“Terceiro mandato de Lula é golpe”, afirma Roberto Jefferson

PTB Notícias 21/11/2007, 18:29


“Terceiro mandato é um acinte à democracia.

Um golpe na Constituição.

Lula se aproveitou de uma excelente administração feita pelo Fernando Henrique e apenas deu continuidade ao que vinha dando certo.

Pode fechar o governo com chave de ouro, mas se ele inventar de disputar o terceiro mandato, vai cometer o mesmo erro de FHC com a reeleição, além do que vai viver todo o desgaste que FHC viveu.

” Quem afirma é o Presidente Nacional do PTB, Roberto Jefferson, em entrevista ao jornal Correio de Sergipe.

O Presidente do PTB fala ainda sobre o escândalo do ´mensalão´, Renan Calheiros, campo de Tupi e expõe sua convicção de que a ministra Dilma Roussef é quem realmente manda no governo.

“Olha a cara do Brasil como mudou! Quem está mudando o Brasil? Onde é que mudaram? Na Casa Civil.

O Zé Dirceu comprometia o governo ali na Casa Civil.

Ele pecava na sacristia, na véspera do altar.

Já a Dilma não.

É séria e correta”, afirma Jefferson.

Leia abaixo a entrevista na íntegra:Correio de Sergipe – É possível afirmar que ainda existe “mensalão”?Roberto Jefferson – Não acredito.

A vigilância da imprensa é muita intensa.

No Congresso Nacional não existe mais.

O toma lá, dê cá, desgasta por ser muito pragmático: você vota em mim e leva a direção de uma estatal e isso desgasta o partido.

Mas o “mensalão” era dinheiro vivo: R$ 30 mil por mês para que o deputado votasse com o governo.

Mas isso era o que havia de pior, e acabou.

Isso não existe mais.

Isso desgastou muito o governo do Lula.

Três ministros do governo Lula foram processados no “mensalão”.

E isso é inédito na história da República.

O presidente do partido dele (Lula), o tesoureiro, José Genoino, o secretário geral, Delúbio Soares, o presidente da Câmara dos Deputados, é muita gente do partido.

Isso foi muito ruim para o partido.

Foi descoberto, a imprensa deixou isto claro aos olhos do Brasil e eu não creio que haja coragem de ninguém fazer isso: acabou.

Você veja que o Executivo saiu ileso disso, mas o Congresso apanhou muito, e saiu muito desgastado.

A Câmara dos Deputados está precisando recuperar a imagem.

Nesta quarta-feira, no Supremo, a denúncia e sua aceitação serão publicadas.

As coisas estão andando.

Existem leis no Brasil e estão sendo cumpridas.

C.

S.

– Há quem diga que o senhor só denunciou o “mensalão” porque queria mais.

Essa imagem incomoda?R.

J.

– Essa é a imagem que um grupo tem de mim.

O outro grupo sabe que eu denunciei por razões justas.

Não adianta: nem o filho de Deus agradou a todo mundo, não vai ser eu – ainda mais sendo político (risos).

C.

S.

– O senhor participou de um encontro do partido em Sergipe num momento em que há uma polêmica no Brasil em torno da decisão do STF de que o mandato pertence ao partido e não ao político eleito.

O que o senhor pensa a respeito da fidelidade partidária?R.

J.

– Tomamos uma decisão na executiva nacional liberando os estados e municípios para que tomem atitudes em relação aos vereadores, deputados estaduais e federais que deixaram a legenda depois do dia 27 de março.

Mas em relação a Sergipe, o caso de Jackson Barreto, não vamos questionar o mandato dele, pois é um amigo fraterno e isso cria um diferencial.

Em segundo lugar, dentro da coligação eu acho que é legal a movimentação, e ele deixou o PTB e foi para o PMDB, partidos coligados.

Não faremos nada, mas parece que o Ministério Público questionará.

Mas Jackson merece a nossa homenagem.

Também decidimos na reunião que cada estado fará a aliança que achar melhor, de acordo com os interesses regionais, as tendências políticas regionais.

Sergipe fará o acordo político que quiser.

C.

S.

– Em Sergipe, o PTB apóia o governo Marcelo Deda.

Até que ponto isso é salutar?R.

J.

– Eu vejo o Marcelo Deda como um dos mais elegantes e brilhantes oradores que conheci.

É um homem de palavra e acordo.

Foi líder do PT numa época em que eu fui líder do PTB e temos uma relação excelente.

Eu ainda não conversei com o presidente do partido em Sergipe sobre isso.

O que sei li na imprensa, confesso.

Mas Deda é um grande quadro do PT.

C.

S.

– Qual o futuro do deputado Roberto Jefferson?R.

J.

– Eu prefiro presidir o partido a ser deputado federal.

Eu perdia muito tempo (quando exercia o cargo de deputado estadual): votação, plenário, comissões permanentes, aquelas discussões que atravessavam a madrugada, mas veja o que eu faço hoje: tomo um avião, venho para Sergipe, semana que vem eu acho que já vou ao Espírito Santo, vou a São Paulo, estou vindo do Mato Grosso, do Mato Grosso do Sul, estive em Goiás, no Amapá, estive em Rondônia, eu não paro.

Para mim é muito melhor.

Eu gosto muito mais de fazer isso que eu estou fazendo.

C.

S.

– Deputado, como o senhor avalia o governo Lula e a idéia de um terceiro mandato?R.

J.

– Acho que o Lula está bem até agora.

A descoberta desta bacia, em Angra dos Reis, já chegando a Santos, é uma reserva que duplica as reservas de petróleo do Brasil.

Se confirmadas as expectativas iniciais, a descoberta de um imenso campo petrolífero no litoral poderá fazer do Brasil o dono da 9ª.

maior reserva de petróleo do mundo, superando países como Nigéria e Estados Unidos (Rússia, Irã e Arábia Saudita encabeçam a lista).

Estima-se que essas reservas possuam de 5 a 8 bilhões de barris de petróleo de boa qualidade e gás.

O anúncio renovou nos cidadãos o orgulho pelo país que nos coube na partilha divina, país abonado com biodiversidade riquíssima, cima razoavelmente ameno e nada de terremotos, furacões e outras desgraças que tais.

É fato que riquezas sempre as tivemos, e nossa história é dividida em ciclos que bem o demonstram.

Mas sempre foram mal aproveitadas, por governantes ineptos ou levianos.

O problema, agora, é como fazer com que essas reservas revertam benefícios para todos os brasileiros.

O campo tem um potencial assombroso, mas não podemos permitir que termine feito prêmio de loteria em mãos perdulárias – desperdiçado.

Cabe a partir de agora, a este governo e aos que virão, planejar a melhor maneira de fazer dessas reservas um bom negócio que efetivamente alavanque os negócios e a economia nacionais.

Porque é fato que a maioria dos países da Opep não prima exatamente pelo desenvolvimento e pela qualidade de vida senão de meia dúzia de privilegiados.

Se não fizermos direitinho o dever de casa, a descoberta será apenas mais um discurso bonito e uma grande oportunidade perdida.

C.

S.

– Então, para que o Lula vai para o desgaste de um terceiro mandato? R.

J.

– É acinte à democracia.

Um golpe na Constituição.

E ele ainda vai viver o desgaste que Fernando Henrique viveu.

O governo do Fernando Henrique é inquestionável.

O Lula fala em herança maldita apenas para fazer picuinha com o Fernando Henrique porque a herança é benfazeja, é bendita porque o sucesso do Lula hoje é o que o FHC fez no passado.

E o Lula vai sair agora para disputar um terceiro mandato, vai cair no erro do FHC com a reeleição.

O que desgastou Fernando Henrique aos olhos do Brasil? A reeleição.

E Lula está indo pelo mesmo caminho.

Vai ser um grande erro.

C.

S.

– E vai desgastar a imagem do Lula? R.

J.

– Claro, se ele tentar este terceiro mandato.

Eu se fosse ele esperaria e voltaria em cinco anos.

Ele é moço.

Para que ele vai fazer uma coisa dessa e voltar desmoralizado? Porque na hora em que a negociação passa a ser pessoal, ele paga um preço por isso.

C.

S.

– O senhor mantém aquela idéia de que o Lula não sabia de nada? R.

J.

– Não sabia não.

Sabe como é que eu comparo o Lula? Eu tenho três meninos que passaram no vestibular, e comprei um carrinho 1000 para o meu caçula.

Ele tentou passar no vestibular três vezes para medicina e tomou bomba.

No quarto, ele passou.

É igual ao Lula: o Lula tentou três vezes ser presidente do Brasil, tomou bomba, na quarta foi eleito.

Aí, o que é que faz a turma do PT? Dá um aviãozinho para ele.

Em vez de dar um Gol 1000, a turma do PT deu um aviãozinho para ele.

E ele saiu viajando pelo mundo para lá e para cá.

E o que aconteceu? Largou o governo na mão do José Dirceu.

E quem fez a lambança foi o José Dirceu.

Como é que o Lula está saldo agora e continua viajando de avião? A Dilma Roussef (ministra chefa da Casa Civil, posto ocupado por José Dirceu até o escândalo do mensalão ser denunciado por Jefferson).

Olha a cara do Brasil como mudou! Quem é que está mudando o Brasil? Onde é que mudaram? Na Casa Civil.

O Zé Dirceu comprometia o governo ali na Casa Civil.

Ele pecava na sacristia.

Na véspera do altar.

Não podia.

Já a Dilma não.

É séria e correta.

Digna de estar tocando o projeto de crescimento do Brasil na área de energia elétrica, de transporte, olha a cara do governo como mudou! Mudou pelas mãos dela que é uma mulher séria.

Mas quem mandava em tudo era o Zé Dirceu.

Tanto que o Supremo acolheu a denúncia com ele afirmando que o chefe da quadrilha era o Zé Dirceu.

O Supremo por 11 a zero, os ministros do Supremo, por 11 a zero, disseram ao Brasil, junto com o procurador geral da República – não sou mais eu quem estou dizendo, não, são os ministros do Supremo e o procurador geral da República – que o Zé Dirceu é o chefe da quadrilha do mensalão.

C.

S.

– Essa posição que o senhor coloca de Lula de entregar o governo nas mãos dos ministros da Casa Civil revela incompetência para administrar o País?R.

J.

– Não.

Ele não é.

Administrar tem que ter paciência.

Você, para governar, tem que dizer mais não do que sim.

Tem que ser mais antipático do que simpático.

Você tem um orçamento e escolhe o que vai priorizar.

Então você diz não para quem você não vai botar dinheiro, está certo? E o Lula não gosta disso.

Ele é assim um relações internacionais.

Nós temos que viver no país um parlamentarismo, ele é o chefe de Estado, viajando o mundo, fazendo esse relacionamento que ele é perfeito nisso – em relações internacionais, o Brasil avançou muito – mas administrar é chato: você tem que sentar e dizer, “quanto tem no caixa hoje? O que tem para pagar? Ministro, vem cá, nós vamos pagar a quem? O fulano está apertando porque quer receber, não vamos pagar ele não.

Empurra ele pra frente.

Isso é dizer não.

E o Lula não gosta de dizer não.

Entregou isso nas mãos do José Dirceu, que deturpou, infelizmente.

C.

S.

– O senhor ficou satisfeito com a denúncia que fez e o andamento das denúncias?R.

J.

– Cumpri o meu dever.

Entrei pela porta da frente e saí pela porta da frente.

Estou em paz com a minha família e com a opinião nacional.

C.

S.

– Qual a situação do Senado no caso Renan Calheiros?R.

J.

– Ruim.

O Renan teria que ter saído.

Descobriram a amante dele, meteram no jornal.

Ela ficou de bumbum de fora na Playboy e ele ficou sem calças no Plenário, e transformou o Senado num motel.

De repente você abre os jornais, e vê os senadores olhando a Mônica pelada na revista, na tribuna sagrada do povo que elegeu aqueles caras pro Senado.

Foi tão ruim que contaminou o Senado com a imagem.

Então, o Renan errou.

Foi pego? Ninguém está livre disso.

Graças a Deus, ele ainda gosta desta fruta.

Graças a Deus.

Pior se não gostasse.

Mas gosta.

Descoberto, pegue o boné, pede perdão para a família e diz: “olha, fiquei mal, descobriram a minha namorada aqui, eu arranjei um jeito de colocar dinheiro na mão dela, mas estou pedindo o boné e vou embora”.

Ele não pode envolver o Brasil no escândalo pessoal.

Ele errou, tinha que ter saído.

LEIA ABAIXO MATÉRIAS RELACIONADAS À IDA DO PRESIDENTE DO PTB, ROBERTO JEFFERSON, A SERGIPEJORNAL DA CIDADEJefferson canta em convençãoCantando a música “Nervos de Aço” o presidente nacional do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) abriu a convenção estadual da sigla em Sergipe, na noite de ontem, no plenário da Assembléia Legislativa.

O ex-deputado, que levou o termo “mensalão” às páginas dos jornais falou sobre política nacional, comentou a saída (e o retorno) do deputado federal Jackson Barreto ao partido e chorou, durante discurso emocionado do amigo e correligionário Gilton Garcia, presidente da sigla em Sergipe.

Prefeitos e representantes de diversos diretórios municipais foram prestigiar o evento.

Gilton Garcia saudou os companheiros e falou que o PTB está presente em 51 dos 75 municípios sergipanos.

Já Roberto Jefferson, abriu o seu discurso lembrando que foi deputado federal ao lado de Gilton, em 1982, e que desde então possui laços de amizade com ele.

O ex-deputado federal também disse que o PTB tem sido apontado em pesquisas como o 3º partido mais lembrado pelos eleitores, à frente de partidos como o PSDB e DEM,atrás apenas do PT e PMDB.

Ele também falou que está participando de várias convenções, por todo o Brasil.

Jefferson também não deixou de falar no mensalão, e disse que o PTB é diferente dos demais partidos envolvidos no escândalo, porque não botou a mão no dinheiro.

“Nosso partido possui condição moral para fazer essa crítica.

Há muito tempo em Brasília, eu nunca tinha visto aquilo, negociar voto com dinheiro.

Existia o tradicional “toma-lá-da-cá”, negociação de cargos, mas dinheiro, nunca”, disse ele.

Jackson BarretoAntenado com a política local, Roberto Jefferson gastou boa parte do seu discurso falando sobre o deputado federal sergipano Jackson Barreto.

Jefferson disse que Jackson não construiu o PTB no Estado, e que na eleição para federal ele se lançou sozinho na disputa, sem se preocupar em lançar outros candidatos.

Jefferson também disse que a volta do sergipano ao partido já havia sido conversada,e que Jackson é bom caráter.

“depois de eleito ele ficou muito lulista, muito petista.

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Mas é meu amigo”.

EDITORIALO homem do mensalãoO presidente do PTB nacional, Roberto Jefferson, veio a Sergipe para contactar com seus correligionários e traçar planos para as eleições municipais do próximo ano, quando certamente pretende usar seus candidatos a prefeitos neste Estado onde o partido sempre foi forte politicamente!!! O presidente do diretório estadual petebista é Gilton Garcia, que já exerceu diversos mandatos legislativos e também foi governador do Amapá, realizando ali obras de grande relevo administrativo na gestão do presidente Fernando Collor, que terminou sendo deposto.

Roberto Jefferson foi o parlamentar deputado federal que denunciou ao Brasil a máfia dos mensalões constituída de congressistas que negociavam voto com o governo do PT no sentido de aprovar projetos no Congresso Nacional.

Roberto Jefferson é, então, cassado por sua ousadia e envolvimento confesso!!!Em Sergipe existe o deputado federal eleito pelo PTB e que posteriormente mudou o partido indo para o PMDB com o objetivo de se eleger prefeito de Aracaju.

Pela lei eleitoral agora em vigor, o presidente do PTB pode tomar o mandato de Jackson Barreto, mas ele não pretende fazer isso.

Resumindo, a visita que o presidente petebista fez a Sergipe foi de mera cordialidade com seus parceiros e em nada modificará o panorama local, ficando “tudo como era antes no quartel de Abrantes”.

O deputado desertor Jackson Barreto ainda pode, se quiser, retornar ao ninho antigo e será recebido com braços abertos, pois política é definida como a arte de somar.

Mesmo diminuindo!!! JORNAL DO DIAPTB tranquiliza JacksonA entrevista concedida em Aracaju pelo presidente nacional do PTB, ex-deputado Roberto Jefferson, deve por um ponto final às discussões em torno do mandato do deputado federal Jackson Barreto, que trocou o PTB pelo PMDB após o dia 23 de março, data fixada pelo Supremo Tribunal Federal para entrar em vigor a fidelidade partidária para ocupantes de cargos proporcionais.

Jefferson disse que Jackson deixou o PTB porque pretendia continuar apoiando o governo Lula, seguindo a aliança firmada nas eleições de 2006.

Denunciante do mensalão, Jefferson gostaria de levar o PTB para a oposição ao presidente Lula, o que não ocorreu porque a maioria da bancada continua leal ao governo.

Mas ele chegou a estimular a saída dos parlamentares governistas da legenda, como admitiu em Aracaju.

“Jackson é um lulista inveterado e ia acabar entrando em choque com o comando partidário”, disse Roberto Jefferson, ao explicar porque não tentaria recuperar na Justiça o mandato do deputado sergipano.

“Além disso, é um amigo fraterno”, frisou.

Ao admitir que o PTB pretendia trocar o governo Lula pela oposição em função das suas denúncias sobre o mensalão, Roberto Jefferson deu a Jackson Barreto e a todos os demais parlamentares que deixaram o partido, o discurso que garante a manutenção dos seus mandatos, caso o Ministério Público Federal Eleitoral venha a fazer o questionamento junto ao TSE.

Nas últimas eleições, o PTB integrou a coligação governista que apoiou a reeleição de Lula, mas agora o comando do partido gostaria de mudar de posição.

Este é um dos argumentos considerados válidos pela nova regra eleitoral para justificar a troca de legenda.

Ou seja, Jackson saiu do PTB para continuar leal ao projeto eleitoral de 2006, comprometido com o apoio ao presidente Lula.

Além disso, ingressou no PMDB, partido que integra a base governista e em Sergipe fez parte da coligação que elegeu o governo Marcelo Deda, juntamente com o PTB e outros partidos.

Se já não demonstrava muita preocupação com a nova regra eleitoral, agora é que Jackson ficará ainda mais tranqüilo.