Roberto Jefferson fala sobre erros na política externa e crise no Senado

PTB Notícias 2/08/2009, 12:59


Leia abaixo comentários do Presidente Nacional do PTB, Roberto Jefferson, publicados em seu blog na internet ( (http://www.

blogdojefferson.

com/) www.

blogdojefferson.

com) neste domingo (02/8):Que política externa é essa? O governo tem razão em protestar contra o recuo da Casa Branca em relação à revisão de tarifas para o etanol brasileiro, mas se equivoca sobre a intenção dos norte-americanos em ampliar sua presença militar nas bases colombianas.

É dever da nossa política externa lutar contra o protecionismo dos EUA em relação ao álcool – até porque o deles, de milho, é de pior qualidade do que o nosso -, mas é um erro tomar partido na crise entre Colômbia e Venezuela.

O alvo da iniciativa americana é Hugo Chávez e não o Brasil, então por que a preocupação? O inimigo é o Chávez, não o ObamaO venezuelano Hugo Chávez afronta a Constituição de seu país, persegue todos os que não são defensores dos seus métodos e ideias, e é inimigo da nossa cultura que privilegia a ordem democrática e independência de suas instituições e poderes (pelo menos é o que está na Constituição, não é Tarso Genro?).

Chávez tem que ser tratado da mesma forma que age, menos como uma questão de diplomacia e mais como um problema de polícia.

Por essas e por outras é que, se não é para condenar as arbitrariedades do líder bolivariano, melhor fariam os nossos representantes da política externa se não abrissem a boca sobre o assunto.

Tiro no pé (1)O senador Renan Calheiros correu a desmentir neste fim de semana a revista Veja, ao afirmar que não passa pela cabeça de José Sarney a renúncia à presidência do Senado.

E reitera que seu partido está disposto a ir até o fim nas representações contra o PSDB, além de abrir um novo flanco de contra-ataque: defender a aprovação de uma lei de responsabilidade da mídia como forma de desafiar os críticos de Sarney na imprensa.

A meu ver este é o pior caminho que o presidente do Senado poderia seguir: querer silenciar a mídia não irá diminuir a pressão sobre ele, muito pelo contrário.

Tiro no pé (2)A estratégia de tentar contra-atacar os veículos de comunicação foi utilizada sem sucesso pelo próprio senador Renan Calheiros, nos meses em que sangrou na imprensa por conta de seus processos no Conselho de Ética.

Renan prometeu abrir CPIs contra os órgãos de mídia e levantou denúncias e suspeitas, mas ao final não resistiu e renunciou à presidência do Senado.

Se Sarney escolher este caminho, estará assinando sua própria condenação.

Briga inútilQuerer censurar a imprensa é uma estupidez, uma visão provinciana de coronel nordestino que acha que a melhor forma de sair do foco do noticiário é silenciando a mídia.

A imprensa é livre e, acima de tudo, tem grande espírito de corpo, já que um jornal cobre o erro do outro.

No caso do deputado Edmar Moreira, por exemplo, os veículos de comunicação mentiram ao afirmar que o castelo do deputado tinha sido comprado durante seu mandato, e sustentaram a mentira até o fim para não terem que admitir seu erro na exploração do caso.

É inútil querer brigar ou impedir o trabalho da imprensa.

O velho e suas cartas na mangaSe a pressão apertar na próxima semana, não duvido que o senador José Sarney decida por tirar uma licença médica de 120 dias.

Essa decisão acabaria contendo duas maldades: a primeira com o PT, que teria que conviver durante todo o semestre com um presidente do Senado do PSDB; a segunda com o próprio PSDB, que teria que arcar com o ônus de ser o responsável por administrar o caos que se instalou naquela Casa.

Esse é o troco que Sarney daria nos dois partidos que, afinal, se uniram para derrotá-lo na eleição da Mesa Diretora do Senado.

Já que os dois inclusive pretendem se aliar para exigir a renúncia de Sarney, certamente o PT não vai achar ruim ter o senador Marconi Perillo comandando os trabalhos do semestre.

E Sarney ainda tem a prerrogativa de pedir outra licença médica no final do ano, inviabilizando a realização de uma nova eleição na casa.

O Palácio do Planalto que não pense que será fácil abandonar o velho político maranhense.