Vereador petebista alerta para “apagão do lixo” em SP

PTB Notícias 23/08/2007, 15:35


Comissão especial criada na Câmara Municipal de São Paulo/SP para analisar o sistema de coleta de lixo no município alerta para falhas no modelo adotado e um possível colapso na cidade.

“O apagão do lixo já está anunciado, só falta acontecer”, resume o presidente da comissão, vereador Paulo Frange (PTB/SP).

A principal preocupação é em relação ao esgotamento dos aterros das duas concessionárias de São Paulo, a Loga e a Ecourbis.

Atualmente, a cidade depende de aterros particulares, sendo que o Centro de Tratamento de Resíduos (CTR) de Caieiras tem recebido todo o lixo da Loga e parte do da Ecourbis.

Por dia, são recolhidas 13 mil toneladas de lixo na capital.

A Loga, responsável pelo atendimento da Zona Oeste e Zona Norte da cidade, ficou sem opções após o esgotamento do Aterro Bandeirantes, em Perus, na Zona Norte.

A Ecourbis passou a utilizar o CTR Caieiras após problemas no Aterro São João, que está interditado desde 13 de agosto, quando houve um deslizamento no local.

O lixo sob responsabilidade da concessionária, cerca de seis mil toneladas por dia recolhidas da Zona Leste e Zona Sul da cidade, vinha sendo empilhado em camadas cobertas de terra na encosta de um morro, formando uma montanha (veja imagens).

Ainda não há previsão para a desinterdição.

“Quem ganha com essa situação é quem tem aterro privado.

Mas tem um ponto também.

Se eles aumentam o atendimento, isso encurta enormemente a vida útil.

Não sabemos quanto mais isso vai durar”, diz Frange.

Segundo a Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb), há apenas um pedido de abertura para um novo aterro na cidade.

Trata-se da ampliação do Aterro São João, da Ecourbis.

O Departamento de Limpeza Urbana (Limpurb) por sua vez, diz que está tentando aumentar a vida útil do Aterro Bandeirantes, da Loga, o que é considerado uma temeridade pelo vereador.

“Eles falam em reparedamento, o que significa alongar a vida útil de um aterro que já fechou em mais 16 anos.

A população não aceita de jeito nenhum”, diz Frange.

“Se fizermos uma concessão, a concessionária deveria conduzir esse assunto”, completa o vereador, cuja base eleitoral é na Zona Norte.

“Quando as pessoas vão fazer um churrasco na região, costumam dizer que as moscas chegam antes dos convidados”, afirma.

“Ecologia é um assunto que exige critério técnicos.

Pode ser um tema muito interessante para coluna social, festas em hotéis.

Mas eu sugiro que as pessoas façam reuniões sentindo o cheiro, ao lado dos aterros.

“Além de mudanças, adequações e novo planejamento para o sistema de recolhimento de lixo na cidade, a comissão pretende também promover uma conscientização em relação a temas como reciclagem e consumismo.

“Temos que levantar o debate sobre toda produção, isso envolve até as indústrias.

Estamos gastando muito com embalagem e não estamos cuidando da reciclagem.

Quanto compro um celular vem três, quatro, cinco caixinhas e mais um monte de plástico.

Precisa?”, finaliza o petebista.

Agência Trabalhista de Notícias (com informações do G1)