Senado quer que PF investigue assassinato do senador Olavo Pires do PTB

PTB Notícias 19/02/2009, 7:16


O Senado vai acompanhar as investigações do assassinato do ex-senador Olavo Pires (PTB-RO), morto em 16 de outubro de 1990.

Um grupo de senadores defendeu ontem, 18/02, a reabertura das apurações pela Polícia Federal (PF).

O corregedor da Casa, Romeu Tuma (PTB-SP), adiantou ao Congresso em Foco que pretende ir a Belo Horizonte, após o Carnaval, para tomar conhecimento da íntegra do depoimento de João Ferreira Lima, que confessou ontem (17) a autoria do crime.

João de Goiânia, como é mais conhecido, foi preso no último domingo (15), acusado de liderar a maior quadrilha de roubo a banco do país, desbaratada pela Operação Vandec.

“Como ele assumiu o assassinato de um senador no exercício do mandato, a Justiça deve encaminhar o caso para a Polícia Federal”, avaliou Tuma.

O corregedor foi destacado pelo primeiro vice-presidente do Senado, Marconi Perillo (PSDB-GO), para acompanhar o caso após pedido do senador Expedito Júnior (PR-RO).

A confissão feita por João de Goiânia surpreendeu os senadores, que consideram o caso sem solução.

“Ele é um arquivo vivo.

Está correndo risco de morte”, disse Expedito, ao defender a transferência do preso para a custódia da Polícia Federal.

Ele não está só no apelo.

“Pedi à Polícia Federal que retome as investigações”, anunciou da tribuna do Senado Valdir Raupp (PMDB-RO).

Em depoimento gravado em vídeo pela Polícia Civil, João de Goiânia admitiu ter disparado 16 vezes contra o então senador Olavo Pires, que disputava o segundo turno do governo de Rondônia contra o próprio Raupp em outubro de 1990.

“As maiores vítimas desse processo foram Olavo Pires e sua família.

Mas também fui vítima”, considerou o ex-líder do PMDB no Senado, que acabou chegando ao governo do estado quatro anos depois.

Na época, Olavo liderava as pesquisas de intenção de voto, à frente de Raupp.

Com o assassinato, o terceiro colocado no primeiro turno, Osvaldo Pianna, assumiu a vaga do petebista e acabou superando o peemedebista na votação final.

“Esse João mudou o rumo da história de Rondônia”, avaliou Expedito.

O assassinato de Olavo Pires detonou uma série de mortes envolvendo testemunhas e pessoas próximas ao ex-senador, entre elas, um motorista e um segurança particular.

Natural de Catalão (GO), o senador foi morto em frente à sua empresa, uma revendedora de máquinas pesadas, em Porto Velho.

“Ele morreu por um rapaz que é meio nervoso, não gosta.

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Não aguenta muito desaforo em certas horas.

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Hoje ele está mais velho.

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Ele gosta de arma.

Aí, ele deu, quis aplicar uns 16 tiros de uzzi nele e pegou onze na cabeça”, declarou João, antes de confirmar, balançando a cabeça, que o “rapaz meio nervoso” era ele.

Em seu depoimento, João de Goiânia disse que o crime foi motivado por uma suposta dívida do candidato a governador de Rondônia relacionada a um esquema de receptação de carros furtados.

O grupo é acusado pela Polícia Civil de Minas Gerais de ser a maior quadrilha de roubo a bancos e carros do país.

Um dos últimos crimes atribuídos aos seis presos foi um assalto realizado no último dia 9, em Nova Mutum (MT).

Com os acusados, a polícia apreendeu uma metralhadora antiaérea e antitanque marca Browing.

50 com 170 munições, originária, segundo a acusação do Exército paraguaio.

A Operação Vandec está em sua terceira fase e homenageia o policial Vandec Costa da Silva, morto pela quadrilha em 2007, quando começou o cerco ao grupo.

De lá pra cá, 26 pessoas foram presas, acusadas de formação de quadrilha, porte ilegal de armas exclusivas das Forças Armadas, sequestros, roubos a bancos e carros fortes, latrocínio e roubos de armas.

A quadrilha, segundo os delegados que coordenam a operação, planejava praticar um assalto na Venezuela, onde pretendiam roubar uma tonelada de ouro, avaliada em R$ 50 milhões.

* Agência Trabalhista de Notícias com informações da Agência Senado