.

Nos processos de ocupação de cargo, o Sr.

Carlos Wilson prometeu a pelo menos uma dezena de Deputados do partido alguns cargos nacionais da empresa.

Empossado no cargo, sumiu.

Nunca mais voltou à Liderança, nem participou de reunião do partido, nem visitou a casa do Presidente do PTB, nem respondeu às ligações telefônicas.

Isso agravou as tensões na bancada, porque ele prometeu fazer a muitos e não o fez.

Eu e o Presidente do partido temos de ouvir, em todas as reuniões, que o PT ocupou 75% dos cargos, que o PTB não assumiu nenhuma vaga e que há necessidade de votar a questão.

Repito, o Sr.

Carlos Wilson prometeu vagas nacionais aos Parlamentares do partido.

Fizemos muitas reuniões com ele, mas S.

Sa.

não atendeu ninguém.

A situação se agravou ainda mais quando o PTB recebeu 5 Deputados exponenciais do Estado de Pernambuco, sem a participação do ex-Senador Carlos Wilson.

S.

Sa.

não trabalhou para aumentar o número de Parlamentares estaduais e de Vereadores no partido, mas foi à imprensa atacar os 5 Deputados Federais que se mudaram para o PTB.

Disse que não apoiaria o candidato do partido à Prefeitura de Recife e votaria no candidato do PT.

Tudo bem.

Mas tais fatos geraram crise interna na bancada.

Procuramos o Governo – e quero que V.

Exa.

ouça isto, Sr.

Presidente – e dissemos que não queríamos mais a presidência da INFRAERO; que não havíamos nomeado o ex-Senador Carlos Wilson para o cargo, e, sim, o Governo; que o partido chancelou a ação; e que desejaríamos retirar a chancela e devolvê-la ao Governo junto com a INFRAERO e com o Sr.

Carlos Wilson.

Só que nos últimos dias ele tem veiculado, sistematicamente, pela imprensa e em toda a mídia – nesse fim de semana no Jornal do Brasil, no O Globo, no O Dia, na Folha de S.

Paulo, nas revistas Veja e ISTOÉ – uma informação que não é verdadeira: que o PTB está tentando substituí-lo na INFRAERO, numa jogada fisiológica, porque ele não atendeu às demandas da bancada.

Não é verdade.

O Governo é testemunha disso.

O PTB jamais pediu sua exoneração da INFRAERO.

Pelo contrário, pedimos à Casa Civil que o levasse do PTB há uns 15 dias, para que não houvesse o que foi feito hoje numa reunião da Comissão Executiva Nacional: um pedido formal para que se desfilie do PTB.

O problema da INFRAERO e dele é do Governo, não é nosso.

Não queremos manter a chancela no seu nome nem ele filiado aos quadros do Partido Trabalhista Brasileiro.

Levamos 4 anos lutando para apagar a pecha de fisiológicos.

E ele, com habilidade, no momento em que se viu nesse estado de pressão, quis dizer que estava escolhendo nomeações técnicas, quando o partido queria fazer nomeações políticas.

Tenho também muita antipatia a esse tipo de nomeação política, porque normalmente o político não é apto administrador de empresa pública, vai para malversar, para ser incompetente, muitas vezes.

Até o ex-Senador Carlos Wilson ressalva a posição, porque é um excelente técnico de carreira da INFRAERO, pelo que eu saiba.

Mas o PTB não mantém a chancela no nome dele e não quer que o Governo o exonere.

Queremos que ele fique lá para mostrar ao Governo quem é.

A INFRAERO não é problema do PTB.

O que queremos – dissemos isso ao Governo e vamos repetir, para que a Casa tome conhecimento – é que ele saia do PTB, que vá embora.

Este é o pedido que temos de fazer a ele.

É a decisão que a Comissão Executiva do PTB tomou no dia de hoje.

Muito obrigado, Presidente, pela oportunidade que me concede.

“Eu era líder do PTB quando fiz o pronunciamento.

Fui muito criticado pela imprensa à época, acusado de ser fisiológico.

O PT ainda era o queridinho da mídia.

A única voz contrária (embora também me criticasse) partiu da colunista Dora Kramer, que insistia que o governo tinha a obrigação de jogar luz sobre as negociações com a base aliada.

Em 2002, fui o único voto contra o apoio do PTB ao PT.

Eu queria que o partido apoiasse a candidatura de José Serra (no 1º turno, nosso candidato foi Ciro Gomes).

Na época, Carlos Wilson tentava seduzir os companheiros do PT argumentando que o partido teria o comando da BR Distribuidora.

Eleição ganha, ficamos com a Infraero.

Na verdade, a Infraero foi usada para fazer o partido crescer, inchar.

Carlos Wilson, porém, não atendeu aos companheiros do PTB.

Nomeou para cargos na Infraero apenas as indicações feitas pelos deputados Íris Simões (PR), Fernando Gonçalves (RJ) e Luiz Antônio Fleury (SP) e pelo senador Fernando Bezerra (RN).

O calote em 12 deputados gerou uma brutal insatisfação no partido.

À época, se votava a Reforma da Previdência.

Líder do PTB na Câmara, passei a ser hostilizado pela bancada, ocasião em que presenciei cenas de pugilato.

Esse foi o contexto em que devolvi a Infraero ao governo.

Só assim consegui pacificar o partido.

A briga por cargos sempre houve na política, mas acirrou-se e explicitou-se com o PT, talvez porque o partido se julgasse impune: “Esse é o jeito PT de ser”, disse-me certa vez Sílvio Pereira.

Respondi, na época, à frase de Silvinho: “Mas eu não sou soldado mercenário, eu não me alugo”.

No meu caso, não comungo deste processo.

Por isso, caí.

E continuamos a assistir cenas novas de episódios antigos.

Minha luta é construir um partido que tenha projeto de poder, mas limpo e coeso.

Nesse ponto, eu respeito o PT: eles tinham um projeto e construíram um grande partido, assim como o PSDB, que, na Constituinte, deixou o PMDB para construir um partido ideológico, com gente de gabarito.

O problema do PT foi deixar que uma parte contaminasse o todo.