“Só um louco ou alucinado faria o mensalão de novo; não creio que exista”

PTB Notícias 1/10/2007, 19:43


O Presidente Nacional do PTB, Roberto Jefferson, visitou a redação do jornal Folha de Londrina na manhã do último domingo (30/9), um dia depois de participar de um encontro estadual promovido pela Executiva Estadual do PTB, em Cambé, com cerca de 1,1 mil filiados.

Em junho de 2005, ele detonou a maior crise política do governo Lula ao denunciar, por meio da imprensa, que congressistas aliados recebiam o que chamou de um ”mensalão” de R$ 30 mil para aprovar projetos do Executivo.

De lá para cá, caíram nomes de peso no alto escalão petista, como os ex-ministros José Dirceu (Casa Civil) e Antonio Palocci (Fazenda), além da cúpula do partido, na qual figuravam, há anos, figuras como José Genoino, Delúbio Soares e Silvio Pereira.

Pouco mais de dois anos depois, e com o mandato cassado meses após a denúncia e indiciado em inquérito do Supremo Tribunal Federal (STF), o presidente nacional do PTB, Roberto Jefferson, 54 anos, acredita que a suposta prática de cobrança e pagamento ”não existe mais”.

”Só um louco, temerário e alucinado por completo faria mensalão de novo; não creio que ainda haja.

Não creio”.

O pivô do escândalo do mensalão garante não sentir saudades do Congresso – pelo menos, não da Câmara Federal: de acordo com ele, os 23 anos de mandato iniciados ainda durante a ditadura militar já bastam.

”Dessa água não beberei, não quero mais, não tem mais segredo para mim, nem desafio: passei por tudo”.

Se por um lado ele se diz satisfeito advogando no Rio (seu estado natal), à frente da Executiva nacional e no preparativo para lançar um CD ”de músicas românticas”, em 2008, por outro, não descarta o retorno à vida política, para a eleição de 2014.

Nesse caso, a aposta deve ser o Senado.

Collor x Lula, de novo A devoção manifestada já contra o impeachment (1992) do ex-presidente e atual senador Fernando Collor de Mello (PTB-AL) não difere muito daquela com que Jefferson impregna o discurso ao falar dos nomes da sigla ante a sucessão presidencial.

”Talvez ele não esteja pronto para a eleição de 2010, mas com certeza estará à de 2014, quando se espera a volta do Lula.

Estou construindo essa possibilidade, e acredito que ele também: se quer sair para o governo de Alagoas, em 2010, não é à toa”, avalia.

PT Assim como Dirceu e outros nomes da política nacional, Jefferson também aderiu à moda dos blogs – o dele, diz, é alimentado diariamente ”pelas minhas idéias, informações e sentimentos”, com a ”formatação dada por quatro jornalistas”.

Recentemente, o ex-deputado afirmou, na página virtual, que teriam tentado transformá-lo em vilão, título que recusa.

Se ele chega a se considerar um herói? ”Não, sou um cidadão que não é melhor do que ninguém, mas que também não é pior.

Pelo que andei lendo, o Zé Dirceu vai inspirar vilão de novela.

Não quero parecer maniqueísta, mas, no julgamento do povo, por enquanto o papel de vilão é dele”.

Se Dirceu é o alvo preferido do humor sarcástico do ex-deputado, o PT não fica atrás.

”O PT não tem coração.

Usa a base como se fosse uma laranja da qual extrai o sumo, e joga o bagaço”, reclama.

Já o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não só é defendido, como amplamente elogiado pelo petebista: para ele, Lula ”é mais ligado em política internacional; é mais chefe de Estado que de governo”.

Questionado se ainda acredita que o presidente não sabia do mensalão – argumento que o petista tenta sustentar até hoje -, ele não se curva.

E ainda debocha.

”O Lula é como aquele menino de 18 anos que passa no vestibular e ganha um carrinho 1000 dos pais.

Ele venceu a eleição e ganhou um aviãozinho, o Aerolula, e foi passear pelo mundo.

Aí, como governar é cansativo, ele delegou poder à turma do governo e deu no que deu”.

fonte: Jornal Folha de Londrina (PR)