Vereadora Jeruza Reis: ‘Ninguém mais pode ficar doente em Poá (SP)’

PTB Notícias 26/03/2012, 6:36


A vereadora Jeruza Lisboa Pacheco Reis (PTB) não poupou o atual secretário de Saúde do Governo do Estado de São Paulo, Giovanni Guido Cerri, durante seu pronunciamento na sessão ordinária realizada pela Câmara de Poá (SP) na última semana.

Foi durante a discussão de uma Moção de Apelo direcionada à Secretaria Estadual de Saúde pela falta de leitos no Alto Tietê para atendimento pelo Sistema Único de Saúde (SUS) aos pacientes da cidade que a petebista disse repudiar o fato de o chefe da pasta não cumprir com os compromissos assumidos pelos secretários anteriores, Luiz Roberto Barradas Barata e Nilson Ferraz Paschoa.

A Moção de Apelo foi apresentada por todos os vereadores da Casa de Leis poaense, com exceção de Fernando Rodrigues Molina Júnior (PR), o Júnior da Locadora, com a intenção de chamar a atenção da Secretaria de Saúde do governo Geraldo Alckmin (PSDB) quanto à ausência de estrutura adequada médico-hospitalar no Alto Tietê para atender, em suas unidades de referência credenciadas, pacientes de Poá e de outras cidades da região com quadros de alta complexidade, como o câncer, por exemplo.

As recusas em receber pacientes esbarram na falta de leitos, de ambulâncias, de equipamentos e de medicamentos.

Segundo informações que chegaram até os parlamentares, muitos poaenses, portadores de doenças graves, não estão conseguindo tratamento pelo SUS no Hospital Santa Marcelina, em Itaquaquecetuba, e noHospital Regional “Doutor Osíris Florindo Coelho”, de Ferraz de Vasconcelos.

Como não há vagas no Alto Tietê, pacientes da região têm como única alternativa deslocar-se até São Paulo, o que para Jeruza é absurdo e desumano:”Há pouco tempo, me lembro bem que o governador Geraldo Alckmin disse, em visita à nossa região, que ‘a dor que dói perto, dói menos’, referindo-se ao incremento na área da Saúde no Alto Tietê, para que pessoas doentes não precisassem passar por uma via sacra em busca de tratamento longe de suas casas.

Ou os senhores acham que alguém que tem câncer, por exemplo, aguenta viajar por horas para passar por quimioterapia na capital ou para fazer uma cirurgia mais complexa?”, indagou a vereadora.

De acordo com a petebista, seja de carro ou por meio do transporte público que o Estado disponibiliza e que também não consegue atender a grande demanda de passageiros, um doente sofre muito até chegar ao local de destino para tratamento e, por conta disso, pode até ter se quadro agravado e morrer:”Quer dizer, então, que a frase do governador virou demagogia? Votamos, hoje, a Moção de Apelo, mas isso merece repúdio.

Inclusive, essa situação já tem o meu repúdio pessoal, pois, da forma que está, em Poá, por exemplo, será proibido ficar doente, pois não temos mais vagas para encaminhar os nossos doentes, tudo porque temos um governo centralizador e manipulador que trata com descaso pacientes de Poá e de todas as outras cidades do Alto Tietê”.

Jeruza lembrou, inclusive, do empasse sobre a instalação em Mogi das Cruzes de uma unidade para o atendimento gratuito de dependentes químicos do Alto Tietê que seria subsidiada pelo Governo do Estado.

Há mais de um ano, as Câmaras da região têm unido forças numa espécie de campanha pró-clínica, alicerçadas no compromisso assumido por Luiz Roberto Barradas Barata, quando era secretário de Saúde de José Serra e que, com sua morte, em julho de 2010, foi substituído por Nilson Ferraz Paschoa.

Com a mudança de gestão em janeiro de 2011, a pasta ficou sob responsabilidade de Giovanni Guido Cerri, que chegou a declarar publicamente desconhecer investimentos destinados especialmente para o Alto Tietê.

“É assim que o secretário trata a região? Baseado em achismos hipotéticos e desnudos, ele trata nossos doentes do SUS com descaso.

Onde está a dor que dói menos perto? Precisamos que, em curto prazo seja expandido o atendimento no Alto Tietê e que se otimize o processo de transferência de pacientes”, complementou Jeruza.

Agência Trabalhista de Notícias (LL) com informações do Blog do Fernandes