Vida longa a Gastone Righi e as jubartes!

PTB Notícias 23/05/2014, 21:48


O anúncio feito esta semana pela ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, de que a baleia-jubarte foi retirada da lista de espécies ameaçadas de extinção foi recebido com alegria no Partido Trabalhista Brasileiro.

A ministra destacou que as medidas do governo federal foram fundamentais para a preservação da espécie.

Entre elas, a definição de rota das embarcações para evitar colisões e a criação do santuário das baleias no Brasil e da Unidade de Conservação de Abrolhos, no Sul da Bahia.

Entretanto, o fator decisivo para que as baleias ficassem fora de perigo e que o número de exemplares voltasse a subir, foi graças à lei federal 7.

643/87, de autoria do deputado federal Gastone Righi (PTB-SP), que “proíbe a pesca de cetáceo nas águas jurisdicionais brasileiras, e dá outras providências”.

( (http://www.

planalto.

gov.

br/ccivil_03/leis/L7643.

htm) Aqui, a lei na íntegra)A caça às baleias no Brasil foi praticada por duas empresas: uma em Cabo Frio (RJ) até a década de 60; a outra, em Cabedelo (PB).

Essa sediada no município paraibano, por exemplo, era realizada pela Companhia de Pesca Norte do Brasil (Copesbra), empresa de capital brasileiro e japonês.

Fundada em 1910, a Copesbra atuou no país por 75 anos e, nesse período, abateu cerca de 22 mil animais de todas as espécies.

O PTB, portanto, comemora a importância dessa legislação desde que foi sancionada, 26 anos atrás, pelo então presidente José Sarney, e ressalta que as conquistas e os avanços hoje comemorados só se tornaram possíveis graças à pioneira “Lei Gastone Righi” – que se tornou exemplo e foi copiada em diversos países.

Prova disso, por exemplo, são os dados de que de 500 exemplares em 1980, no Brasil, o número de baleias subiu para 9 mil em 2008 e 15 mil em 2012.

O Partido Trabalhista Brasileiro faz questão de destacar e rememorar este fato histórico como um dos exemplos da contribuição de Gastone Righi ao Brasil, ao Congresso Nacional e ao PTB, que é inestimável e da qual o partido tem muito orgulho.

BiografiaNatural de Santos (SP), Gastone Righi Cuoghi, de 78 anos, é advogado, empresário e político.

Foi perseguido e preso durante a Ditadura Militar.

Retornou à política com Ivette Vargas na refundação do PTB, em 1979.

Na Constituite, liderou o partido em nível nacional.

Conquistou quatro mandatos consecutivos de deputado federal por São Paulo, foi líder da bancada na Câmara dos Deputados por sete anos seguidos e presidente nacional o PTB.

Lei Gastone RighiEm entrevista ao Jornal Boqnews, publicada em agosto de 2011, Gastone Righi fala de suas lutas pelas baleias e como surgiu a ideia do projeto para protegê-las.

Segue abaixo o trecho na qual fala a respeito do assunto:O senhor já falou sobre a Lei das Baleias, a chamada Lei Gastone, mas acho que faltou explicar como surgiu a ideia do projeto?É uma história longa e muito bonita.

Eu era advogado marítimo e trabalhava para a Internacional de Transportes, que era do Modesto Roma.

Eu fazia todos os processos marítimos pela costa brasileira.

Houve um caso em São Francisco do Sul.

Eu peguei um barco do Roma aqui e fui para São Francisco do Sul.

E foi nessa viagem que tive o primeiro contato visual com as baleias.

Eram jubartes, aqui no Litoral de Santa Catarina, e eu assisti a um espetáculo raríssimo de se ver, que era a dança do acasalamento das jubartes, quando fica a fêmea no meio e os machos a rodeiam e dançam com o corpo fora d´água e cantam.

Uma cena impossível de se descrever.

Passou isso, e eu tive outro caso em Cabo Frio.

A Taiyo tinha se mudado para Cabo Frio, e eu fui lá para uma audiência em que tive que esperar dois dias.

Passeando em Cabo Frio, encontrei um amigo meu que foi nadador comigo no Saldanha da Gama, cujo apelido era Cabeleira.

Esse rapaz fez uma festa, pois há anos não o via.

Ele tinha ido para o Rio, onde fez curso de Marinha Mercante, e era imediato em um navio da Taiyo baleeiro.

E ele me convidou para ir no navio ver a caça às baleias.

Eu topei e fui.

Era um barco grande, com um artilheiro japonês, que usava um arpão com uma bomba acoplada com cabo.

Depois de sete horas de navegação avistaram a baleia.

Quando chegou perto dela, o japonês acertou o animal.

De repente fez um barulho absurdo, o bicho deu um salto para cima e gritava, a uns 100 metros do barco.

Era um guincho horrível.

Um espetáculo brutal.

O Cabeleira me viu tenso e falou para me acalmar que a baleia não sofreu, pois a bomba quando estoura é morte certa.

Também me explicou que ela gritava porque era uma baleia fêmea que estava chamando o baleote.

Dali a pouco aparece em volta do corpo da baleia um filhote.

O Cabeleira então me diz que o coitado vai morrer, porque naquela idade ele não enxergava e tinha apenas um sensor que era desenvolvido com a mãe, através desse guincho.

Quando for retirado o corpo da baleia, o baleote iria ficar rodando no mar até morrer.

Rapaz, nunca mais na vida eu me esqueci disso.

É um negócio meio piegas, mas foi uma emoção brutal.

Olha que fui caçador e pescador, hoje não caço mais, mas quando era jovem isso tudo era um esporte.

Mas esse negócio da baleia me violentou a tal ponto que eu nunca mais esqueci.

Tive pesadelos recorrentes com isso.

Fora o esquartejamento dela na praia.

Cobravam 20 dólares do turista para ele acompanhar o esquartejamento.

Uma monstruosidade.

Se não houvesse todas as outras razões do mundo para fazer a lei em proteção às baleias, essa para mim bastava.

Foi um marco na definição ecológica do país e de todo o mundo.

A própria Greenpeace fez sua história em cima da baleia.

( (http://archive.

today/m3IV6#selection-1705.

1-1705.

66) Aqui, o link da entrevista)Agência Trabalhista de Notícias (FM)Fotos: Reprodução/Jornal da Orla na TV; Masa Ushioda/SpecialistStock/Grosby Group