Tanise Sabino, em entrevista, fala de sua preocupação com o futuro dos jovens e de propostas para o Rio Grande do Sul

PTB Notícias 19/09/2022, 13:02


Imagem

A candidata a vice-governadora do Rio Grande do Sul Tanise Sabino (PTB) foi entrevistada pelo g1 na última quinta-feira (15/09). A jornalista Cristine Gallisa conduziu a conversa. Tanise Sabino é psicóloga, vereadora em Porto Alegre e especialista em gestão pública.

A participação da candidata faz parte de uma série de entrevistas que o g1 realiza com os postulantes a vice das cinco chapas mais bem colocadas na pesquisa IPEC de intenção de votos encomendada pelo Grupo RBS.

Confira entrevista na íntegra:

g1 – Começo te perguntando sobre a questão do agronegócio. O Heinze tem uma atuação muito forte, uma ligação muito forte com esse segmento, e a gente enfrentou aqui no Rio Grande do Sul uma seca muito severa neste ano. O que vocês planejam para tentar melhorar a situação principalmente dos pequenos produtores para armazenamento de água e irrigação?

Tanise Sabino – Primeiro, inicialmente, obrigado por esse convite do g1 de estar oferecendo esse espaço de fala para todos os candidatos a vice-governadores. É um espaço onde a gente pode conversar um pouco mais, contar nossa trajetória, experiências e propostas e não fica aquela coisa tão engessada dos debates com tantos segundos para pergunta, tantos minutos para resposta. E sobre esse aspecto do agronegócio, a nossa chapa, o nosso candidato a governador, Luiz Carlos Heinze, é um homem preparado, com história, com trajetória, e ele vem do agronegócio. Ele, inclusive, de formação é engenheiro agrônomo, é produtor rural. Ele planta arroz. Se tem uma área que o nosso governo vai estar em boas mãos é o agronegócio, porque o Heinze entende e sabe o que fazer. Essa questão da estiagem da seca é um assunto que preocupa muitas pessoas, inclusive toda a sociedade, comércio, indústria, porque de uma forma ou de outra atinge a todos. Nós temos propostas, no nosso plano de governo, no sentido de ter açudes também, de alguma forma armazenar a água. Esse é um tema que o Heinze vai cuidar direitinho.

g1 – De que forma fazer isso? Garantindo alguma linha de crédito?

Tanise Sabino – Parcerias público-privada. Tu sabes que o Heinze tem um bom um trânsito também em Brasília. Ele também é dessa área empresarial. Acho que nós estamos no momento que eu não vejo como a gente não… tem que ter parceria público privada. Tem que ter, acho que esse é um caminho.

g1 – Em que outros segmentos vocês pretendem adotar esse caminho?

Tanise Sabino – Eu acho que a questão do desenvolvimento, da infraestrutura para o nosso estado. Questão de educação também podemos pensar.

g1 – Em que sentido na educação? Isso sempre traz uma preocupação com uma privatização.

Tanise Sabino – Sim, mas assim, o que a gente tem pensado sobre os jovens? A questão da mão de obra. Nós temos o Ensino Fundamental, Ensino Médio, mas também pensar em ensino técnico, com parcerias talvez com o Sistema S. Porque tem algumas áreas, algumas formações, que nós somos carentes. Por exemplo, a área de TI. Área de TI é uma área que tem vagas, mas não tem pessoas. Acho que pensar nessas parcerias é interessante.

g1 – Isso com os próprios jovens, por exemplo, das escolas públicas?

Tanise Sabino – Também. Acho que sim, com certeza. O tema da educação vai ser um foco no nosso governo, na nossa gestão. Eu como psicóloga tenho uma preocupação com as crianças, com jovens e o que eu tenho percebido, Cris, antes da pandemia, sempre fui convidada para palestrar em escolas… a cada dois, três meses recebia um convite, mas agora com a agenda de campanha eu tenho recebido convites uma vez por semana, uma vez a cada duas semanas, e sabe quais são os temas que geralmente me pedem para palestrar? Sobre saúde, saúde emocional, sobre ansiedade, sobre depressão. Eu vejo que as pessoas, os alunos, os jovens estão voltando para sua vida, mas não sabem como recomeçar, e eu tenho percebido um sentimento de infelicidade. Inclusive também na nossa juventude.

g1 — E de que forma o estado poderia ajudar nesse sentido?

Tanise Sabino – Olha, podemos pensar em várias ações, mas uma ação com certeza e eu quero, pessoalmente, também ajudar nesse sentido por ser profissional da saúde, psicóloga, é pensar em programas na área de saúde mental nas escolas. Eu acho que falta isso, porque o os alunos voltaram para as escolas como se nada tivesse acontecido. Vamos para aula e vamos recuperar. Mas precisamos falar sobre isso. Eu acho que essa é a grande necessidade. Pensar em programas de saúde mental com foco na prevenção do suicídio, com foco na prevenção da auto mutilação, de bullying, enfim, todas essas questões do mundo escolar. E isso é uma coisa interessante, o presidente Bolsonaro instituiu uma Lei, a 13.935 de 2019, que prevê que a rede a rede escolar contará com profissionais da área da psicologia e do serviço social nas escolas. Eu sei que é um grande desafio.

g1 — Teria que contratar pessoas, né?

Tanise Sabino – Como é que a gente vai pensar um psicólogo, um assistente social, para cada escola? Eu sei eu, sei que isso é um desafio, mas vamos pensar em alternativas, parcerias. Talvez pelo Fundeb, vamos pensar de alguma forma como isso pode ser viabilizado, mas o psicólogo na escola, psicólogo escolar. Hoje a psicologia tem várias especialidades, pensando nesses programas de saúde mental. E nós estamos no mês de setembro, conhecido como o setembro amarelo, que é o mês de prevenção suicídio e aproveitar esse momento também para falar sobre isso, que é uma pauta muito importante. A cada 40 segundos uma pessoa realiza o suicídio no mundo. A cada 45 minutos uma pessoa morre por suicídio. Então, são dados realmente alarmantes, que chamam atenção e precisamos de políticas públicas neste sentido.

g1 – Para executar tudo isso que tá no plano de governo, a gente vai falar um pouquinho da questão da responsabilidade fiscal e do acordo que o Rio Grande do Sul entrou junto à União para pagar a dívida. Tanto à direita quanto à esquerda os candidatos têm criticado o formato desse acordo, o engessamento que ele traz, o comprometimento. Vocês pretendem revê-lo? Vocês querem outros termos, concordam com esses termos? Ele vai limitar bastante, por exemplo, até mesmo o ingresso de pessoal dentro da estrutura pública.

Tanise Sabino – Tu falaste uma palavra muito importante: responsabilidade fiscal. O governante tem que ser responsável. O governador que assume, o dinheiro não é dele, ele pode fazer o que quiser, como quiser. A gente fez uma análise dos últimos anos, nos últimos 50 anos do nosso estado. E nos últimos 50 anos, só por oito vezes, só por oito exercícios, nós ficamos no azul, como se diz. No restante, tudo no vermelho. Tem que ter responsabilidade com dinheiro público, e nesse aspecto, essa questão do regime do plano de recuperação fiscal já foi assinada. Mas o que a gente tem que pensar e avaliar, sendo eleito… o governador Luiz Carlos Heinze, ele vai conversar com o presidente que assumir, o presidente do povo do Brasil, para tratar sobre esse plano, juntamente com outros estados, porque nós também não estamos sozinhos. Tem outros estados que também estão com os piores indicadores fiscais possíveis, Rio de Janeiro, São Paulo, enfim, e tentar negociar, tentar rever esse pacto. Porque da forma como ele tá, ele é impagável. Nos próximos quatro anos, o governador que assumir terá R$ 14 bilhões de dívidas. Bilhões, com “b” de bola. Vai ficar ao longo do tempo, desse período, ficando insustentável. Tem que rever isso, com certeza.

g1 – Falando um pouquinho agora da área da segurança pública. Tem uma mulher na chapa, e alguns problemas que estão afetando a sociedade, principalmente, são os feminicídios, que têm aumentado. A pandemia exacerbou esse problema. Que políticas vocês pretendem adotar para tentar combater esse tipo de indicador?

Tanise Sabino – A questão da segurança pública vai ser uma prioridade para nós. Inclusive, nós temos na nossa chapa como candidato ao Senado a Comandante Nádia, que é dessa área de segurança. E a gente se preocupa com isso, principalmente o feminicídio. Nós somos mulheres. Eu tenho certeza que uma mulher tem medo de sair à noite, 22h, sozinha. Leva mais uma amiga, pede carona. Essa questão da segurança é complicada. E a questão do feminicídio, eu tenho dito que, em briga de marido e mulher, o estado vai meter a colher. Porque, há um tempo atrás, Cris, a gente achava que a violência doméstica era um assunto privado, de homem e mulher, e não tinha que se meter. Na verdade, a gente vê que é um problema sério. É um problema sério, a gente precisa olhar para essa realidade e intervir de várias formas. Primeiro, incentivando a questão da notificação. As mulheres ainda têm receio de fazer a denúncia, fazer a queixa. Mas e depois disso, o que ela fez? Tem que ter uma rede de apoio, uma rede de acolhimento. Tem que ter um abrigo, tem que uma casa institucional para ela ir com a família, com os filhos. Outra coisa que muitas mulheres não fazem é a denúncia, é o ciclo da violência, a questão da dependência econômica. Muitas mulheres, às vezes, acabam se sujeitando porque não têm para onde ir, não têm emprego. Então, pensar em formas do estado poder capacitar essas mulheres, oportunizar políticas públicas na área de emprego, de geração de renda. E a questão do machismo…

g1 – É um problema cultural.

Tanise Sabino – Talvez uma alternativa, pensando aqui, seja também as escolas. Pensar em programas. Quando eu falo em programas de saúde mental, poder também incluir a questão da violência. O que a gente vê? A violência é uma repetição. Aquele casal que tem filhos meninos, filhos homens, que veem um pai batendo na mãe, a tendência vai ser ele repetir. A psicologia explica muito bem isso. A tendência vai ser ele repetir. Pensar em programas de saúde mental, não só para os alunos, mas também para família, para toda a rede escolar, para os diretores, para os professores, toda a comunidade escolar.

g1 – Ainda dentro da questão da segurança pública, eu li, recentemente, uma declaração do candidato Heinze dizendo que ele é contra o uso de câmeras nos uniformes da Brigada Militar. A gente tem um episódio muito recente que envolve o jovem de 18 anos, em São Gabriel, e que trouxe à tona novamente esse debate, sobre a questão da violência policial e o uso dessas câmeras como forma de fazer um controle maior, um controle social e público, sobre a atuação das forças de segurança. O que fazer, então, já que a candidatura é contra isso? Você tem alguma outra proposta?

Tanise Sabino – É, o Heinze tem se colocado contra isso. O que eu penso, nós temos que, na verdade, falar com a família da segurança. Como é que a segurança pública tá vendo isso? Eles querem? Eles têm interesse? Porque eu sei que comprar essas câmeras não deve ser uma coisa barata, mas é esse investimento que a segurança pública quer? Em câmeras acopladas no policial? Eu tenho tido a oportunidade de conversar com vários brigadianos, como a gente diz, e o que eles dizem: quando eles abordam, por exemplo, alguém na rua e tal, eles têm que pesquisar no próprio celular deles a placa. Eles não têm nenhum instrumento de trabalho. Se a gente vai fazer um investimento tão grande em câmeras, será que é isso que é necessário neste momento? Nós temos a experiência de São Paulo, mas que outros estados têm,? Como é que estão sendo os resultados? Acho que a gente tem que avaliar e conversar com o público de interesse.

g1 — Os resultados são positivos, até o momento, em outros lugares onde já foram adotados.

Tanise Sabino – A gente tem que avaliar, acho que a gente tem que avaliar. Eu acho que esse é um assunto que tem que avaliar e conversar com a segurança pública, se este investimento que vai ser feito, é isso que eles querem? É isso que eles precisam neste momento?

g1 — Voltando um pouquinho a falar da área de educação, que eu acho que está tudo interligado na nossa conversa. Na questão das aprendizagens, principalmente, a gente tem uma deficiência muito grande que ficou da pandemia. São dois anos de pandemia que evidenciaram um problema que o estado já vinha apresentando há muitos anos. O que fazer especificamente sobre isso?

Tanise Sabino – Esse tema referente ao ensino, educação, é um tema muito importante para nós. Os dados são alarmantes, 8% dos alunos no ensino médio tem o ensino referente à matemática de forma adequada, 40% dos alunos tem o ensino adequado em português. A gente vê que precisamos melhorar muito a qualidade do ensino. Outra questão: a evasão escolar. Os dados mostram quase 11% de evasão escolar. Significa 14 mil jovens fora da escola. Nós precisamos ter uma busca ativa, recuperar esse jovem, esse aluno, para escola e também investir na qualidade do ensino. É o jeito de ensinar e o jeito de aprender. A escola, Cris, quando o aluno for pra escola, o momento mais importante não pode ser o recreio ou intervalo e nem a merenda. Quando o aluno for para escola, o mais importante tem que ser a sala de aula. O prazer de aprender, de conhecer coisas novas, é o jeito de ensinar. E o que os jovens muitas vezes dizem, que as aulas são chatas, são monótonas, são repetitivas, não são conectadas com seu dia a dia. Hoje, um jovem com celular na palma da mão… Esses dias eu li uma frase muito interessante que um jovem, hoje, de 15 anos, tem mais informação que um rei do século XIV. Porque a informação é muito rápida. As aulas têm que ser mais atrativas nesse sentido.

g1 — Candidata, rapidamente, para a gente encerrar, tem uma pergunta que eu quero lhe fazer ainda. A candidatura de vocês e a do Onyx estão disputando mais ou menos o mesmo tipo de eleitor. Como se diferenciar e como conquistar esse voto que é muito associado ao presidente Bolsonaro?

Tanise Sabino – São dois candidatos de direita, bolsonaristas, mas eu vejo, sim, pela entrega, pelo resultado e pela trajetória. O Heinze foi prefeito de São Borja, deputado federal cinco vezes, senador sempre presente no nosso estado, sempre presente. Ele chega de viagem na quinta-feira, já vai para São Borja, faz roteiro, conhece as pessoas pelo nome. São diferenças que eu tenho certeza que o eleitor vai saber escolher.