Senador Armando Monteiro sobre o trem-bala: “País tem outras prioridades”

PTB Notícias 15/04/2011, 14:56


O Brasil precisa investir na recuperação de sua malha rodoviária, no transporte de massas, em ferrovias, nos portos e aeroportos.

É elencando esta lista de prioridades para o país, além de apontar a necessidade de solução para problemas crônicos, como formação de mão-de-obra e saneamento, que o senador Armando Monteiro (PTB) justifica o voto contrário à Medida Provisória (MP) que autoriza o financiamento de até R$ 20 bilhões do BNDES para a construção do trem-bala e a criação da ETAV – empresa que administrará o empreendimento.

Em entrevista ontem (quinta, 14) ao programa Frente a Frente, com Adriano Roberto, o senador defendeu que o Brasil, sobretudo as regiões menos desenvolvidas, tem demandas mais urgentes na área de infraestrutura.

A MP do trem-bala foi aprovada na noite da última quarta-feira, 13, no plenário do Senado, por 44 votos a favor e 17 contra.

Leia os principais trechos da entrevista abaixo:O voto contra o projeto do trem-balaArmando Monteiro – “Eu votei contra, mas de forma confortável, porque votei com a minha consciência.

Eu acho que esse projeto, em que pese a sua importância, não se coloca como prioritário para o Brasil.

Ou seja, aplicar mais de R$ 35 bilhões em um projeto desses, quando nós sabemos que o Brasil, sobretudo as regiões menos desenvolvidas, tem demandas muito urgentes na área de infraestrutura.

O Brasil que tem uma malha rodoviária deteriorada, que não tem no Nordeste uma malha ferroviária que dê mais competitividade à produção regional, o Brasil que tem custos logísticos muito elevados.

Ou seja, você tem uma boa produtividade nas fazendas, mas quando leva o produto até os portos os custos são astronômicos, por conta dos modais de transporte utilizados.

O Brasil precisa fazer hidrovias, precisa melhorar até o transporte popular urbano, o transporte de massas.

Como imaginar que neste contexto se possa aplicar R$ 35 bilhões em um projeto que embora, volto a dizer, seja importante, na realidade vai atender a um público de elite, que vai pagar uma tarifa de quase R$ 200 para esse transporte do trem de alta velocidade? Então, eu achei que era meu dever neste momento manifestar a minha posição e, mesmo integrando a base do governo, fiz obedecendo aos ditames da minha consciência.

Portanto eu me sinto confortável de ter assumido esta minha posição e, volto a dizer, este não é a meu ver um projeto prioritário para o país”.

Custos do projetoArmando Monteiro – “Na realidade o investimento básico está estimado em R$ 34 bilhões, sendo R$ 20 bilhões de linha de financiamento do BNDES, e tem naturalmente uma participação do investidor privado.

Agora, especialistas dizem que esta é uma obra de engenharia complexa, cara.

Neste projeto, por exemplo, você terá mais de 90 quilômetros de pontes, de obras de aço, caras portanto, e quase 100 quilômetros de túneis que serão necessários.

Então, dizem os técnicos, que esta obra, seguramente, vai consumir muito mais recursos do que está estimado inicialmente.

O que é importante destacar também, é que há um subsídio que está previsto para oferecer ao investidor privado uma garantia de que se houver um déficit na operação desta empresa (ETAV) nos primeiros anos, ele recebe do Tesouro Nacional recursos para subsidiar a operação da própria empresa.

Então há uma previsão de que R$ 5 bi possam ser aplicados ainda sob a forma de subsídios, de equalização ao investidor privado”.

PrioridadesArmando Monteiro – “Então, acho que em um país que tem outras prioridades, que tem carências ainda imensas de mão-de-obra, que tem uma malha viária deteriorada.

Inclusive em cidades imensas, em São Paulo há 70 quilômetros de linha de metrô urbano.

Há cidades aí que têm linhas de metrô muito pequenas e que precisam ser expandidas.

Temos problemas nos portos, temos necessidades na área de saneamento.

Em suma, não me parece que um trem de alta velocidade seja uma prioridade.

Agora, é claro que, daqui a dez anos, uma década e meia, é razoável que se possa examinar o projeto.

Mas não agora, quando nós temos carências e necessidades mais urgentes.

Eu acho que é possível, com muito menos recursos, se utilizar as ferrovias para descongestionar um pouco as estradas, as rodovias, e até mesmo esse problema de congestionamento nos aeroportos.

Nós temos também uma dificuldade muito grande com os aeroportos no Brasil.

Os aeroportos estão estrangulados.

Então eu pergunto: Será que a prioridade não se situaria também no investimento para garantir melhores condições de operação para o sistema aeroportuário brasileiro?” Agência Trabalhista de Notícias, (IS) com informações do Portal do Senador Armando Monteiro