Roberto Jefferson fala sobre o resultado da pesquisa CNI/Ibope

PTB Notícias 20/03/2013, 17:41


Leia os comentários do Líder Roberto Jeffeson, publicados nesta quarta-feira (20/3/2013) em seu blog (www.

blogdojefferson.

com):Porta aberta 2Pesquisa CNI/Ibope voltou a apontar altas taxas de aprovação e popularidade de Dilma.

Nada menos do que 63% dos brasileiros avaliam o governo como ótimo ou bom, mostrando ainda que ela continua em curva ascendente na pesquisa, embora moderada.

Mas o levantamento que irá contar é o próximo, quando a campanha antecipada e extemporânea estiver mais quente e, como sói acontecer nas últimas eleições, tem tudo para ser marcada pela negatividade.

Quando o bicho pegar os números terão muito mais significado.

Por ora, a presidente segue folgada na dianteira.

Os números não mentem (1)Apesar de merecer o espocar de fogos por parte do governo Dilma, a pesquisa também fornece dados interessantes para os pré-candidatos de oposição.

Uma leitura mais cuidadosa dos números revela onde Dilma está mais forte/mais fraca em relação à renda, ao nível de escolaridade e ao tamanho e localização dos municípios.

Na questão da escolaridade, por exemplo, a curva de aprovação da presidente cai conforme aumenta o grau de ensino do pesquisado.

Das pessoas ouvidas pela CNI/Ibope que estudaram até a quarta série, 71% disseram que o governo é “ótimo” ou “bom”; contudo, o número cai para 64% na faixa dos escolarizados da 5ª.

à 8ª série; e ainda mais (60%) entre as pessoas que concluíram o ensino médio e o curso superior (53%).

Ou seja, quanto menos escolaridade, mais apoio.

Assim mesmo, convenhamos, a aprovação ao governo é expressiva.

Os números não mentem (2)A avaliação de Dilma nas tabelas que separam os entrevistados por renda familiar repete a curva verificada na questão da escolaridade.

A aprovação da presidente é maior entre as menores faixas de renda, e cai conforme a renda aumenta.

Entre os entrevistados no segmento até um salário mínimo, 70% cravaram que o governo Dilma é “ótimo” ou “bom”; dos que recebem entre um e dois mínimos, 60% (a mesma avaliação dos que recebem entre cinco e dez salários).

Já na faixa da população que ganha mais de 10 salários mínimos, 58% disseram ser “ótimo” ou “bom” o governo de Dilma Rousseff.

Conclusão: quanto menos renda, mais apoio.

Os números não mentem (3)Na segmentação da pesquisa por condição e porte do município, a avaliação do governo recebeu 67% de menções “ótimo” ou “bom” entre aqueles localizados no interior; em capitais, porém, a aprovação caiu para 58%.

Nas áreas de periferia, 54% aprovam a presidente (o Ibope, entretanto, não informa qual a proporção das pessoas que estão na periferia, nas capitais e nas cidades do interior).

Em relação à população dos municípios, Dilma tem 70% de “ótimo” e “bom” em cidades até 50 mil habitantes, 67% em cidades de 20 a 100 mil, e 58% em municípios acima de 100 mil habitantes.

Por regiões, tem 59% de “ótimo” e “bom” no Sudeste, 60% no Sul, 61% no Norte/Centro-Oeste e 72% no Nordeste.

Conclusão: a aprovação da presidente é predominante nas pequenas cidades do interior, principalmente as do Nordeste.

Estratégia óbviaComo bem observou o jornal “Valor Econômico”, mais do que a tendência de crescimento na avaliação do governo, a pesquisa CNI/Ibope mostrou que “Dilma está cada vez mais parecida com o antecessor, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva”.

E, somando todos os dados, o roteiro da marquetagem parece óbvio: aperfeiçoar o discurso, simplificando-o, e as mensagens voltadas às pessoas com menor escolaridade e renda, e que habitam as menores cidades do interior, de preferência no Nordeste.

É nessa faixa, concentrada, que Dilma tira sua maior aprovação.

Chocolate branco ou preto?Como alertamos aqui ontem, o ímpeto do Congresso em acelerar a tramitação e votação de projetos importantes parece estar escorrendo pelos dedos da sucessão.

Apesar dos apelos do senador José Sarney, ontem a votação da proposta que estabelece nova partilha dos recursos do Fundo de Participação dos Estados (FPE) foi adiada para abril.

Até lá, a prioridade da pauta legislativa será votar as medidas provisórias que aguardam na fila.

E o Congresso segue na sua triste e enfadonha rotina de poder chancelador das medidas do Executivo apenas.

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Uma nova velha guerraEm um julgamento do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) o seu presidente, ministro Joaquim Barbosa, partiu para o ataque contra os próprios juízes.

Ao julgar um caso de um juiz do Piauí o ministro discordou do juiz Tourinho Neto, que votava pela absolvição.

Na discussão, lançou acusações genéricas contra a magistratura, afirmando que “há muitos para colocar para fora.

Esse conluio entre juízes e advogados é o que há de mais pernicioso.

Nós sabemos que há decisões graciosas, condescendentes, absolutamente fora das regras”.

Com isso, comprou uma briga com as associações de magistrados, que já reagiram com paus e pedras.

Fora dessa terra No caso então julgado discutia-se a relação de um juiz de Piauí com advogados e a maioria dos conselheiros do CNJ decidiu pela aposentadoria compulsória do magistrado, ficando vencido o relator do caso, juiz Tourinho Neto.

Curioso, contudo, é que nenhuma palavra de ataque tenha sido feita à relação, às vezes também perniciosa, entre juízes e promotores.

Ai da advocacia, que não tem concurso.

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Paus e pedrasNão é de hoje que o ministro Joaquim Barbosa está em rota de colisão com o restante da magistratura.

Em outra declaração generalizada Barbosa já havia afirmado que os juízes brasileiros têm mentalidade “pró-impunidade”.

Mais uma vez as associações de magistrados, dentre as quais a Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe), vieram a público para comprar a briga com o presidente do STF, condenando a generalização e lembrando que a imprensa já havia noticiado que Barbosa também mantém relação próxima com a advocacia, namorando uma advogada.

O presidente da Ajufe, Nino Oliveira Toldo, ainda questionou se outro exagero de Barbosa não seria mandar um jornalista “chafurdar no lixo”, não deixando nenhum pecadilho impune.

Já Tourinho Neto, que discutiu com Barbosa nessa malfadada reunião do CNJ, ironicamente lançou o ministro como candidato à Presidência da República, lembrando que os juízes não são seres amados, mas que Barbosa foi “endeusado”.

Essa briga não vai parar por aqui.

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Não faltam batalhasEnquanto o ministro Joaquim Barbosa compra uma nova briga, que não é de hoje, com os próprios magistrados, o STF tem de enfrentar sua própria guerra, que também não tem nada de novo, com o Legislativo.

A liminar concedida pela ministra Carmen Lúcia, que suspendeu a lei que altera a divisão dos royalties de petróleo, gerou protestos veementes e, até, propostas de retaliação, no Congresso.

Houve quem tivesse a ideia de mudar a Constituição para limitar as decisões provisórias dos ministros do STF.

Um dos mais enfáticos foi o líder do PT na Câmara, deputado José Guimarães (CE), para quem “o que é preciso deixar claro para o país é que a Câmara pensa de uma forma diferente.

A Câmara tomou uma decisão democrática.

A Câmara não se impõe e fica diminuída” – crítica à judicialização do processo legislativo, mas deturpada para transformar-se em guerra entre (e de) os Poderes.