“Zuanazzi não tem condições de presidir a ANAC”, diz Sabino Castelo Branco

PTB Notícias 26/07/2007, 11:29


O deputado Sabino Castelo Branco, do PTB do Amazonas, é membro da CPI do Setor Aéreo na Câmara, e afirmou que o presidente da Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC), Milton Zuanazzi, não tem condição de permanecer no cargo depois das sucessivas tragédias envolvendo aviões da Gol e da TAM.

O deputado petebista fez esta afirmação nesta quarta-feira, 25/7, após a realização de uma audiência pública realizada pela CPI para ouvir o presidente da ANAC.

“Ele é um homem despreparado.

Não era para estar na ANAC, de forma alguma, ele não tem nem formação para estar à frente da ANAC.

Isso foi falado para ele e eu vou insistir nisso, e nós vamos ver como vamos fazer para que esse homem tenha que ser demitido, não pode continuar aí.

Hoje, com esse segundo acidente, já se completam 350 mortos.

E isso vai ficando e as famílias ficam cobrando e essas pessoas vão ficar como?”, questionou o deputado Castelo Branco, que é o presidente do Diretório Estadual do PTB amazonense.

Para Sabino Castelo Branco, não é possível que o presidente da ANAC seja mantido no cargo por ter mandato, pois o presidente da República e os parlamentares também têm e são passíveis de cassação.

TAMEm outra audiência realizada pela CPI do Apagão Aéreo, em que foi ouvido o vice-presidente técnico da TAM, Ruy Amparo, os deputados da comissão concluíram que havia indicadores suficientes para que alguma ação fosse tomada para evitar o acidente ocorrido com o avião da TAM no aeroporto de Congonhas (SP) no último dia 17, em que mais de 200 pessoas morreram.

Os indicadores citados pelos deputados são: relatos de pista escorregadia por pilotos de outros vôos anteriores à torre de comando; derrapagem de avião da Pantanal no dia anterior; declaração de outros pilotos da TAM sobre dificuldades de parar a aeronave; peso da aeronave acidentada (62 ton) perto do limite máximo (64 ton) para a pista; e reverso direito travado.

Segundo Amparo, o manual do avião, elaborado pela Airbus, foi seguido à risca pela empresa e permitia o pouso da aeronave naquelas condições climáticas e com um dos reversos travado.

Dez diasOutro ponto questionado pelo deputado Sabino Castelo Branco foi o prazo que o fabricante permite às companhias usar a aeronave sem realizar o conserto definitivo no equipamento com defeito.

O deputado petebista indagou o que aconteceria se a TAM não consertasse o reverso direito do avião dentro do prazo de dez dias dado pelo manual do avião e por que o conserto não foi feito antes.

Tecnicamente, Ruy Amparo disse que não haveria problema em passar um pouco do prazo, pois ele é estipulado para evitar que algum outro problema se some a esse e diminua a segurança do vôo.

No caso específico do reverso, explicou que a recomendação do fabricante é de travar o equipamento com defeito para evitar que seja acionado sem comando em pleno vôo, o que seria muito perigoso.

Agência Trabalhista de Notícias