Valor Econômico: Cristiane Brasil investiga atuação de Lula

PTB Notícias 27/01/2016, 16:45


Leia abaixo, na íntegra, a matéria publicada nesta terça-feira (26/1/2016) pelo jornal Valor Econômico.

Foto: Neto Sousa/PTBDeputada investiga atuação de LulaPor Bruno Peres e Thiago ResendeRelatório da deputada Cristiane Brasil (PTB-RJ) na comissão de deputados que investiga operações envolvendo o BNDES afirma que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva favoreceu empresas brasileiras no exterior, com acesso a recursos do banco de fomento.

Questiona ainda se o esforço governista e do PT para acabar com a CPI do BNDES se deu principalmente para evitar que fosse apurada a hipótese de tráfico de influência internacional do ex-presidente em favor da Odebrecht – por ora em fase preliminar de investigação pelo Ministério Público Federal (MPF), na qual Lula é considerado suspeito.

A comissão volta a se reunir na próxima semana para concluir, em cerca de duas semanas, o trabalho de investigação das atividades do banco, com a análise do documento final e de três relatórios setoriais: negócios nacionais e internacionais, financiamento a entes federados e participações em empresas.

O relator da CPI do BNDES, deputado José Rocha (PR-BA), é alinhado com o governo.

No entanto, promete acolher as sugestões das análises temáticas elaboradas pelos demais relatores.

A filha do ex-deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ) é responsável na CPI pela análise dos contratos de financiamento que envolvem obras no exterior, cujo relatório o Valor teve acesso.

Ela destaca que, mesmo após deixar em 2011 o cargo de presidente da República, Lula permaneceu como interlocutor preferencial entre empresas brasileiras e autoridades daquele continente interessadas em estreitar os laços comerciais com o Brasil, ainda que para isso fosse necessário “flexibilizar exigências” do BNDES para empréstimos, conforme apontado em comunicação diplomática, classificada como “reservada”, obtida pela CPI.

Uma contradição entre o depoimento do ex-presidente ao MPF e as notas elaboradas pelos representantes do Brasil em Angola, que acompanharam a comitiva brasileira em viagem ao país em 2014, é citada pela deputada.

Conforme documento emitido pela embaixada do Brasil em Angola, em viagem ao país em maio de 2014, Lula conversou expressamente com o presidente José Eduardo dos Santos a respeito do financiamento do banco para a construção da hidrelétrica de Laúca.

Em depoimento ao MPF em outubro de 2015, Lula afirmou jamais ter conversado com o presidente angolano sobre qualquer financiamento do BNDES.

Outra comunicação diplomática mencionada pela deputada ressalta cita uma visita de Lula ao Benin em março de 2013.

Segundo o informe, “o evento ajudou a dinamizar as discussões em torno da relação entre atores privados dos dois países”.

O Instituto Lula respondeu, em nota, que o ex-presidente não comenta questões pertinentes ao Congresso Nacional, “como é o caso de uma proposta de relatório que sequer aponta alguma irregularidade na conduta”.

Segundo o instituto, a atuação do ex-presidente “sempre foi pública e legítima” e teve como objetivo central o estímulo “ao comércio internacional do Brasil”.

A Odebrecht em nota afirmou que “mantém relações institucionais transparentes com chefes de Estado, de forma condizente com a importância do cargo, em benefício de interesses nacionais e das empresas brasileiras”.

Durante as reuniões da CPI no ano passado, aliados ao Palácio do Planalto impediram a convocação de representantes do Ministério das Relações Exterior em busca de esclarecimentos.

A relatora também afirma, diante da limitação de prazo para a CPI articulada por governistas, a importância de analisar toda a documentação atribuída à atuação de Lula em favor da Vale na África.

“Verifica-se que o ex-presidente esteve envolvido na negociação que favorecia o interesse da empresa brasileira em Moçambique, onde ajudou a Vale a conquistar a exploração da maior mina de carvão do mundo”, aponta o relatório.

Procurada, a Vale informou que participou de forma transparente da concorrência conduzida pelo governo moçambicano.

Cristiane sustenta que, até julho de 2015, o BNDES se utilizou de entendimento equivocado sobre o sigilo bancário, para barrar ações de órgãos de controle.

Além disso, auditorias responsáveis por analisar negócios internacionais foram contratadas por empresas que receberam recursos, o que é, avalia ela, uma fragilidade no controle.