‘Sempre ouvi as ruas’, afirma deputado Sérgio Moraes em entrevista à VEJA

PTB Notícias 8/07/2013, 12:33


Leia abaixo a entrevista do deputado Sérgio Moraes (PTB-RS) à revista VEJA desta semana.

Ele não se lixa maisEm 2009, o deputado Sérgio Moraes (PTB-RS) tornou-se símbolo nacional do escracho da classe política.

Então relator do processo de cassação do deputado Edmar Moreira, pilhado em falcatruas diversas, Moraes caminhava para livrar o mandato do colega.

Questionado se não temia uma reação popular, respondeu com rara sinceridade: “Estou me lixando para a opinião pública.

Vocês batem, mas a gente se reelege”.

Em 2010, quase 100.

000 eleitores do Rio Grande do Sul devolveram o deputado ao Congresso – 11.

000 a mais do que no pleito anterior.

Na semana passada, Moraes falou a VEJA sobre a onda de protestos que tomou as ruas.

O senhor continua se lixando para a opinião pública?Eu não tive a capacidade e inteligência de não cair na provocação de um jornalista.

No caso daquele Edmar Moreira, diziam que eu estava defendendo o cara.

Um dia, no meio de um monte de repórteres, uma jornalista me provocou.

Eu, burro, disse: “Quer saber? Estou me lixando pra ti, para a opinião pública, para isso e para aquilo”.

O que saiu de noite no jornal? Só o “to me lixando”.

O resto do eu disse não saiu nada.

Aí deu aquele rebuliço.

Sabe o que aconteceu? Eu aumentei os meus votos.

O povo viu que não era verdade.

Qual a sua avaliação sobre a revolta nas ruas?Eu já vinha falando dentro do meu grupo que isso estava para acontecer.

Não tenho bola mágica, mas a gente ouve a insatisfação na rua.

O governo da presidente Dilma diz que tá tudo maravilhoso no país, mas nós não temos estrada, a educação é uma das piores da América Latina e a saúde, um caos.

O povo cansou e a Dilma despencou nas pesquisas.

A classe política está em descrédito?É culpa da classe política.

O Congresso vota medida provisória e nada mais.

Projetos importantes defendidos pelo povo não andam.

A gente passa a semana aqui, gasta passagem, dinheiro público e não consegue produzir nada de interesse do povo.

O senhor assinou a PEC 37, que limitava o poder de investigação do Ministério Público, e depois votou contra ela.

O que mudou?Mudou que o partido nos chamou e nos enquadrou.

Disse que era desnecessário o PTB ficar exposto em um momento tão delicado.

Nós poderíamos ser apedrejados, mesmo tendo razão.

O MP trabalha pouco, então tem tempo para jogar a opinião pública contra a gente.

Eles inverteram dizendo que era a PEC da impunidade.

O senhor acha que o Ministério Público persegue os políticos?Claro, porque dá mídia.

Tenho vários ranços com o Ministério Público.

Algum dia o MP chamou a imprensa para dizer que está investigando a morte de um pobre? Isso eles não querem.

Agora se for um deputado, um prefeito, eles saem correndo, porque aí dá mídia.

A voz das ruas é importante?Sempre ouvi as ruas.

Nós, políticos, temos de aplaudir os que estão protestando pacificamente.

Só acho que a polícia deveria ter baixado o porrete nos baderneiros.

Fonte: VEJAFoto: Reprodução/TV Câmara