Roberto Jefferson fala sobre CPI Cachoeira e orientação do governo

PTB Notícias 24/04/2012, 14:23


Leia abaixo comentários do Presidente Nacional do PTB, Roberto Jefferson, publicados em seu blog na internet ( (http://www.

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com) nesta terça-feira (24/04/2012):Redução de danos É a 2ª vez que o governo petista tenta abafar uma investigação colocando a CGU para “auditar” contratos.

Fez o mesmo com a construtora Gautama, de Zuleido Veras, em 2007, quando a chefe da Casa Civil era Dilma.

Quando estourou o escândalo com a Gautama, por meio da Operação Navalha, da PF que fez agora a Monte Carlo, a então chefe da Casa Civil reuniu assessores dos ministérios para saber quem detinha contrato com a construtora.

Surpresa: quase todos tinham.

A ordem foi desconstruir a bomba imediatamente.

Na época, deu certo; agora, deve dar também.

Tiro certo A Controladoria Geral da União informou que antes de estourar a Operação Monte Carlo, que detonou Cachoeira & Cia.

, inclusive Demóstenes Torres, vinha investigando a Delta Engenharia, mas não tinha encontrado irregularidades relevantes.

Disse e repito: a CGU foi aparelhada para atacar inimigos do governo e livrar a barra dos companheiros.

Os aliados que o digam.

Vampiro em banco de sangue Se a oposição aceitar que as irregularidades apuradas na CPMI do Cachoeira fiquem à disposição apenas da CGU e afins, já sabe qual será seu destino.

O que Cavendish tem que Veras não tinha? O site Brasil-247 traz uma observação interessante: em 2007, no escândalo trazido à luz pela Operação Navalha, da Polícia Federal, que derrubou Zuleido Veras, o ministro Jorge Haje ordenou a suspensão de todos os contratos da Gautama.

Cinco anos depois, o discurso é outro: “Suspender o contrato [com a Delta] em si nem sempre é a solução mais adequada”, disse o ministro ontem.

Unanimidade parda Ainda tem um pouco de Demóstenes, um pouco de PT, um pouco de oposição, mas o que está todo dia nas manchetes do escândalo de Cachoeira é a Delta Engenharia.

Pega nos grampos da Operação Monte Carlo e sendo a empresa que mais recebeu verbas do Orçamento do Executivo federal desde 2007 (por coincidência, o mesmo ano em que Zuleido Veras foi destronado), a Delta é o alvo para todas as cores.

No jogo deu bode Quanto mais a Delta ganha o título de estrela da vindoura CPMI mais a comissão fica perto de ser nada mais do que um balão furado.

O ano é eleitoral e ataques entre governo e oposição, PT e PSDB, estão no script, mas o relatório final da CPI caminha para ter muita construtora e poucos bichos.

Afinal, até o próprio Carlinhos Cachoeira sumiu dos jornais.

Será o escurinho do cinema? E não é à toa que todos estejam chegando a um acordo para ter o mesmo bode no escândalo de Cachoeira – quem falava muito ganhava na imprensa um grampo vazado.

Assim foi, por exemplo, com o ex-delegado e deputado Protógenes Queiroz (PCdoB).

Ele quis alavancar voo sobre o jogo de Cachoeira e, ato contínuo, ganhou um grampo vazado e sumiu (hoje reapareceu na coluna de Mônica Bergamo dizendo que é candidato a prefeito de Guarujá, São Paulo).

Os boatos, desde o início, são de que o bicheiro tem uma grampoteca de dar inveja a muito Guardião.

Daí que, no escurinho deste show a Delta facilmente virou estrela.

Lula versus Dilma A briga da década está tendo lugar em palco perigoso e que, por si só, tem muito significado: a CPI de Cachoeira.

Hoje o Painel (“Folha”) conta que na abertura dos trabalhos da CPI, a grande questão é o nome do relator.

O preferido de Lula, o ex-líder do governo Cândido Vaccarezza, está praticamente descartado, com os preferidos de Dilma, Paulo Teixeira e Odair Cunha, dominando as apostas.

O jornal explica que caberá ao relator ditar o roteiro da CPI, eis porque esta briga é bem maior do que se pode imaginar em um primeiro momento e alcança a ligação entre ungida e ungidor.

De um lado Lula quer ver o circo pegar fogo – este seria o trabalho realizado por Vaccarezza, tirado da liderança do governo por Dilma não tem muito tempo.

De outro, Dilma quer manter a brasa que ameaça queimar a tudo e a todos sob controle cerrado.

A CPI de Cachoeira é a primeira grande desavença de Dilma e Lula.

Dilma vai ganhando, mas qualquer um que já tenha visto Lula fazer política sabe que a vitória será, no mínimo, turbulenta.

Mordendo a língua O “assessor” de Lula, Paulo Okamotto, não saiu ileso da declaração que deu à “Folha”.

Ontem o jornal publicou que Okamotto, questionado sobre o depoimento de Rogério Buratti na CPI dos Bingos no sentido de que a campanha de Lula teria recebido dinheiro do jogo e sobre a conversa da oposição de chamar o ex-presidente para depor na CPI do Cachoeira, afirmou que deveria ser ouvido o Zé Dirceu ou o próprio Buratti.

Hoje o jornal publica novas declarações de Okamotto: ele não tinha “a intenção de que a CPI convoque essas pessoas”, pois ele “não é assessor do Lula” e “não responde pelo ex-presidente nas coisas particulares dele”.

Às vésperas do julgamento do mensalão, colocar o Dirceu no meio da fogueira era mesmo jogada arriscada demais.

Ato falho Só Freud para explicar por que o “assessor” que “não é mais assessor” de Lula colocou o pé pelas mãos e quase jogou Zé Dirceu na fogueira ao defender o ex-presidente.

Afinal, o Zé não é Delúbio, não dá para jogá-lo na fogueira de graça.

É de se desconfiar que há mais na grampoteca deste escândalo do que imagina nossa vã filosofia.

Guerra no horizonte A votação do Código Florestal na Câmara é o grande destaque do dia.

Mas ninguém é capaz de prever se os deputados conseguirão mesmo votar o projeto, já que haverá uma inflamada batalha regimental em torno da aprovação do relatório do deputado Paulo Piau (PMDB-MG), que desagradou o governo e as facções ambientalistas (dizem que até ruralistas), as mais críticas do texto.

E já está prometido até mesmo um pedido de destituição do relator, a ser apresentado pelo Partido Verde.

A alegação é de que Piau é autor de uma das propostas que foram apensadas ao texto do Código quando a matéria ainda tramitava na comissão especial da Câmara que discutiu o assunto, o que, segundo os “verdes”, fere o artigo 43 do Regimento Interno.

A guerra está só começando, e é difícil prever quem serão os vencedores, e os vencidos.

Bodes na sala Paulo Piau pôs 21 bodes na sala do Código Florestal, sendo que alguns bem malcheirosos – como a retirada do artigo que obriga o replantio das áreas desmatadas nas margens de rios nas Áreas de Proteção Permanente (APPs), e a anistia aos produtores que desmataram.

Tirando alguns bodes, como é mais provável que aconteça, a paz (se assim pode-se dizer) pode ser selada e o texto, aprovado.

O que Dilma não admitir, resta-lhe usar a caneta, vetando.

Afinal, o que eles querem? O ministro da Fazenda, Guido Mantega, já afirmou reiteradas vezes que o governo não pensa em mudar o cálculo de remuneração da caderneta de poupança.

Neste fim de semana, porém, alguns jornais e sites de notícias divulgaram que duas minutas de medidas provisórias estão sobre a mesa de Guido propondo novas regras para a aplicação.

Diz o noticiário que, na avaliação do governo, mexer na mais tradicional modalidade de investimentos brasileira se tornou urgente para não comprometer a política de cortes da Selic; além do mais, a presidente Dilma estaria convencida de que chegou a hora de enfrentar este desafio.

Se o governo vai mesmo colocar a mão neste vespeiro, deveria vir a público explicar sua intenção.

O que não dá é ficar no jogo de negar de um lado e de outro jogar balões de ensaio para avaliar a aceitação da medida.

Como já disse aqui, que esse debate seja claro, sem demagogia nem falsas expectativas.

Vão se arriscar? Se o pessoal do Ministério da Fazenda articula qualquer alteração na aplicação, só faltou combinar com os russos do Tesouro Nacional.

O coordenador-geral de Operações da Dívida Pública, Fernando Garrido, divulgou estudo revelando que a redução da taxa básica de juros (Selic) não afetou a demanda por títulos públicos.

Garrido negou que os cortes recentes promovidos pelo Copom tenham provocado a migração de investidores dos papéis do governo – que financiam o déficit público federal – para a poupança.

O argumento da fuga de aplicadores é utilizado pelos que defendem mudanças nas regras.

Com a palavra a presidente Dilma, que, aliás, vem se esquivando do tema reiteradas vezes.