Vereador Rony Alves levanta suspeita sobre compra de livros em Londrina

PTB Notícias 10/11/2011, 7:15


A Comissão de Educação e Cultura da Câmara de Londrina (PR) levantou nova suspeita sobre compra de livros didáticos naquele município.

Na sessão da última terça-feira (7/11) foi aprovado pedido de informação de autoria do vereador Rony Alves (PTB).

Nele, o parlamentar questiona a aquisição de 180 exemplares da Enciclopédia do Brasil.

O município pagou R$ 2,4 mil por coleção, que contempla cinco livros, três CDs e um DVD.

O valor total ultrapassou R$ 430 mil.

No pedido de informação, o presidente da Comissão de Educação questiona o parecer pedagógico que embasou a escolha da coleção e também a quantidade adquirida, já que são apenas 78 escolas municipais, menos da metade do número de enciclopédias compradas.

Apesar do empenho não ter sido publicado em Diário Oficial, a Enciclopédia do Brasil já foi distribuída nas escolas.

“Está na prateleira dos professores e pronto para usar”, declarou uma docente, cuja identidade foi preservada.

“São cinco volumes e tem até o DVD”, comemorou.

“Cada um custou R$ 2,4 mil.

Tenho informação que a enciclopédia da Barça, renomada editora, custa R$ 2,7 mil.

Mas veja a diferença, são 18 livros e não cinco como a Oceano”, alertou Rony Alves.

O petebista levantou outra suspeita com relação à lista: o volume repassado pelas obras da Editora Oceano.

Foram mais de R$ 751 mil por apenas quatro obras.

“Como a compra dos livros da Editora Ética foi estranha, suscitou uma série de desconfianças em outros processos.

Nós temos a obrigação de fiscalizar”, argumentou.

Alves se referiu à compra de 13,5 mil exemplares da obra “Vivenciando a Cultura Afro-Brasileira e Indígena”.

O município investiu R$ 621 mil em um material que precisou ser recolhido das escolas municipais.

Movimentos ligados à cultura negra de Londrina apontaram uma série de irregularidades no material, desde erros ortográficos a termos considerados racistas.

Após a constatação, o Ministério Público (MP) recomendou que o município recolhesse os livros.

O processo de inexigibilidade de licitação, utilizado para escolher a editora responsável pela distribuição dos livros, também chamou a atenção do MP.

A promotoria de Defesa do Patrimônio Público de Londrina investigou o caso por semanas e denunciou judicialmente a secretária de Educação, Karin Sabec Vianna, por improbidade administrativa.

O Ministério Público considerou ilegal a forma utilizada na contratação da Editora Ética.

Ela foi escolhida pela atual administração sem precisar passar por nenhum tipo de concorrência pública.

Apesar de todos os problemas, o município ainda aguarda a devolução do dinheiro investido em um material que sequer chegou a ser utilizado.

Representantes da Editora Ética se comprometeram a revisar a obra ou trocá-la por outra, mas não concordaram em devolver os R$ 621 mil.

Sobre os livros da Editora Oceano, o município só vai se pronunciar em 15 dias, prazo regimental do pedido de informação da Câmara.

Agência Trabalhista de Notícias (LL), com informações do Portal Bonde