Senador JVC critica gestão tucana em Teresina, mas não descarta aliança

PTB Notícias 26/06/2011, 10:28


Eleito pela primeira vez para ocupar um cargo público eletivo em 2004, o senador João Vicente Claudino (PTB-PI) considera que tem imprimido um ritmo de trabalho satisfatório.

O petebista, entretanto, faz uma autocrítica ao comentar que, nos primeiros anos de mandato teve que dividir as atenções no legislativo com as pretensões de uma candidatura ao Governo do Estado.

Agora, nesta segunda fase do mandato ele afirma que exercerá o papel de senador em plenitude e acredita que “será um senador muito melhor para o Piauí”.

Em entrevista ao Jornal O Dia, na edição dessa sexta-feira (24), o senador fala dos seus planos políticos futuros e adianta que não pensa em lançar candidatura em 2014, nem para disputar a reeleição, nem para voltar a disputar o Governo do Estado.

Na entrevista, João Vicente, que é também presidente do diretório estadual do PTB, avalia ainda a gestão de Elmano Férrer (PTB) na Prefeitura de Teresina e diz que o grande diferencial da gestão será no “enfrentamento dos problemas de Teresina” e não a realização de “pequenas obras com eram feitas anteriormente”.

O senador comentou sobre as estratégias e alianças do partido para as próximas eleições, além de explicar seu posicionamento sobre temas “espinhosos” que estão em debate no Congresso Nacional.

CONFIRA A ENTREVISTA NA ÍNTEGRA: Senador o senhor está em seu segundo mandato, sendo que este foi o primeiro cargo eletivo que disputou.

Satisfeito com o ritmo de trabalho e com o que foi feito até agora?JVC: Eu nunca tinha exercido nenhum cargo eletivo, nunca tinha disputado uma eleição, então, temos um período de adaptação porque o que eu exerci na minha vida de cargos, seja privado ou público, foi sempre no Executivo.

Então o legislativo tem um ritmo muito próprio, mas eu faço uma avaliação de que tivemos uma adaptação, de certo modo, rápida, apesar de que essa primeira parte do meu mandato eu dividi com o mandato de senador e a intenção de disputar uma eleição para Governo do Estado, como se concretizou em 2010.

Mas nós procuramos ocupar na plenitude a ação parlamentar fazendo o papel de angariador de recursos para o Estado do Piauí, para os municípios, defendendo projetos importantes.

Sendo legislador nós produzimos projetos em diversas áreas, como a instalação de IFETs, ZPE, projetos que até hoje assumem debates muitos fortes, como a criação do Estado do Gurgueia.

Já nessa segunda parte do mandato, eu tenho certeza que serei um senador muito melhor para o Piauí, muito mais atuante, porque minha visão hoje está em exercer na plenitude meu mandato de senador, sem dividir as atenções, com qualquer outra intenção, dentro do quadro eleitoral político e sim dar ainda mais resultado do meu mandato para o povo do Piauí.

Então, o senhor não pensa em 2014 ser candidato a reeleição ou novamente ao Governo? JVC: De maneira alguma.

Eu tenho aqui constituído um grupo dentro do PTB, que nós chamamos de Grupo dos 14, que é um grupo para reestruturar o partido na questão das comissões provisórias e diretórios e preparar o partido para as eleições de 2012, sem nenhuma visão futurista mais a frente.

O foco é baseado nas eleições de vereadores e de vices-prefeito e prefeito.

Como esse “G14” irá atuar senador? JVC: O “G14” tem nos baseado desde as eleições de 2010.

Queremos fazer um partido cada vez mais consolidado.

Nós ainda não definimos metas quantitativas para as eleições de 2012.

Queremos fazer um partido coeso, que tenha cada vez mais, comprometimento com a sigla, com as lideranças que compõem o partido.

Nós saímos das eleições de 2006 com dois deputados estaduais e saímos das eleições de 2010 com o dobro, com quatro deputados estaduais, mantivemos uma cadeira na Câmara Federal, continuo com meu mandato como senador.

Precisamos ter, dentro da base, um comprometimento maior do partido, com a consolidação e afirmação desses posicionamentos partidários.

Então, o “G14” tem discutido esse momento, de reestruturação do partido, de planejar a ação política do partido de definir metas mais qualitativas das ações do partido.

O PTB é o partido com o maior número de Prefeituras sob seu comando, que teve uma candidatura majoritária.

O partido se perdeu em algum lugar? JVC: Não, não é isso.

Acontece o seguinte: quando o PTB cresceu em 2007, nós tínhamos que dar mais corpo ao partido.

Porque nós tínhamos 20 prefeitos e eu queria me credenciar para uma eleição de governador, além de um mandato, nós tínhamos que ter um partido forte, que se credenciasse.

Então, em 2007, esse partido cresceu baseado, principalmente na saída de lideranças, prefeitos, vice-prefeitos, vereadores, de partidos que saíram enfraquecidos como o PFL, o PSDB, como outros partidos que perderam espaços políticos dentro da conjuntura estadual.

Só que essas lideranças já vieram com o PTB com compromissos políticos, com lideranças que não estavam com o PTB e em 2010 continuaram sem pertencer a sigla.

Então, as raízes que eles tinham vinculação política não pertenciam ao PTB.

Nesse momento estamos fazendo um partido muito mais voltado internamente ao PTB do que para uma disputa eleitoral.

Então, é um projeto mais voltado para as lideranças do PTB do que para qualquer projeto de candidatura.

Eu acho que agora o PTB vai estar mais vivo, fortalecido e comprometido, com ele mesmo.

O PTB está satisfeito com a participação no Governo do Estado? JVC: Eu, no momento em que decidimos, optei por não voltar em nenhum dos dois candidatos ao Governo (Wilson Martins e Silvio Mendes), mas foi uma decisão pessoal e eu não quis transformar essa decisão em uma decisão partidária.

Não fiz campanha em relação a isso.

Designamos o Hélio Isaías porque ele é o vice-presidente do PTB e estava, dentro do grupo, entre os que desejavam apoiar o candidato Wilson Martins, que era governador na época.

O que passa, o que escuto de depoimentos entre aqueles que acompanharam, é que a satisfação natural de determinados entendimentos que haviam sido propostos estão se concretizando em sua plenitude.

Eu não entro muito nessa questão porque não fiz parte desses entendimentos, eu não entrei nem como testemunha das reuniões que aconteceram.

Então, prefiro ficar mais distante.

Mas o que passa, o sentimento é de certa frustração.

Ao assumir o comando da Prefeitura, o PTB teceu várias críticas ao modelo tucano de administrar.

Disseram que a prefeitura não tinha dinheiro e nem projetos.

A que se devem essas críticas já que o PTB, durante as duas últimas gestões tucanas, era aliado dos tucanos?JVC: Não é bem uma crítica.

É uma constatação, que realmente não tinha projetos.

Uma coisa é você diagnosticar problemas em Teresina e possibilidades de soluções.

Agora, como vamos resolver esse problema? Como vamos construir uma ponte? Eu preciso do projeto dessa ponte, para se buscar os recursos, seja do Governo Federal, seja empréstimo, seja em parcerias com o Governo Estadual, seja na própria administração dos recursos municipais.

A grande verdade é que isso não acontecia.

Isso é um fato, real.

O PTB desde 2004, quando fez a coligação houve um problema em função da eleição da Presidência da Câmara que o candidato tinha sido escolhido pelo prefeito e não imposto pelo PTB, o candidato Olésio Coutinho (vereador de Teresina pelo PTB), mas nós definimos por não assumir nenhum cargo.

Ao final do primeiro mandato, foi criado uma Secretaria de Juventude, onde uma liderança do PTB veio a participar.

Mas nada de secretarias que planejassem projetos ou saídas para Teresina.

Veio uma reeleição e o partido ocupou a Secretaria de Ação Social, com a vereadora Graça Amorim (PTB).

O PTB então constatou a inexistência desse projeto.

O vice-prefeito, se não tem uma função administrativa, ele é apenas substituto.

Hoje o prefeito Elmano Férrer criou um grupo só para realizar projetos, que revisse todas as emendas individuais e de bancada que havia sido alocadas para Teresina, de qualquer valor, para que fossem tiradas as pendências, seja por questões burocráticas, seja de ausência de projetos, para viabilizar a vinda dos recursos.

Se você se lembrar daquela enchente de 2008, que o presidente Lula veio e teve uma reunião com os prefeitos ainda no hangar do aeroporto, ele colocou de uma maneira muito clara: recebi decretos de emergência, mas não recebi projetos.

Essa história não é nova, então tem que ter a tranqüilidade de saber que é apenas a constatação de um problema.

Diagnóstico existe, saber os problemas que tem em Teresina em diversas áreas, se sabe, foram feitas várias reuniões, fóruns, agendas, mas para resolver, tem que ter projetos.

Como o PTB está avaliando a gestão de Elmano Férrer a frente da Prefeitura? JVC: Olha, eu comparo o que aconteceu com o Elmano com o que aconteceu em 2006 com o prefeito Kassab, em São Paulo, que tinha sido eleito vice do prefeito (José) Serra, que tinha saído para disputar o Governo do Estado em 2006 e o Kassab assumiu.

O ano que ele assumiu e o ano que o Elmano assumiu foi um ano eleitoral.

Em ano eleitoral fica tudo engessado já que a principal parceria da Prefeitura de Teresina é o Governo Federal.

Já não tinha projetos.

O ano de administração começa a ser o seguinte.

O Governo toma posse e tem sempre um período de adaptação para que as coisas comecem a acontecer e a andar.

A avaliação que eu faço é da perspectiva.

É de que será uma grande administração, que vai resolver problemas de águas pluviais, que há muito não se investe em Teresina, resolver problemas de saneamento, urbanização de áreas importantes em Teresina, como na zona sudeste e sul, tocar o projeto Lagoas do Norte, que é um desejo antigo.

Resolver os gargalos do trânsito.

São problemas que tenho visto a administração começar a deslanchar.

O próprio Orçamento Popular, que tinha apenas R$10 milhões para pequenas obras e o prefeito Elmano aumentou para R$16 milhões, aumentou 60%.

Então, são obras de pequeno valor, mas que dá uma cara, que eleva a autoestima do povo que mora em vilas, em bairros desassistidos e que quer ser sua voz reconhecida em uma ação de governo.

Se o senhor pudesse identificar os pontos fortes e fracos do PTB na Prefeitura de Teresina, quais seriam? JVC: Acho que o ponto forte é a organização que o prefeito tem implementado.

A gente tem um norte para o enfrentamento dos problemas.

Normalmente o que se fazia, e tivemos aconselhamentos sobre isso, o que era feito eram pequenas obras que davam visibilidade nos bairros e sem enfrentar de maneira clara e sem colocar como prioridade problemas que se avolumam em Teresina e, dizendo que era por falta de recursos, e, se não existia o recurso era porque não existia o projeto.

Acho que o ponto positivo é o enfrentamento desses problemas.

Eu acho que talvez o ponto que se possa questionar é o estilo da administração que o prefeito quis implementar.

Ele sempre colocou dentro de um perfil mais ou menos técnico que às vezes isso se tem que contrabalançar na política, a competência, experiência com a sensibilidade política, até para a formação de uma base política para que o trabalho flua de uma maneira mais a contento.

O PTB fez pesquisas internas para saber como o prefeito estava avaliado.

Foram divulgadas pesquisas recentes onde o prefeito aparece em situação não muito confortável.

O que o senhor acha que ainda está faltando? Acredita que ainda há na cabeça dos teresinenses uma áurea em torno do PSDB? JVC: Fizemos pesquisas.

Eu acho que, até a candidatura do PSDB está abaixo da expectativa de outras eleições, com exceção da eleição de 1996, onde o Firmino disputou sua primeira eleição, e o Silvio Mendes, quando disputou em 2004, que também era uma candidatura nova, o PSDB sempre foi bem avaliado.

Porém, o prefeito Elmano não disse que é candidato, nunca tratou muito dessa questão.

Nem houve uma articulação política para isso.

Voltando até ao caso do Kassab.

Quando ele se lançou candidato, em agosto, ele era o terceiro colocado.

Foi ao segundo turno, contra a candidata do PT, a senadora Marta Suplicy, e ganhou as eleições.

Então, eu acho cedo.

Estamos a muito tempo das eleições, um fato muda o cenário, a própria percepção do trabalho da Prefeitura, a articulação de como se desenvolve isso e se consegue fazer uma boa coligação.

Tudo isso influencia.

E aí sim teremos condição de tornar uma candidatura viável.

Senador o PTB foi aliado do PSDB na Prefeitura e do PT no Governo, como está a relação com esses outros partidos? JVC: Eu tenho dito que a relação com todos os partidos que foram coligados com o PTB seja a melhor possível.

Então, eu já vi tanta coisa no Estado, onde lideranças que diziam que nunca se juntariam com determinada liderança e veio o momento político e isso ocorreu.

Então, o relacionamento, na minha opinião, tanto com o PT, quanto com o PSDB e outros partidos, acontece de uma maneira serena, equilibrada para que as coisas aconteçam.

Agora tem determinados fatos que ocorrem que a gente não sabe nem o porquê desses fatos.

A situação às vezes está tão calma e de repente estoura um determinado fato, em relação a essa convivência partidária, que não sabemos detectar o porquê disso.

Se é o momento pré-eleitoral, de impaciência de algumas lideranças em relação ao posicionamento do PTB e que nunca foi cobrado.

O prefeito Elmano Férrer revelou que tem sido cobrado por seu partido por conta dessa equipe de perfil técnico.

Foi resolvido esse problema? JVC: O PTB nunca fez cobranças por conta do perfil técnico.

A grande maioria deles nem filiados a partido políticos são.

Então às vezes para se resolver o problema se fala: há se não é filiado a um partido, se filia.

Mas não estamos questionando isso.

Eu estou contando é a capacidade e experiência política e vivência de política, de administração, porque às vezes o próprio secretário, ao vender um projeto, uma ideia, ele tem que ter o poder de articulação de convencer os vereadores, de passar para a população de uma maneira diferente para que as coisas sejam bem mais compreendidas.

Eu vejo dessa maneira.

Nos bastidores se comenta que o PTB tem manifestado seu descontentamento com as posturas do secretário municipal de Governo, João Henrique Sousa (PMDB).

O PTB tem cobrado do prefeito mudanças na equipe? Há arestas com o secretario de Governo? JVC: Houve realmente uma nota, um documento, ao prefeito dando a tranqüilidade para mudanças.

Mas em momento algum na reunião que aconteceu se tocou no nome de nenhum secretario.

Nem do João Henrique, nem de nenhum outro secretário, nem de nenhum outro nome que ocupe um cargo de confiança.

Foi discutido com o pensamento do Grupo que constituímos dentro do partido.

Eu mesmo entreguei a carta, a nota de apoio.

Ele leu e depois retornou dizendo que tinha gostado muito do que foi colocado.

Em nenhum momento foi um documento, dito “guilhotina” para se cortar cabeça de ninguém.

Essa é uma questão que quem tem que saber é o próprio prefeito.

A “quebra de acordo” em 2010, com o PT, pode ter conseqüências em 2012? JVC: Eu digo sempre que a política deve ser feita sem olhar no retrovisor.

Tem que ser feita olhando para frente.

O PT tomou um posicionamento, que eu não sei se saiu da maneira que eles quiseram que saísse, se eles ficaram felizes com esse posicionamento.

É claro que naquele momento o PTB não ficou feliz, até pela amizade que se constituiu em 2006, na verdade desde 2002, no primeiro mandato do ex-governador Wellington Dias (PT).

É claro que a gente buscava continuar com essa coligação, mas é como digo: um fato que ocorra dessa natureza não pode, de certo modo, por mais que tenha seqüelas políticas, não pode inviabilizar entendimentos de lideranças, de pessoas, de caminhadas conjuntas dos partidos, e tem que olhar é para frente.

O que passou, de erros e acertos, ficou na eleição.

Como o senhor tem visto as discussões em torno da Reforma Política? JVC: Nesse primeiro semestre parece que o Senado irá cumprir o que prometeu, porque foi feita uma Comissão Especial, e o presidente Dorneles agiu de uma maneira muito prática, em 45 dias foi votado na comissão especial.

Todos os projetos estão sendo votados, todas as quartas-feiras, na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e acredito que até o final deste primeiro semestre todas estarão votadas na CCJ, para em agosto fazermos a votação de todas as matérias em plenário e, a partir daí, encaminhar a Reforma Política.

Na Câmara ela praticamente não andou.

E eu fiquei muito feliz porque o Senado deu uma resposta em tempo recorde.

Então, em agosto será mostrado aquilo que o Senado pensa, mesmo em sua divergência, no senso comum dos senadores.

E em relação a criação do Gurgueia? JVC: Sou favorável a uma rediscussão territorial do Brasil.

Eu entendo que, quanto mais próximo um Governo de uma região, melhor a eficiência da ação política, maior a aplicação dos recursos e melhora a expectativa da qualidade de vida, de ter uma prioridade de investimentos.

O Piauí é um Estado grande, que nasceu o desejo de separação não por vontade de separar, mas por ausência de uma ação de Estado.

E não vamos dizer que é de ontem, de hoje, é de uma história.

Uma área que tem duas bases econômicas muito fortes, que é o agronegócio e a mineração que são as bases da economia da região, mas que carece de incentivos, de investimentos para que dinamize essa produção de uma maneira e ritmo acelerado.

Então é natural que uma decisão política se priorize para atender uma área onde se tem um contingente maior de pessoas, onde tem mais eleitores.

Temos que fazer um projeto de Estado para mostrar o tanto que o Gurgueia é viável e quanto ele é bom para o Piauí.

Temos hoje no Congresso 11 projetos de Estados e três de Territórios.

Se acontecer uma redivisão territorial no Brasil e não acontecer no Piauí, teremos um problema.

O Piauí depende do Fundo de Participação em sua receita, com 33% e em São Paulo é 0,43%.

Então, se vamos ter mais Estados para dividir a receitas do Fundo de Participação, virá menos recursos e a dependência poderá aumentar.

Já se você emancipa um Estado viável e nós já vimos a transformação de territórios em 88, como Tocantins, Mato Grosso, em um curto espaço de tempo tem um PIB per capita maior do que o do Piauí.

Então, é preciso tranqüilidade, um projeto de Estado, mais envolvimento como aconteceu em Carajás e Tapajós onde se constituiu um Comitê Gestor, para planejar, projetar e discutir o Estado.

Agência Trabalhista de Notícias (LL) com informações do Portal 180 Graus