Roberto Jefferson fala sobre a inflação e seus efeitos para a classe média

PTB Notícias 10/11/2013, 15:39


Leia abaixo comentários de Roberto Jefferson, publicados em seu blog na internet ( (http://www.

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com) neste domingo (10/11/2013):Acabou a festa? Estudo Fecomercio/SP divulgado pela “Folha” expõe um quadro que deve causar pânico no Palácio do Planalto.

Segundo a entidade, a inflação vem afetando principalmente os consumidores de menor renda que, mais expostos, estão sendo obrigados a cortar gastos, renegociar dívidas e mudar hábitos recentemente adquiridos, como viajar de avião.

A inflação é cruel com todos, mas o povão está mais vulnerável aos seus efeitos deletérios.

Se a nova classe média sentir que está sendo expulsa do paraíso, esse será um problemão que nem maquetagem dará jeito.

Paraíso distante A reportagem da “Folha” feita a partir do estudo da Fecomércio/SP revela que a bonança dos anos de forte crescimento na década passada, que fez a nova classe média embarcar em renovados sonhos de consumo, está ficando apenas na lembrança, e os atuais tempos de inflação e baixo crescimento obrigam o povão a “cair na real” e se ajustar a tempos mais bicudos.

“O preço de tudo tem subido para todo mundo”, afirma à “Folha” a assessora econômica da Fecomercio.

Mas essa subida afeta principalmente a nova e endividada classe média.

Um dos ícones da ascensão das pessoas a um novo patamar de renda, as viagens de cruzeiro a preços populares, estão se tornando uma miragem (a oferta de navios para esta temporada caiu pela metade em relação a três anos).

As viagens de avião também perderam fôlego, enquanto a busca por passagens de ônibus aumentou.

O crédito farto está rareando e cresce a busca pela renegociação de dívidas.

A verdade é que a festa ainda não acabou, mas os salgadinhos e as bebidas estão sumindo e já existem menos mesas e cadeiras no salão.

Fogo de todo lado Criticado por todos os lados por conta dos problemas dos primeiros dez meses de sua gestão, o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, tem apanhado principalmente do seu partido, o PT, a ponto de o virtual candidato petista ao governo do Estado, o ministro Alexandre Padilha, ter dito em alto e bom som, aos seus companheiros, neste domingo: “deixem o Haddad trabalhar em paz!”.

Mas não será assim tão fácil para o fogo amigo abrandar nas hostes do PT.

O partido tenta construir pontes largas para garantir a vitória de Padilha, e vê a inabilidade política do prefeito atrapalhar as costuras.

Hoje mesmo, Fernando Haddad, em entrevista para a “Folha”, subiu o tom contra a gestão de Gilberto Kassab na capital, classificando a situação que encontrou na Prefeitura de São Paulo como de “descalabro”, de “degradação”.

Apesar do escândalo dos fiscais, Kassab ainda é um político de peso e parceiro do governo Dilma, e o PT conta com ele na aliança para derrotar os tucanos.

Diante da falta de timming do prefeito, nada sugere que vá baixar o calor das críticas petistas contra ele, ainda mais quando sair o aumento do IPTU.

Questão de timming Na entrevista que concedeu à “Folha”, Fernando Haddad afirma que as investigações que estão sendo realizadas pelos órgãos de controle interno da Prefeitura devem chegar aos fiscais que atuavam no cadastro do IPTU.

“A fraude no IPTU pode ser pior que a do ISS”, diz o prefeito.

Está aí mais um motivo para Haddad começar a preparar o lombo para mais uma saraivada do fogo amigo.

Se os petistas do Estado já o criticam duramente por conta dos possíveis efeitos negativos que o aumento do IPTU poderá causar na campanha do partido para as eleições em São Paulo, um escândalo com fiscais que cobram o imposto só ajuda a piorar a situação.

Afinal, para a população ficam registradas as imagens de fiscais com charutos cubanos, torrando dinheiro em restaurantes caros e comprando carrões e lanchas.

“É para isso que irão aumentar o imposto?”, pode ser a pergunta que se farão os paulistanos, para desespero do partido de Haddad que sonha em destronar o PSDB do comando do Estado, onde está há 20 anos.