Saúde, precatórios e servidores são prioridades, diz Aidan Ravin

PTB Notícias 7/04/2009, 21:00


Encaminhar uma ação concreta para iniciar o pagamento dos precatórios, implantar o Poupatempo da Saúde – que vai ser o AME (Ambulatório Médico de Especialidades) de São Paulo – e estabelecer plano de cargos e carreira para os servidores públicos são as prioridades do prefeito de Santo André, Aidan Ravin (PTB) em 2009, primeiro ano como comandante municipal.

Bem-humorado, o chefe do Executivo recebeu o Repórter Diário para uma entrevista exclusiva em seu gabinete, no 1º andar do Paço.

Em uma sabatina de 47 minutos, o petebista falou sobre os principais temas que envolvem a cidade.

Aidan deixa claro que os primeiros três meses serviram para a equipe de governo “tomar pé” de toda situação.

“Eu faço um balanço positivo.

Você imagina um jornal que tenha um capital de R$ 200 mil.

De repente, você sai desse jornal e pega um de R$ 50 milhões.

Como seria? Fácil e tranqüilo? Você tem equipe para tirar de um jornal e levar para o outro? Não tem.

Você tem que usar o pessoal daquela equipe”, compara.

O prefeito admite que, a partir de agora, depois de um período de convivência diária com secretários pode fazer algumas mudanças no secretariado.

“A equipe está montada.

É que a gente tem que mexer com as peças.

Você percebe que uma pessoa é melhor em outro lugar do que o atual.

Agora chegou a hora de mudanças de algumas peças para fluir mais rápido o dia-a-dia da prefeitura”.

O petebista confirmou conversar com políticos da capital paulista – Gilberto Kassab (prefeito), Fleury Filho (ex-governador) e José Police Neto (líder do governo na Câmara paulistana) – no intuito de trocar experiências de políticas públicas.

“O fato de falarmos com eles, ajuda muito, pois são pessoas que têm experiência e vão nos mostrar o que existe de bom”, diz, destacando, porém, que a maioria das ações previstas para Santo André é oriunda do seu plano de governo.

Durante a conversa, o comandante do Paço esclareceu também pontos que causam polêmicas nos bastidores: “Chegaram a citar que um dos meus assessores recebeu dinheiro em sua conta.

Se aconteceu isso, eu vou ficar triste e vou querer apurar.

Todo mundo na cidade viu como foi a minha campanha.

Todo mundo viu na cidade o volume da campanha do PT”, afirma ao falar sobre a representação do PT impetrada no Ministério Público sobre um suposto crime eleitoral.

“Estamos super bem”, completa, ao responder sobre o relacionamento com a vice-prefeita Dinah Zekcer (PTB).

Acompanhe os principais trechos da entrevista:Repórter Diário: Qual o balanço que o senhor faz do início deste mandato?Aidan Ravin: Eu faço um balanço positivo.

Você imagina um jornal que tenha um capital de R$ 200 mil.

De repente, você sai desse jornal e pega um de R$ 50 milhões.

Como seria? Fácil e tranquilo? Você tem equipe para tirar de um jornal e levar para o outro? Não tem.

Você tem que usar o pessoal daquela equipe.

Como fica aquele pessoal que não queria ter perdido o comando.

Até dentro da prefeitura eu entrei com uma postura de preservar o pessoal que já é da administração.

É difícil convencer aquele funcionário que já está aqui há 12 anos.

Acabou eleição, acabou a disputa.

Caso contrário, não se governa.

RD: Qual o maior desafio nesses três meses?Aidan: O maior desafio é o começo.

Porque até você entender e mostrar para o pessoal como funciona a máquina leva tempo.

Na própria Câmara tem o pessoal do PT que não se conforma que perdeu.

Eles não conseguem entender que acabou a eleição.

Inclusive, já me propus a conversar com eles, várias vezes, para pensarmos realmente na cidade.

RD: A equipe de governo já está toda montada?Aidan: A equipe está montada.

É que a gente tem que mexer com as peças.

Você percebe que uma pessoa é melhor em outro lugar do que o atual.

Agora chegou a hora de mudanças de algumas peças para fluir mais rápido o dia-a-dia da prefeitura.

Tanto é que eu já mexi na Chefia de Gabinete.

Eu promovi o Beto (Torrado) e coloquei o Charles (Camargo) na Secretaria (Desenvolvimento) como adjunto.

Onde é a praia dele.

Eu estou juntando as pessoas para fazer um trabalho assim.

Então daqui para frente terão mudanças assim.

RD: O senhor já sabe quais serão as mudanças?Aidan: Está tudo na mente.

Na hora certa vamos falar.

RD: O senhor congelou o número de comissionados no início da administração.

Agora o senhor já preencheu todos os cargos?Aidan: Não.

No último levantamento que nós fizemos, 45% estava congelado.

A minha meta é manter 30%.

RD: Mas a oposição chegou a questionar isso na reforma proposta pelo seu governo?Aidan: Foi revisto.

Na verdade quando você fala em reforma é uma mudança completa.

Nós não fizemos isso.

Fizemos uma reforma de “homem”.

Por exemplo, o homem quando vai reformar o banheiro e precisa apenas a trocar a pia e o azulejo, ele faz justamente isso.

E, na reforma da mulher, é diferente.

Você desmonta o banheiro, mexe na cozinha e troca a sala.

Reforma tudo.

Nós fizemos uma reforma pequena.

Criamos a Secretaria de Segurança, o fundo social, a nomenclatura da Comunicação, entre outras.

Mas, essas mudanças não mexeram no orçamento.

O que extinguiu de cargo de um lado, criou-se do outro.

O que mais aumentamos foi cargo em gratificação.

Este promove o funcionário da Casa e não o de fora.

RD: Em termos de percentuais, foram aproveitados quantos funcionários?Aidan: Muita gente.

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A maioria.

A nossa primeira fase foi promover as pessoas da própria secretaria.

Agora, passados os três meses, cada secretário vai fazer avaliação da sua pasta e vai poder avaliar o desempenho de cada um.

RD: O senhor vai aumentar o salário dos servidores?Aidan: Veja bem.

Dos 12 anos anteriores, em sete, foi zero de aumento.

Todos os aumentos que tiveram, quando assim ocorreram, não passaram de 6%.

Agora, eles estão pedindo 20% de aumento.

Agora mudou o governo.

Claro que não vamos dar os 20%, senão a prefeitura quebra.

Mas nós vamos oferecer mais do que isso e eles vão ter um aumento muito bom.

O plano de carreira, por exemplo.

No ano retrasado, a Fundação Getúlio Vargas foi contratada para fazer um estudo.

Foi feito um trabalho extenso que me foi apresentado no fim do mês passado.

É excelente.

Então da para regularizar o pessoal.

Você tem três fases de salário e em cada uma delas, você tem A, B, C, D.

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onde a pessoa pode, pela qualidade dela, se classificar e ter aumento também.

No plano de carreira você pode aumentar 30%.

RD: Qual é o piso e o teto hoje?Aidan: O piso é baixo.

Hoje na faixa de R$ 500.

E o máximo, é o médico: R$ 2,5 mil.

Mas, com essa salário não conseguimos contratar um médico.

Nós queremos fazer a equalização de tudo isso, para que o profissional tenha prazer em trabalhar na prefeitura.

Tendo o plano de carreira, a cada dois anos, ele pode competir.

Por exemplo, em um ano competem todos e 30% tem aumento.

No próximo ano, os que já tiveram aumento não competem e os 70% restantes vão competir, sendo que 30% terão aumento.

Então isso vai dar uma vazão para a pessoa crescer na prefeitura.

RD: Qual o cronograma para a implantação?Aidan: Nós precisamos de mais dois ou três meses para definir alguns detalhes.

Acredito que em agosto, a iniciativa entrará na Câmara para os vereadores analisarem.

RD: Quantos funcionários trabalham na prefeitura hoje?Aidan: Na faixa de uns 8 mil.

Contando com as ONGs, comissionados e aposentados, o número salta para 12 mil.

RD: Além disso, quais são as outras ações que o senhor considera prioritárias para 2009?Aidan: Nós temos o Poupatempo da Saúde – que é o AME (Ambulatório Médico de Especialidade) – e ficará pronto este ano.

Nós já temos a autorização do governador Serra e da secretaria da Saúde.

RD: O senhor tem o local?Aidan: Nós estamos pensando no centro da cidade, onde é o Instituto de Previdência.

Mas, temos o plano B também.

Já está avançada a tratativa.

A hora que fechar o local, eles (integrantes do governo estadual) já tem toda uma licitação deles que, eu autorizando, eles podem fazer.

RD: Qual é a contrapartida da prefeitura no Poupatempo da Saúde?Aidan: É o prédio.

O restante – manutenção, colocação de médicos e equipamentos – é tudo do Estado.

RD: Quantos Poupatempos da Saúde serão feitos?Aidan: Nós pedimos um primeiro.

Porque esse AME implantado e funcionando como nós queremos, automaticamente nos dá retaquarda para criarmos outros na cidade.

RD: Pessoas que não são de Santo André, poderão utilizar?Aidan: Poderão porque é do Estado.

O que nós pensamos é em uma intervenção do Estado, mas com mando regional como no hospital Nardini, por exemplo.

Porque não adianta só ser diagnosticado pelo AME.

Precisamos integrar toda uma rede com as cidades da região para fazer o atendimento completo e termos as referências nos serviços.

Nós já iniciamos as conversas neste sentido.

Assim o AME conseguirá diagnosticar e encaminhar as pessoas.

RD: E o Poupatempo “normal”?Aidan: Eu estive já com o Beraldo (secretário estadual de Gestão Pública, Sidney) e ele nos pediu a indicação de um terreno.

Já temos três locais no centro da cidade e vamos apresentá-los.

A obra demora oito meses.

Se eu conseguir aprovar logo o local, pode sair ainda neste ano.

Se não conseguirmos em abril, aí fica para o próximo ano.

RD: Como está a questão dos precatórios?Aidan: Nós avançamos muito.

Nós estamos pedindo que os advogados e eles (precatorianos) entrem em um acordo para que a gente realmente tenha um desconto.

RD: Qual é o desconto ideal?Aidan: De 30% para a gente parcelar e poder pagar o pessoal.

O precatório mais alto é de R$ 200 milhões.

É precatório que não acaba mais.

Nós precisamos de desconto nesse valor.

É claro que não queremos afundar ninguém do outro lado, mas não é justo tudo isso.

Vamos entrar em um acordo: nem eles e nem nós perdemos.

Assim, a gente paga por mês, durante o mandato.

Tem que ter bom senso dos dois lados.

Não depende só da gente.

RD: Isso não vai afetar a receita do município?Aidan: Se você der 30% de desconto e pensar que existe um imposto sobre isso que fica no município, esse montante cai bastante.

Se dividir pelo tempo de mandato (quatro anos), o valor total dos precatórios, o resultado deve ser em torno R$ 2 milhões por mês.

E esse montante comporta dentro do orçamento da cidade (R$ 1,8 bilhão).

RD: Deixar a administração praticamente sem dívidas vai ser uma marca do seu governo?Aidan: O ojeitvo é fazer isso uma marca.

A gente quer zerar as dívidas para não precisar ficar aí, toda hora, com a Justiça tirando dinheiro da prefeitura para o precatório.

Essa é uma situação que nenhum administrador público gosta.

RD: Essa será a principal marca?Aidan: Essa é uma das marcas.

A marca que eu quero deixar é a “cara da cidade” diferente.

Estamos mudando o paisagismo; na Saúde teremos o AME (Ambulatório Médico de Especialidades) para atender mais rápido a população, e na Educação também queremos trabalhar muito.

Ou seja, queremos deixar várias marcas.

Mas, a maior delas é o respeito junto com a dignidade.

Assim, nós vamos resgatar a vontade da pessoa morar na cidade.

RD: E a moto-patrulha?Aidan: Está prontinha.

Agora, com aprovação da reforma, só estamos esperando o secretário (Segurança, Adílson Lima) assumir definitivamente.

Nós precisamos também preparar o efetivo da guarda para poder utilizar a moto.

Esse pessoal que vai começar com o moto-bairro já fez curso e está preparado para prestar todo o serviço necessário.

RD: Vão ser duas motos por bairro?Aidan: O ideal seria exatamente duas por bairro, mas aí é moto que não acaba mais.

Vamos começar aos poucos e depois vamos incrementando.

Vale destacar que nós também estamos chamando 70 guardas municipais para engrossar nossa GCM.

RD: Qual o efetivo da guarda hoje?Aidan: Está entre 530 e 540 .

Agora vai passar para 600.

RD: Em relação ao Centro da cidade, quais serão as melhorias?Aidan: O sonho é cobrir a Perimetral (Coronel alfredo Fláquer) e fazer a terceira pista de cada lado.

E, fechando em cima, nós podemos também revitalizar a via.

É uma obra grande, mas que ficará para um segundo momento.

Já em relação ao Carlos Gomes, nosso objetivo é fazer um Centro Cultural.

RD: O senhor pretende fazer na prefeitura um plano de metas?Aidan: Nós temos que resgatar a parte humana para a pessoa se sentir valorizada.

Então temos que fazer isso, porque sem metas não chegamos a lugar nenhum.

Agora estão passando os 100 dias, então nós vamos ter uma cara nova do que vamos fazer nos próximos tempos e vamos iniciar o programa do orçamento de 2010.

Aí sim é a nossa cara que vai estar lançada.

Neste ano (2009), tenho que cumprir o orçamento do ano passado que foi elaborado pela administração anterior.

RD: Essas políticas públicas que o senhor falou têm relação com as conversas com o prefeito Kassab, o ex-governador Fleury Filho e o José Police Neto (líder do governo na Câmara de São Paulo)?Aidan: A maioria dos nossos planos vem do plano de governo apresentado na campanha.

Todos eles estavam fora disso, pois nós fizemos as ações com nossa equipe, lá atrás, para podermos lançar durante o período eleitoral.

Poupatempo da Saúde está no plano de governo, Motopatrulha está no plano de governo e o plano de carreira também está.

Agora, se você tem administrações que estão dando certo, porque não andarmos juntos? Então o fato da gente falar com o Campos Machado (deputado estadual e presidente do PTB em São Paulo), o Kassab, o Fleury e o Netinho, ajuda muito, pois são pessoas que têm experiência e vão nos mostrar o que existe de bom.

Parcerias para o bem da cidade são sempre positivas.

RD: No processo eleitoral o senhr conversou muito sobre esses temas com essas pessoas?Aidan: Apenas no segundo turno.

No primeiro, eu carreguei tudo sozinho.

No segundo teve aproximação grande.

Nós conversamos com muita gente: empresários, pessoal de associação, da educação e também da saúde.

Esse governo tem a pitada técnica e também a discussão política.

Todas as coisas boas, nós vamos fazer.

Inclusive, se o PT me deixou um projeto bom, porque eu vou parar? RD: O senhor tem conversado com o João Avamileno?Aidan: Não.

Eu conversei com o filho dele (Fabrício Avamileno).

Ele foi viajar, descansar, mas nós estivemos juntos na inauguração do Pinguinário.

RD: O senhor poderia citar algum programa que o PT fez e passa pela sua aprovação?Aidan: Até agora nós não cortamos os programas.

Só alguns.

Nós trocamos, por exemplo, a ONG porque realmente não dava para continuar conosco.

RD: O Sabina vai continuar?Aidan: Vai sim.

Não sei se com o mesmo nome, mas vai continuar.

A secretária (de Educação) está muito animada para isso.

Assim, nós vamos fazer um concurso para as próprias pessoas escolherem o nome.

Porque é até um pedido da população.

Nós queremos que o local vire realmente uma escola de pesquisa.

Até porque se ele não mudar o conceito, ele não pode ficar na conta da Educação, caso contrário o Tribunal de Contas reprova.

Aliás, tudo isso está sendo estudado agora.

Porque se valer à pena, pode ficar até em outra conta como, por exemplo, a da Cultura.

RD: Como o senhor avalia a atitude do PT de impetrar uma representação contra o senhor no MP?Aidan: Eles não acreditam ainda que perderam a eleição.

Eu fiz uma campanha enxuta e com pouco recurso.

Chegaram a citar que um dos meus assessores recebeu dinheiro em conta.

Se aconteceu isso, eu vou ficar triste e vou querer apurar.

Todo mundo na cidade viu como foi minha campanha.

Todo mundo viu na cidade o volume da campanha do PT.

Por isso, eu acho que a representação deles é vazia.

Mas eu até gostei.

Agora, se tiver algum fundamento, vai para frente e nós vamos apurar.

Se não tiver fundamento, vai arquivar e acabar com essa história de uma vez por todas.

RD: O senhor é favorável à abertura de contas dos secretários?Aidan: Se for necessário com a justiça, não tenha dúvida.

Agora, como existem pendências do outro lado, porque não abrir lá também? Se estão acusando a gente, porque eles não abrem a deles? Quanto mais claro, melhor.

Até porque minha conta e meu imposto estão declarados publicamente e podem ser vistos na internet.

RD: Durante a campanha o senhor captou recursos?Aidan: Eu nunca captei recurso.

Eu tinha uma pessoa que tentava fazer isso pra mim (Marcos Camargo, coordenador da campanha).

Mas foi difícil porque ninguém acreditava que a gente fosse chegar aonde chegamos.

* Fonte: Repórter Diário