Sessão especial lembra os 50 anos do comício de Jango na Central do Brasil

PTB Notícias 4/04/2014, 8:13


Há 50 anos, na Central do Brasil, no Rio de Janeiro, o então presidente da República, João Goulart, do PTB, defendia as reformas de base, diante de 200 mil pessoas, em discurso transmitido pelo rádio.

No palanque, cercado de ministros e parlamentares da base de seu governo, Jango anunciou a assinatura de decreto que dava início a um programa de reforma agrária.

Era o Comício das Reformas, ocorrido no dia 13 de março.

O presidente entusiasmou os que esperavam mudanças estruturais no país, mas o comício serviu de pretexto para sua deposição, pouco mais de duas semanas depois, no Golpe de 1964.

Nesta sexta-feira (4/4/2014), o Senado realiza sessão especial para lembrar o Comício das Reformas e o presidente João Goulart (1919-1976), cujo mandato foi restituído simbolicamente pelo Congresso no fim do ano passado.

O comício reuniu milhares de pessoas na Central do Brasil, no centro do Rio, para pressionar o Congresso a apoiar as chamadas reformas de base – agrária, bancária, eleitoral, administrativa e universitária – que prometiam modernizar as estruturas do país e combater a pobreza.

“Trabalhadores, acabei de assinar o decreto da Supra [Superintendência de Política Agrária].

Assinei-o com o pensamento voltado para a tragédia do irmão brasileiro que sofre no interior de nossa pátria.

Ainda não é aquela reforma agrária pela qual lutamos.

Ainda não é a reformulação do nosso panorama rural empobrecido.

Ainda não é a carta de alforria do camponês abandonado.

Mas é o primeiro passo”, discursou o então presidente.

Na ocasião, Jango anunciou a desapropriação de terras improdutivas próximas a rodovias, ferrovias e açudes feitos com recursos federais, como forma de evitar a especulação fundiária, aumentar a produção de alimentos e facilitar o escoamento, e que as refinarias particulares passariam ao controle da Petrobras.

Dias depois, o presidente seria deposto pelos militares, que deixaram o poder somente em 1985.

No último dia 31, os 50 anos do Golpe de 1964 foram lembrados em sessão especial realizada no Plenário do Senado, a pedido do senador João Capiberibe (PSB-AP).

O requerimento para a realização da sessão em homenagem ao Comício das Reformas foi apresentado pelo senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP).

João GoulartJoão Belchior Marques Goulart, ou simplesmente Jango, como era conhecido, governou o país de setembro de 1961 a março de 1964.

Nasceu em São Borja, no Rio Grande do Sul.

Entrou para a política com o apoio de seu conterrâneo e amigo particular, Getúlio Vargas – fundador do Partido Trabalhista Brasileiro.

Seu primeiro cargo público foi como deputado federal, em 1950.

Logo depois foi ministro do Trabalho, Indústria e Comércio no segundo governo de Vargas.

Como ministro, ele concedeu muitos benefícios aos trabalhadores, inclusive aumentou o salário mínimo em 100%, fato que provocou sua renúncia, pois desagradou a muitos empresários.

Jango venceu duas eleições como vice-presidente da República, sempre pelo PTB.

A primeira vitória foi como segundo de Juscelino Kubitschek, em 1955.

Após cinco anos, foi eleito vice de Jânio Quadros.

No dia 31 de março de 1964, os militares se reuniram e tomaram o poder, com apoio dos Estados Unidos.

Jango não resistiu.

Deixou o governo e se refugiou no Rio Grande do Sul.

De lá, foi para o exílio no Uruguai e na Argentina, onde morreu aos 57 anos.

Agência Trabalhista de Notícias (LL), com informações da Agência SenadoFoto: Divulgação/Agência Senado