Roberto Jefferson: “Polícia política me indiciou!”

PTB Notícias 21/03/2007, 19:04


Comentário do Presidente Nacional do PTB, Roberto Jefferson, a respeito de seu indiciamento pela Polícia Federal, nesta quarta-feira, 22:Polícia políticaFui indiciado pela PF pelo art.

288 do Código Penal com base no meu livro.

Sem me ouvir, o delegado iniciou a conversa informando que iria me indiciar.

Meu advogado, Dr.

Francisco Barbosa, afirmou que, se era para me indiciar, antes eu deveria ser ouvido.

E, de acordo com o que eu informasse, ser ou não acusado.

O delegado, Dr.

Daniel dos Anjos, disse que era praxe na PF indiciar sem considerar a prova.

Então meu advogado invocou a norma segundo a qual o indiciamento se dá por um despacho motivado do delegado e que até ali não era conhecido.

Por isso, o delegado, dizendo que era uma minuta, passou a ler o despacho de indiciamento que já tinha pronto.

A leitura foi interrompida por meu advogado no momento em que o delegado fundamentava sua decisão de me indiciar em um trecho de meu livro “Nervos de Aço” (página 206).

O Dr.

Barbosa então apresentou, para ser juntado no inquérito, matéria do jornalista Josias de Souza, postada em seu blog já no dia 4 de março.

Digo em meu livro: “Mas toda licitação tem critérios objetivos e subjetivos.

E aqui afirmo abertamente: se nos critérios técnicos duas empresas empatam, se as duas atendem ao interesse da estatal, acho perfeitamente natural que a escolhida seja aquela mais afinada com o partido representado naquela diretoria.

Isso é muito mais justo e democrático do que favorecer sempre as mesmas empresas, vinculadas aos mesmos interesses”.

Então, meu advogado lembrou que se era para me indiciar por citações do livro, todos os outros fatos e pessoas ali citados, e não só o que consta na página 206, deveriam ser objeto da investigação.

Diante de tal lembrança, o delegado afirmou que iria imediatamente instaurar inquérito para investigar a todos.

No livro são citados, entre outros, Zé Dirceu, Valdemar Costa Neto, Delúbio, Gushiken, Marcelo Sereno (até agora incólume), Marcos Valério etc.

As provas que a PF juntou contra mim têm como base a palavra do petequeiro Maurício Marinho na PF e em um secreto depoimento de Marinho no Ministério Público Federal, onde fez acordos de delação premiada.

Nada bate com o que está provado por outras pessoas no próprio inquérito.

No governo do PT, que tanto lutou pela liberdade de imprensa e de opinião, agora isso é crime.

Sua polícia política usa práticas fascistas que se atribui à antiga polícia Argentina: “Tiene razón, pero va preso”.

Quero dizer que nem eu ou qualquer companheiro do PTB fez negócio nos Correios para beneficiar o partido.

As acusações são vagas e baseadas em hipóteses.

Há pressões de um menino de recados do PT, o procurador Bruno Accioly, o mesmo que invadiu a casa de minha filha Fabiana quando eu prestava depoimento no Conselho de Ética, no dia 14 de junho de 2005.

Accioly está cumprindo um papel partidário ao manchar a minha honra pessoal.